CAPÍTULO 23 — PR. DJAILTON, UM PAI ESPIRITUAL
“O coração do entendido adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios busca a sabedoria.”
Provérbios 18:15
UMA NOVA ETAPA NA ESCOLA
A chegada de Ivanildo à antiga instituição havia inaugurado uma longa etapa de sua vida. Ali, ele não encontrou apenas um lugar para frequentar reuniões ou desenvolver atividades de serviço. Encontrou uma escola.
Uma escola espiritual.
Uma escola de caráter.
Uma escola de serviço.
E, como acontece em toda formação verdadeira, diferentes pessoas participaram de diferentes momentos desse processo.
Pr. William havia sido o primeiro líder de Ivanildo. Foi o primeiro nome associado àquela caminhada ministerial, o primeiro líder daquela etapa que começava a ganhar forma.
Mas, com o passar do tempo, outro homem ocuparia um lugar ainda mais profundo nessa formação.
Seu nome era Pr. Djailton.
Na memória de Ivanildo, Pr. Djailton não ficou registrado apenas como mais um líder que passou por sua trajetória. Ele se tornou aquilo que o próprio Ivanildo define de maneira muito mais significativa:
um pai espiritual.
Essa expressão não descreve apenas uma posição de liderança. Ela revela uma influência.
QUANDO A LIDERANÇA GANHOU OUTRA DIMENSÃO
Existe uma diferença entre alguém que ocupa uma posição de liderança e alguém cuja influência participa da construção de uma vida.
Pr. Djailton pertence, na história de Ivanildo, à segunda dimensão.
Sua importância está ligada ao processo de formação.
Naquele período, Ivanildo ainda estava sendo moldado. Havia chegado à antiga instituição, estava aprendendo a servir e começava a compreender que a vida com Deus não poderia ser construída somente por experiências espirituais.
Era necessário caráter.
Era necessário disciplina.
Era necessário perseverança.
Era necessário aprender a obedecer.
Era necessário compreender que servir a Deus também significava aprender a lidar consigo mesmo, com pessoas, com responsabilidades e com as exigências do caminho.
Foi nesse ambiente que a influência de Pr. Djailton se tornou marcante.
A liderança passou a ter um caráter formativo.
Não se tratava simplesmente de dizer a Ivanildo o que fazer. Tratava-se de participar da construção do homem que precisaria existir para sustentar aquilo que Deus ainda faria em sua vida.
A FIGURA DE UM PAI ESPIRITUAL
A expressão “pai espiritual” não aparece por acaso na memória de Ivanildo.
Ela representa a profundidade que aquela relação alcançou.
Pr. Djailton tornou-se uma referência de formação, alguém cuja influência ultrapassou a execução de tarefas e alcançou áreas mais profundas da caminhada.
Um pai espiritual não entrega apenas instruções.
Ele ajuda a formar fundamentos.
Ele participa do amadurecimento.
Ele aponta aquilo que precisa ser corrigido.
Ele exige crescimento.
Ele não permite que o discípulo permaneça para sempre no mesmo nível.
Foi nesse sentido que Ivanildo recebeu a influência de Pr. Djailton.
A caminhada precisava avançar.
E avançar significava ser trabalhado.
DISCIPLINA
Entre os elementos que marcaram essa formação estava a disciplina.
Na história de Ivanildo, disciplina não aparece como um detalhe secundário. Ela fazia parte da preparação para servir.
A antiga instituição já havia começado a ensiná-lo que servir exigia disponibilidade, obediência, lealdade, perseverança e amor pelas almas.
Com Pr. Djailton, essa formação ganhou uma dimensão ainda mais exigente.
A disciplina ensinava que não bastava desejar fazer algo para Deus.
Era necessário estar preparado.
O desejo precisava encontrar estrutura.
A fé precisava encontrar prática.
A disposição precisava encontrar perseverança.
E o serviço precisava encontrar caráter.
Esse tipo de formação nem sempre é confortável. Muitas vezes, aquilo que realmente transforma uma pessoa é justamente aquilo que confronta suas limitações.
Mas uma escola que pretende formar alguém para servir precisa ir além do que é agradável.
Precisa trabalhar aquilo que ainda está incompleto.
A FORMAÇÃO DO CARÁTER
Antes de grandes responsabilidades, existe a formação do homem.
Essa verdade atravessa a história de Ivanildo.
Os anos na antiga instituição não foram apenas anos de atividade. Foram anos de construção.
O caráter foi sendo trabalhado dentro da própria caminhada.
A influência de Pr. Djailton está inserida nesse processo.
Ivanildo precisava aprender que o serviço não poderia depender apenas de vontade pessoal. O caráter precisaria acompanhar o chamado.
Porque uma pessoa pode aprender a realizar uma tarefa rapidamente.
Mas formar caráter exige tempo.
Exige repetição.
Exige disciplina.
Exige correção.
Exige perseverança.
E exige disposição para continuar sendo ensinado.
Essa foi uma das marcas da escola espiritual que Ivanildo viveu.
A EXIGÊNCIA QUE PREPARAVA
Pr. Djailton também ficou marcado pela exigência.
Não uma exigência apresentada simplesmente como cobrança, mas como parte da formação.
A história registra que Ivanildo passou por um processo no qual aquilo que precisava ser retirado deveria ser retirado e aquilo que precisava ser construído deveria ser construído.
Mais tarde, ele compreenderia que antes de responsabilidades maiores havia uma profunda limpeza.
O caminho não começava pela posição.
Começava pela preparação.
E preparação verdadeira não combina com acomodação.
A exigência fazia Ivanildo perceber que servir a Deus precisava ser levado a sério.
Não havia espaço para tratar o chamado como algo superficial.
O serviço precisava ser realizado com responsabilidade.
A vida espiritual precisava ser acompanhada de prática.
E aquilo que Deus estava formando precisava ser sustentado por um caráter capaz de permanecer.
ENSINO PELA PRÁTICA
Uma das características dessa escola foi que o aprendizado não estava separado da vida.
Havia coisas que não seriam aprendidas apenas ouvindo.
Seriam aprendidas vivendo.
Seriam aprendidas servindo.
Seriam aprendidas enfrentando responsabilidades.
Seriam aprendidas permanecendo.
Pr. Djailton participou dessa formação prática.
Por isso, sua influência não pode ser reduzida a uma lista de ensinamentos.
O que ficou foi uma maneira de compreender o serviço.
O discípulo precisava aprender enquanto caminhava.
Precisava observar.
Precisava praticar.
Precisava amadurecer.
Precisava entender que conhecimento espiritual sem prática não produz a formação completa de quem foi chamado para servir.
A escola acontecia no caminho.
A LINGUAGEM DA GUERRA
Foi também nesse contexto que Ivanildo recebeu aquilo que posteriormente passou a chamar de “arte da guerra”.
O tema seria aprofundado no capítulo seguinte, porque a “arte da guerra” possui lugar próprio dentro da história dessa formação.
Mas, neste capítulo, é importante compreender sua origem.
Ela está ligada à influência de Pr. Djailton.
A linguagem da guerra espiritual passou a fazer parte da compreensão ministerial de Ivanildo.
A caminhada cristã, na visão que ele desenvolveu naquele período, exigia vigilância, preparação, perseverança, obediência, prudência e discernimento.
Não era uma linguagem de medo.
Era uma linguagem de preparo.
Era a compreensão de que quem serve precisa estar atento.
Precisa compreender que existem batalhas.
Precisa saber que nem tudo pode ser enfrentado da mesma maneira.
Precisa aprender que coragem sem discernimento pode se transformar em imprudência.
E que disposição sem preparação pode colocar alguém em situações para as quais ainda não está pronto.
Pr. Djailton foi uma referência importante nesse aprendizado.
O DISCÍPULO SENDO PREPARADO
O jovem Ivanildo estava sendo formado em várias dimensões ao mesmo tempo.
A experiência com Deus já havia acontecido.
O batismo no Espírito Santo já fazia parte de seu testemunho.
A chegada à antiga instituição havia colocado seus pés dentro de uma escola.
Agora, porém, era necessário compreender algo fundamental:
ter uma experiência com Deus não significa estar pronto para tudo aquilo que virá depois.
Existe uma preparação entre o chamado e aquilo que será realizado.
Existe uma escola entre a experiência e a responsabilidade.
Existe um processo entre o desejo de servir e a capacidade de permanecer servindo.
E foi nesse processo que Pr. Djailton exerceu seu papel.
Ivanildo não estava apenas aprendendo a fazer.
Estava aprendendo a ser.
UM PAI QUE FORMAVA PARA O FUTURO
Quando Ivanildo olha para trás, a palavra “pai” ajuda a explicar aquilo que uma simples palavra como “líder” não conseguiria expressar completamente.
Líder orienta.
Pai forma.
Líder aponta uma tarefa.
Pai participa da construção do caráter.
Líder pode conduzir uma etapa.
A influência de um pai espiritual permanece muito além dela.
É assim que Pr. Djailton aparece na história de Ivanildo.
Não como um personagem isolado, mas como parte de uma cadeia de formação.
Primeiro Pr. William.
Depois Pr. Djailton.
Mais tarde Pr. Julho.
Obreiro Tomiris.
E outros homens de Deus que contribuiriam para aquela escola.
Cada um com sua maneira de ensinar.
Cada um deixando marcas diferentes.
Mas, dentro dessa sequência, Pr. Djailton recebeu um lugar singular.
O lugar de pai espiritual.
O QUE FICOU
As pessoas podem passar por uma vida e deixar apenas lembranças.
Outras deixam ensinamentos.
E algumas deixam fundamentos.
Pr. Djailton deixou fundamentos na formação ministerial de Ivanildo.
Disciplina.
Exigência.
Formação de caráter.
Ensino pela prática.
Preparação.
E uma compreensão mais estratégica da batalha espiritual.
Esses elementos não ficaram presos ao período em que Ivanildo esteve sob aquela liderança.
Eles continuaram sendo levados adiante.
Porque o verdadeiro ensino não termina quando termina uma fase.
Ele continua presente naquilo que a pessoa se torna.
UMA FORMAÇÃO QUE NÃO TERMINAVA ALI
A história de Ivanildo ainda estava longe de chegar aos grandes capítulos que posteriormente marcariam sua vida.
Ainda haveria serviço.
Ainda haveria responsabilidades.
Ainda haveria pessoas.
Ainda haveria batalhas.
Ainda haveria uma vida sentimental que seria profundamente trabalhada.
Ainda haveria o encontro com aquilo que ele compreenderia como a mulher escolhida por Deus para caminhar ao seu lado.
Mas, antes dessas etapas, havia uma escola.
E dentro dessa escola havia homens que Deus, segundo o testemunho de Ivanildo, utilizou para contribuir com sua formação.
Pr. Djailton foi um deles.
E sua influência não deve ser medida apenas pelo tempo em que esteve presente.
Deve ser compreendida pelo que aquele período produziu.
QUANDO A FORMAÇÃO COMEÇA A VIRAR LEGADO
Existe um momento em que aquilo que recebemos deixa de ser apenas nosso aprendizado e começa a se transformar em legado.
Ivanildo ainda não sabia, naquele período, tudo aquilo que carregaria no futuro.
Mas estava recebendo princípios que um dia seriam transmitidos a outras pessoas.
A disciplina que aprendeu.
A necessidade de preparação.
A importância da perseverança.
A seriedade do serviço.
A compreensão da batalha.
O valor do caráter.
Tudo isso faria parte daquilo que ele levaria para os anos seguintes.
A escola estava formando o aluno.
Mas, sem que ele pudesse enxergar toda a dimensão daquele processo, também estava preparando alguém que futuramente ensinaria outros.
DEUS NO CENTRO DE TODA A FORMAÇÃO
Ao registrar a importância de Pr. Djailton, esta história não coloca o homem no lugar que pertence a Deus.
A formação aconteceu por meio de pessoas, mas a compreensão de Ivanildo sobre sua própria trajetória sempre esteve relacionada à ação de Deus.
O chamado não nasceu de um homem.
A experiência com Deus não nasceu de um líder.
A caminhada não terminou em uma liderança.
Os homens participaram.
Ensinaram.
Corrigiram.
Formaram.
Mas, para Ivanildo, acima de todos eles estava Deus.
Foi o Deus Todo-Poderoso quem conduziu a história.
Foi o Senhor Jesus Cristo quem permaneceu como centro.
E foi o Espírito Santo quem, segundo seu testemunho, o conduziu ao longo de uma caminhada que ele próprio não compreendia completamente no início.
Por isso, honrar aqueles que participaram de sua formação não significa substituir Deus por homens.
Significa reconhecer as pessoas que fizeram parte da história sem retirar do Senhor a glória que Lhe pertence.
“E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens.”
Colossenses 3:23
O PAI ESPIRITUAL DE UMA LONGA CAMINHADA
Pr. Djailton ocupou um lugar singular na formação de Ivanildo.
Foi líder.
Foi professor pela prática.
Foi uma referência de disciplina.
Foi exigente.
Participou da formação do caráter.
E, acima de tudo, tornou-se, na memória e no testemunho de Ivanildo, um pai espiritual.
Sua influência fez parte de uma etapa em que o jovem obreiro ainda estava sendo preparado para compreender a responsabilidade do chamado.
A antiga instituição era uma escola.
Pr. William havia sido o primeiro líder.
Pr. Djailton tornou-se pai espiritual.
E aquilo que começou como formação haveria de se transformar, com o passar dos anos, em parte do legado que Ivanildo carregaria.
Mas havia ainda uma lição específica que precisava ser registrada.
Uma lição que recebeu nome próprio.
Uma maneira de compreender batalha, estratégia, prudência, vigilância e preparação.
Uma expressão que ficaria ligada à formação recebida naquele período:
a arte da guerra.
“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.”
João 14:26
E assim termina este capítulo não a história de Pr. Djailton, mas apenas o registro de uma de suas marcas na vida de Ivanildo: a formação de um homem que precisava aprender que, antes de enfrentar grandes batalhas, precisava ser preparado.
A escola continuava.
E a próxima lição teria um nome:
A ARTE DA GUERRA.

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