CAPÍTULO 2 — NOSSAS ORIGENS E NOSSAS FAMÍLIAS
“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos corações sábios.”
Salmos 90:12
Antes que duas pessoas possam ser compreendidas dentro de uma aliança, é necessário olhar para aquilo que existia antes dela.
Nenhum encontro começa verdadeiramente no momento em que duas pessoas se veem pela primeira vez. Cada uma chega trazendo consigo uma história anterior, construída dentro de uma família, de uma casa, de uma comunidade e de experiências que, muitas vezes, só serão compreendidas plenamente muitos anos depois.
Ivanildo Melo Regis e Rosinete Gonsaga de Lima chegaram um ao outro assim: trazendo duas histórias que já estavam em andamento.
Naquele tempo, porém, nenhum dos dois sabia que um dia essas histórias seriam reunidas. Não havia entre eles qualquer consciência de um futuro comum. Cada um estava inserido em sua própria família, recebendo valores, enfrentando circunstâncias, observando pessoas e formando, pouco a pouco, o caráter que levaria para a vida adulta.
Por isso, falar de “nossas origens” é falar de duas origens.
De um lado, a família de Ivanildo. Do outro, a família de Rosinete. Dois ambientes diferentes, duas experiências diferentes, duas formações que não eram iguais.
AS ORIGENS DE IVANILDO
Ivanildo nasceu em Duque de Caxias, em 25 de janeiro de 1975.
Sua história começa dentro de uma estrutura familiar na qual sua mãe, Joana Maria de Melo Regis, ocupa um lugar importante em sua memória. Também fazem parte desse cenário seu irmão, Ivan de Melo Regis, além da figura de Zefa, lembrada por Ivanildo como a “mãe do amor”.
Esses nomes não representam apenas pessoas que fizeram parte de uma árvore familiar. Representam referências, ambientes, relações e experiências que ajudaram a formar o menino antes que ele pudesse compreender o homem que se tornaria.
A presença de uma mãe dentro da história de um filho não pode ser reduzida a uma simples informação biográfica. A convivência, o cuidado, a educação, as palavras, os exemplos e até mesmo aquilo que uma criança não consegue explicar naquele momento permanecem como marcas que podem atravessar décadas.
No caso de Ivanildo, Joana faz parte dessas raízes.
E, ao lado dela, a memória de Zefa ocupa outro espaço especial. A expressão “mãe do amor”, utilizada para descrevê-la, revela a importância afetiva que essa mulher teve em sua trajetória.
A infância de Ivanildo, portanto, não pode ser vista apenas como uma sequência de datas. Foi dentro dessas relações que começaram a surgir valores, percepções e características que acompanhariam sua caminhada.
AS ORIGENS DE ROSINETE
Do outro lado desta história estava Rosinete Gonsaga de Lima.
Rosinete nasceu em 14 de outubro de 1977, em Gramacho, Duque de Caxias, na Maternidade Santa Paula.
Esse registro precisa permanecer claramente estabelecido nesta biografia.
Antes de ser Rosinete Lima Regis, antes de ser esposa de Ivanildo e antes de participar da história que os dois construiriam juntos, existiu Rosinete Gonsaga de Lima, nascida dentro de sua própria família e formada dentro de sua própria história.
Sua origem familiar também foi marcada por uma estrutura numerosa.
Rosinete cresceu entre sete irmãs e sete irmãos, em um ambiente familiar de grande convivência. A casa possuía três quartos, duas varandas, uma copa, sala e um espaço amplo destinado à convivência social e familiar.
Essa descrição revela algo importante: Rosinete não cresceu isolada.
Havia pessoas, movimento, convivência, responsabilidades e contato constante com irmãos, familiares e outras pessoas da comunidade.
Desde cedo, sua personalidade forte começou a aparecer. Havia nela uma tendência à liderança e uma disposição para cuidar de outras pessoas.
Ela cuidava dos irmãos e também das crianças da vizinhança.
A memória de sua infância guarda nomes que ajudam a reconstruir esse ambiente: Dona Vanda, Dona Ana, sua madrinha Sônia e seu padrinho Zezinho.
Também permanecem na lembrança a professora Vera e Nilza, que atuava como explicadora.
São nomes que poderiam parecer pequenos diante da grandeza da história que seria construída décadas depois. Mas é justamente assim que uma vida é formada: por pessoas que, em determinados momentos, ocupam espaços importantes sem saber a dimensão que terão na memória futura.
Havia também as festas do bairro, as brincadeiras, a convivência com outras crianças e períodos vividos na casa de uma tia, no Caju.
Tudo isso fazia parte do mundo de Rosinete antes de sua caminhada adulta.
Sua família transmitiu valores que permaneceriam importantes: união, respeito, caráter e a importância da convivência.
“O que semeia com lágrimas, com alegria colherá.”
Salmos 126:5
Assim, quando colocamos lado a lado as origens de Ivanildo e Rosinete, não encontramos duas histórias iguais.
Encontramos duas formações.
Ivanildo carregava suas próprias referências familiares, suas experiências e suas memórias.
Rosinete carregava uma família numerosa, uma personalidade que desde cedo demonstrava força e liderança, e uma convivência intensa com irmãos, familiares e pessoas da comunidade.
Nenhum dos dois precisava ter a mesma história.
Na verdade, era justamente a existência dessas diferenças que tornaria possível, mais tarde, uma união de experiências.
A FORMAÇÃO DENTRO DA FAMÍLIA
Uma família ensina de muitas maneiras.
Às vezes ensina pela palavra.
Às vezes pelo exemplo.
Às vezes pela necessidade.
Às vezes pela responsabilidade que uma criança precisa assumir cedo.
E, em outras ocasiões, ensina simplesmente pela convivência.
Uma criança observa muito antes de saber explicar aquilo que está observando. Aprende como as pessoas tratam umas às outras, como enfrentam dificuldades, como demonstram amor, como lidam com responsabilidades e como respondem às circunstâncias da vida.
Nem tudo aquilo que uma família transmite está escrito em frases.
Muito do que uma pessoa leva para a vida adulta foi aprendido olhando, vivido, experimentado, sentido, repetido, corrigido e guardado.
Por isso, as famílias de origem ocupam um lugar tão importante nesta biografia.
Elas não são apenas o começo cronológico da história.
São parte da formação dos personagens que, muitos anos depois, estariam diante da decisão de construir uma família própria.
DUAS HISTÓRIAS ANTES DA HISTÓRIA COMPARTILHADA
Ainda não existia o casal.
Existiam Ivanildo e Rosinete.
Ainda não existia a casa dos dois.
Existiam as casas onde cada um aprendeu a viver.
Ainda não existiam os filhos.
Existiam os irmãos, os parentes, os adultos e as crianças que compunham os seus respectivos mundos.
Ainda não existia a história compartilhada.
Existiam duas histórias particulares.
É importante preservar essa ordem porque ela pertence à verdade.
Não devemos olhar para a infância de Ivanildo como se ele já soubesse que encontraria Rosinete.
Também não devemos olhar para a infância de Rosinete como se ela já estivesse sendo preparada conscientemente para o casamento que aconteceria muitos anos depois.
Eles não sabiam.
Esse desconhecimento faz parte da história.
A compreensão de que Deus conduzia suas vidas veio a ser construída pela experiência espiritual e pela leitura que fizeram do próprio passado.
Mas os acontecimentos precisam ser narrados como foram vividos: cada um atravessando seu próprio tempo, sem conhecer o futuro.
É somente depois que uma pessoa percorre determinado caminho que consegue olhar para trás e perceber conexões que antes não conseguia enxergar.
O passado não precisou ser alterado para ganhar significado.
Bastou que o futuro acontecesse.
As famílias também seriam levadas para dentro dessa história.
Não literalmente como se todas as pessoas das duas famílias passassem a ocupar o mesmo espaço, mas porque cada um carregaria para o casamento aquilo que havia aprendido antes dele.
Ivanildo levaria suas referências.
Rosinete levaria as suas.
E, dentro da nova família que os dois construiriam, essas experiências seriam confrontadas, somadas, transformadas e amadurecidas.
É assim que uma família começa a construir outra:
não começa do vazio; começa daquilo que cada pessoa recebeu.
Por isso, a história de Ivanildo não pode ser contada sem Joana, Ivan e a memória de Zefa.
E a história de Rosinete não pode ser contada sem seus pais, seus irmãos, sua casa, suas referências e as pessoas que participaram de sua formação.
Cada nome carrega uma parte da história.
Cada ambiente deixa uma marca.
Cada experiência acrescenta alguma coisa.
E cada pessoa leva consigo uma herança que nem sempre percebe imediatamente.
AS RAÍZES QUE PERMANECERAM
Há uma diferença entre herança material e herança de caráter.
Uma casa pode ser deixada.
Um objeto pode ser guardado.
Uma fotografia pode permanecer.
Mas aquilo que uma pessoa aprende dentro de sua família pode acompanhá-la mesmo quando nenhuma dessas coisas está mais presente.
É essa herança invisível que interessa particularmente a esta biografia.
Porque, muitos anos depois, quando Ivanildo e Rosinete estivessem construindo sua própria casa, criando seus próprios filhos e vivendo juntos as responsabilidades da vida, muitas das lições recebidas na infância ainda estariam presentes.
Algumas seriam mantidas.
Outras seriam revistas.
Algumas seriam fortalecidas.
Outras precisariam ser transformadas.
Esse é um dos aspectos da formação humana:
ninguém começa a vida adulta completamente pronto.
A família fornece raízes.
A vida amplia essas raízes.
A fé aprofunda muitas delas.
E as experiências posteriores revelam aquilo que ainda precisa ser trabalhado.
Nesse sentido, as origens de Ivanildo e Rosinete não são apenas uma introdução à biografia.
São o primeiro fundamento dela.
“O Senhor aperfeiçoará o que me concerne.”
Salmos 138:8
Antes que viessem as decisões da juventude, veio a infância.
Antes que viessem as experiências espirituais, vieram as primeiras referências.
Antes que existisse o serviço a Deus, existiram as primeiras experiências de responsabilidade, convivência e cuidado.
Antes que existisse uma família formada pelos dois, existiram as famílias que os formaram.
E antes que eles pudessem compreender o significado de caminhar juntos, cada um precisou aprender, separadamente, a caminhar.
As histórias ainda não tinham se encontrado.
Mas os personagens já estavam sendo formados.
Ivanildo ainda seria marcado profundamente por sua busca por Deus, pela experiência do Espírito Santo e pelo desejo de servir.
Rosinete também teria sua própria caminhada espiritual, iniciada ainda jovem, e desenvolveria uma vida de serviço que mais tarde teria papel importante dentro da história dos dois.
Mas tudo isso ainda estava à frente.
Neste ponto da narrativa, estamos diante das raízes.
Duas famílias.
Duas casas.
Duas formações.
Duas infâncias.
Duas vidas que ainda não sabiam que um dia seriam chamadas de “nossa”.
E talvez seja justamente essa uma das maiores riquezas desta história:
quando eles finalmente se encontraram, não estavam começando a viver.
Estavam trazendo consigo tudo aquilo que já haviam vivido.
A aliança que viria não apagaria suas origens.
Ela daria a essas origens um novo lugar.
Porque, quando duas vidas se unem, o passado de cada uma passa a fazer parte da construção do futuro das duas.
E foi assim que começou a ser formado aquilo que, muitos anos depois, vocês chamariam simplesmente de:
NOSSA HISTÓRIA.
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