CAPÍTULO 24 — A ARTE DA GUERRA
“O prudente vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando.”
Provérbios 22:3
QUANDO A FÉ TAMBÉM PRECISOU APRENDER A LUTAR
Na caminhada de Ivanildo Melo Regis, houve um período em que servir a Deus significava muito mais do que estar presente, cumprir uma responsabilidade ou participar de uma reunião.
Era necessário aprender a lutar.
Não apenas lutar no sentido comum da palavra, mas compreender que a vida espiritual também exigia preparo, vigilância, discernimento e perseverança.
Foi nesse contexto que surgiu um dos ensinamentos que mais permaneceram em sua memória da escola espiritual vivida na antiga instituição:
a arte da guerra.
Essa expressão ficou associada à formação recebida de Pr. Djailton, o homem que Ivanildo reconhece como seu pai espiritual.
Não era simplesmente uma expressão bonita.
Representava uma forma de compreender a caminhada.
Uma forma de olhar para as batalhas.
Uma forma de entender que nem toda batalha deveria ser enfrentada da mesma maneira.
E, principalmente, uma forma de aprender que quem serve precisa estar preparado.
A GUERRA EXIGIA PREPARAÇÃO
Uma das primeiras compreensões que essa formação produziu foi a de que ninguém deveria entrar em uma batalha sem preparação.
Na vida ministerial, isso significava entender que disposição não era suficiente.
Era preciso caráter.
Era preciso disciplina.
Era preciso conhecimento.
Era preciso oração.
Era preciso vigilância.
Era preciso saber esperar.
A preparação fazia parte da própria batalha.
Ivanildo ainda estava sendo formado quando começou a compreender esses princípios.
Ele não estava apenas aprendendo a trabalhar para Deus.
Estava aprendendo a permanecer de pé enquanto servia a Deus.
Essa diferença é fundamental.
Porque começar pode exigir disposição.
Mas permanecer exige estrutura.
ESTRATÉGIA
A palavra “guerra” poderia levar alguém a pensar somente em força.
Mas a formação de Ivanildo apontava para algo mais amplo.
Guerra também exige estratégia.
Há momentos em que avançar é necessário.
Há momentos em que esperar é necessário.
Há situações em que falar é necessário.
Há situações em que permanecer em silêncio é prudência.
Há batalhas que exigem enfrentamento.
E há batalhas nas quais a maior demonstração de sabedoria é não agir precipitadamente.
Essa compreensão fazia parte daquilo que Ivanildo passou a carregar da escola de Pr. Djailton.
A fé não anulava o raciocínio.
A coragem não deveria eliminar a prudência.
A disposição para servir não significava agir de qualquer maneira.
Servir também exigia discernimento.
PRUDÊNCIA
Prudência é uma das palavras que ajudam a compreender essa etapa.
Quem está em uma guerra precisa reconhecer o terreno.
Precisa observar.
Precisa compreender.
Precisa avaliar.
Precisa saber que uma atitude impensada pode produzir consequências que poderiam ter sido evitadas.
A prudência não significa covardia.
Pelo contrário.
Muitas vezes, é necessária grande força interior para esperar o momento certo.
Na formação de Ivanildo, essa compreensão passou a fazer parte do modo como ele enxergava o serviço.
Não bastava querer vencer.
Era preciso saber como caminhar.
Não bastava identificar uma batalha.
Era preciso compreender como enfrentá-la.
DISCERNIMENTO
A batalha espiritual também exigia discernimento.
Discernir significa não tratar todas as situações como se fossem iguais.
Significa perceber diferenças.
Significa compreender que pessoas são diferentes, momentos são diferentes e circunstâncias são diferentes.
Um homem preparado para servir não poderia viver reagindo a tudo da mesma maneira.
Precisava aprender a distinguir.
Precisava observar.
Precisava ouvir.
Precisava pensar.
Precisava buscar direção.
Essa formação seria importante para os anos que ainda estavam por vir.
Porque Ivanildo ainda viveria situações que exigiriam muito mais do que entusiasmo.
Precisaria de discernimento.
VIGILÂNCIA
Toda guerra exige vigilância.
Aquele que deixa de observar pode ser surpreendido.
Na vida espiritual, essa vigilância estava relacionada à própria condição de quem serve.
Era necessário permanecer atento.
Atento aos pensamentos.
Atento às atitudes.
Atento às escolhas.
Atento às pessoas.
Atento às circunstâncias.
Atento à própria vida espiritual.
A formação recebida ensinava que ninguém deveria imaginar que, por estar servindo a Deus, estaria automaticamente livre de batalhas.
Pelo contrário.
Servir exigia ainda mais atenção.
Aquele que carregava responsabilidades precisava compreender que a preparação não poderia parar.
DISCIPLINA PARA PERMANECER
A vigilância precisava ser acompanhada de disciplina.
Não existe preparação verdadeira sem constância.
E constância significa fazer aquilo que precisa ser feito mesmo quando a motivação não está no seu ponto mais alto.
É continuar.
É permanecer.
É não abandonar o caminho diante das primeiras dificuldades.
A disciplina fazia parte da escola que Ivanildo viveu.
Ela estava ligada ao caráter.
Porque, sem disciplina, uma pessoa pode começar muito bem e terminar muito mal.
Pode ter entusiasmo em um momento e desaparecer no seguinte.
Pode assumir uma responsabilidade e abandoná-la quando surgir uma dificuldade.
Mas o serviço cristão exigia permanência.
A formação precisava produzir homens capazes de continuar.
PERSEVERANÇA
Se a disciplina ensinava a manter uma postura, a perseverança ensinava a não desistir.
As duas caminhavam juntas.
A guerra espiritual, na compreensão adquirida por Ivanildo, não poderia ser vista como uma sequência de vitórias instantâneas.
Haveria espera.
Haveria resistência.
Haveria momentos difíceis.
Haveria situações que não seriam resolvidas imediatamente.
E, diante disso, era necessário permanecer.
Perseverar.
Continuar.
A perseverança seria uma das marcas que atravessariam posteriormente a história de Ivanildo.
Antes, porém, ela precisava ser construída.
E a escola espiritual foi um dos lugares onde essa construção aconteceu.
OBEDIÊNCIA
Outro fundamento era a obediência.
Na caminhada ministerial, Ivanildo aprendeu que servir não significava fazer somente aquilo que desejava.
A formação exigia submissão à direção recebida dentro da estrutura em que estava sendo formado.
Obedecer era parte da preparação.
A obediência ensinava a pessoa a controlar a própria vontade.
E esse aprendizado era necessário porque uma das maiores dificuldades de quem serve pode estar justamente dentro de si mesmo.
Antes de aprender a enfrentar uma batalha externa, era preciso aprender a governar aquilo que existia dentro do próprio coração.
A obediência fazia parte desse processo.
O CARÁTER DE QUEM SERVE
A arte da guerra não poderia ser separada da formação do caráter.
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes dessa etapa.
Porque não adianta aprender estratégias se o caráter não sustenta aquilo que foi aprendido.
Uma pessoa pode conhecer técnicas.
Pode conhecer palavras.
Pode conhecer métodos.
Pode saber o que fazer.
Mas, se não houver caráter, tudo isso se torna frágil.
Por isso, a formação não estava somente naquilo que Ivanildo fazia.
Estava naquilo que ele estava se tornando.
Pr. Djailton, como pai espiritual, participou desse processo de formação.
A exigência tinha uma finalidade.
A disciplina tinha uma finalidade.
O ensino tinha uma finalidade.
A preparação tinha uma finalidade.
Tudo apontava para a construção de um homem capaz de carregar responsabilidades sem abandonar os fundamentos.
“Vigiai, estai firmes na fé; portai-vos varonilmente e fortalecei-vos.”
1 Coríntios 16:13
NÃO ERA UMA GUERRA CONTRA PESSOAS
Compreender a expressão “arte da guerra” exige também compreender aquilo que ela significava dentro da caminhada espiritual.
A guerra espiritual não poderia transformar pessoas em inimigos.
A batalha era compreendida no campo espiritual.
Isso fazia com que o discernimento fosse ainda mais necessário.
Uma pessoa poderia enfrentar uma situação difícil sem transformar aquele que estava diante dela em seu verdadeiro inimigo.
Essa diferença é fundamental.
Quem não possui discernimento pode atacar pessoas quando deveria enfrentar circunstâncias.
Pode criar conflitos onde deveria exercer prudência.
Pode responder à carne quando deveria agir espiritualmente.
Por isso, a arte da guerra exigia maturidade.
Não bastava saber lutar.
Era preciso saber contra o quê lutar.
A FORÇA NÃO ERA TUDO
Uma das maiores lições implícitas nesse aprendizado era que força, sozinha, não resolveria tudo.
A força precisava de direção.
A coragem precisava de prudência.
A fé precisava de perseverança.
A disposição precisava de disciplina.
E o serviço precisava de caráter.
Essa combinação produzia equilíbrio.
Ivanildo estava sendo preparado para compreender que a vida ministerial não seria construída somente por momentos extraordinários.
Grande parte dela seria construída nos dias comuns.
Nos dias de trabalho.
Nos dias de cansaço.
Nos dias de espera.
Nos dias em que ninguém estivesse olhando.
É nesses dias que o caráter aparece.
E é nesses dias que uma pessoa demonstra se realmente aprendeu aquilo que recebeu.
A ESCOLA DA BATALHA
A antiga instituição continuava sendo uma escola.
Pr. William havia participado do começo.
Pr. Djailton havia se tornado pai espiritual.
E agora a formação avançava para uma compreensão mais específica da vida espiritual.
Ivanildo estava aprendendo que servir significava estar pronto.
Pronto para obedecer.
Pronto para perseverar.
Pronto para aprender.
Pronto para esperar.
Pronto para enfrentar.
Pronto para discernir.
Pronto para continuar.
A guerra, nesse sentido, não era apenas uma batalha que acontecia de tempos em tempos.
Era uma consciência permanente de que o servo de Deus deveria manter-se preparado.
O HOMEM PREPARADO ANTES DA BATALHA
Talvez uma das maiores riquezas desse ensinamento esteja justamente naquilo que acontece antes da batalha.
O soldado não começa a ser preparado no momento em que ouve o primeiro disparo.
A preparação acontece antes.
O caráter é formado antes.
A disciplina é construída antes.
A resistência é desenvolvida antes.
O conhecimento é adquirido antes.
A estratégia é aprendida antes.
Da mesma forma, Ivanildo estava sendo preparado antes de saber exatamente quais batalhas ainda enfrentaria.
Esse é um dos grandes princípios que atravessam sua história.
Deus, segundo sua compreensão, estava permitindo que ele passasse por uma escola antes de colocá-lo diante de responsabilidades maiores.
A preparação precedia a responsabilidade.
O QUE PR. DJAILTON DEIXOU
Pr. Djailton deixou mais do que lembranças.
Deixou princípios.
Na memória de Ivanildo, sua passagem está ligada à disciplina, à exigência, à formação do caráter e àquilo que ele chama de “arte da guerra”.
Esses ensinamentos foram incorporados à caminhada.
E isso mostra uma verdade importante sobre os relacionamentos de formação:
o professor pode ensinar uma coisa em determinado momento, mas o aluno pode carregá-la durante décadas.
A voz de uma época pode continuar produzindo efeitos muito depois de aquela época terminar.
O ensino pode atravessar anos.
O princípio pode atravessar gerações.
E aquilo que foi aprendido em uma antiga instituição pode, mais tarde, aparecer em outros lugares, diante de outras pessoas e em outras responsabilidades.
QUANDO O APRENDIZADO SE TRANSFORMA EM PRÁTICA
A verdadeira formação começa quando o conhecimento deixa de permanecer somente na memória e passa a orientar decisões.
Ivanildo não recebeu aqueles princípios para simplesmente lembrar de Pr. Djailton.
Recebeu-os dentro de um processo de vida.
A disciplina precisava aparecer na prática.
A prudência precisava aparecer na prática.
O discernimento precisava aparecer na prática.
A perseverança precisava aparecer na prática.
A obediência precisava aparecer na prática.
A preparação precisava aparecer na prática.
É assim que uma escola produz frutos.
Não apenas quando o aluno consegue repetir o que aprendeu, mas quando aquilo que aprendeu começa a governar sua maneira de viver.
UMA GUERRA QUE TAMBÉM PREPARAVA O FUTURO
Naquele momento, Ivanildo ainda não conhecia toda a história que teria pela frente.
Não sabia tudo o que enfrentaria.
Não sabia todas as responsabilidades que receberia.
Não sabia que sua caminhada ministerial seria longa.
Não sabia todas as pessoas que encontraria.
Não sabia que sua vida sentimental também passaria por um processo intenso de oração, jejum, espera e discernimento.
Mas estava sendo preparado.
E talvez essa seja uma das características mais profundas da formação de Deus na vida de uma pessoa:
muitas vezes, Ele prepara alguém para aquilo que essa pessoa ainda nem sabe que vai viver.
Essa é a maneira como Ivanildo interpreta sua própria trajetória.
A escola veio antes das responsabilidades.
A formação veio antes das grandes batalhas.
O caráter começou a ser trabalhado antes de ele conhecer a dimensão do caminho.
A BATALHA NÃO TERMINAVA NA VITÓRIA
Outra compreensão importante era que uma batalha vencida não significava que a preparação poderia parar.
Depois de uma vitória, ainda era necessário permanecer vigilante.
Depois de uma conquista, ainda era necessário continuar obedecendo.
Depois de uma experiência espiritual, ainda era necessário continuar crescendo.
Essa compreensão impedia que Ivanildo enxergasse a caminhada como uma sequência de momentos isolados.
Era uma construção contínua.
Um processo.
Uma escola permanente.
E isso explicava por que a formação não terminava em um ensinamento.
Cada etapa preparava para outra.
Cada experiência acrescentava algo.
Cada líder deixava uma contribuição.
Cada período acrescentava uma camada ao caráter.
DEUS, O VERDADEIRO CENTRO DA BATALHA
Ao registrar a “arte da guerra”, é importante preservar o centro da história.
Não eram os homens que ocupavam o lugar de Deus.
Pr. Djailton foi um instrumento de formação na trajetória de Ivanildo, segundo seu testemunho.
A escola foi um ambiente de aprendizado.
Os princípios foram recebidos e praticados.
Mas a direção final sempre pertencia a Deus.
A história de Ivanildo não é a história de um homem que simplesmente aprendeu técnicas para vencer batalhas.
É a história de alguém que acredita ter sido chamado por Deus e preparado ao longo dos anos para cumprir esse chamado.
Por isso, toda honra pertence ao Deus Todo-Poderoso.
Toda centralidade pertence ao Senhor Jesus Cristo.
E toda direção espiritual, conforme o testemunho de Ivanildo, pertence ao Espírito Santo.
A guerra podia exigir estratégia.
Mas a direção precisava vir de Deus.
A prudência era necessária.
O discernimento era indispensável.
A disciplina era fundamental.
Mas nenhuma dessas coisas poderia substituir a dependência do Senhor.
O LEGADO DA ARTE DA GUERRA
Anos depois, quando Ivanildo olhasse para trás, perceberia que aquela expressão não havia sido apenas uma parte de sua formação ministerial.
Ela havia ajudado a estruturar uma maneira de pensar.
Ensinar alguém a lutar é importante.
Mas ensinar alguém a discernir quando lutar é ainda mais importante.
Ensinar alguém a ser forte é importante.
Mas ensinar alguém a permanecer equilibrado é ainda mais importante.
Ensinar alguém a avançar é importante.
Mas ensinar alguém a esperar o momento certo também é.
Essa combinação de força e prudência fazia parte daquilo que Ivanildo recebeu.
E, dentro de sua história, esse aprendizado ficou ligado ao homem que ele chama de pai espiritual.
Pr. Djailton.
UMA ESCOLA QUE CONTINUAVA
O capítulo da “arte da guerra” não encerrava a formação.
Ao contrário.
Ele revelava apenas mais uma camada da escola.
Depois de Pr. Djailton, outros homens também participariam da caminhada.
Entre eles estaria Pr. Julho, cuja presença seria lembrada não apenas pela liderança, mas pelas conversas e ensinamentos depois das reuniões, pelos momentos simples e pelas direções deixadas para o ministério.
A escola continuava.
Cada homem de Deus acrescentaria uma parte.
Cada ensinamento ocuparia seu lugar.
Cada experiência prepararia Ivanildo para aquilo que ainda estava por vir.
E, enquanto isso, sem que ele soubesse toda a extensão da história, Deus continuava conduzindo os passos.
“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.”
2 Timóteo 1:7
CONCLUSÃO — PREPARADO PARA CONTINUAR
A “arte da guerra” foi uma das marcas da formação espiritual que Ivanildo recebeu de Pr. Djailton.
Ela ensinava, dentro da compreensão construída naquela época, que a caminhada exigia:
estratégia para agir;
prudência para esperar;
discernimento para compreender;
disciplina para permanecer;
perseverança para não desistir;
obediência para seguir;
e caráter para sustentar tudo isso.
Não era apenas aprender a enfrentar batalhas.
Era aprender a ser preparado antes delas.
Era compreender que o chamado de Deus não elimina a necessidade de formação.
Pelo contrário.
Quanto maior a responsabilidade, maior precisa ser o cuidado com aquilo que existe dentro do homem.
Pr. Djailton tornou-se pai espiritual porque sua influência participou desse processo de construção.
E aquilo que ele ensinou não ficou preso àquele período.
Foi levado adiante.
Foi incorporado.
Foi lembrado.
Foi transformado em prática.
A antiga instituição continuava sendo uma escola.
Ivanildo continuava sendo formado.
E a história ainda guardava outros homens, outros ensinamentos e outras marcas.
Entre eles, estava um homem que ensinava depois das reuniões, compartilhava momentos simples e deixaria uma memória que atravessaria o tempo:
Pr. Julho.
“Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios.”
Salmos 90:12
A guerra ensinava a lutar.
A escola ensinava a permanecer.
E Deus continuava formando o homem que ainda tinha muito caminho pela frente.

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