CAPÍTULO 26
OBREIRO TOMIRIS E OS HOMENS DE DEUS
Os homens que participaram da formação de Ivanildo
“Confia-as a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem a outros.”
2 Timóteo 2:2
Há histórias que são construídas diante dos olhos de todos, e há histórias que são construídas nos bastidores, durante anos de preparação. A trajetória de Ivanildo Melo Regis pertence às duas categorias.
Quem olha somente para as etapas posteriores de sua vida pode enxergar o homem pronto, o marido, o pai, o servo, o ministro e aquele que atravessaria experiências profundas de fé. Mas antes de existir esse homem, houve um longo processo de formação.
E nenhum processo de formação acontece sozinho.
Ao longo de sua caminhada na antiga instituição, Ivanildo esteve diante de homens diferentes, em períodos diferentes, recebendo ensinamentos, disciplina, orientação e experiências que contribuíram para a construção de seu caráter e de sua maneira de servir.
O material histórico desta biografia registra entre esses nomes o Pr. William, Pr. Djailton, Pr. Julho, Obreiro Tomiris e outros homens de Deus. Não se tratava de uma única voz formando um homem. Era uma caminhada coletiva de preparação.
E esse detalhe é essencial.
Porque, quando se conta a história de alguém, existe a tentação de olhar apenas para os grandes acontecimentos. Entretanto, antes dos grandes acontecimentos, existe uma escola.
A escola do serviço.
A escola da disciplina.
A escola da perseverança.
A escola de aprender a ouvir.
A escola de permanecer.
Foi dentro dessa escola que Ivanildo foi sendo formado.
HOMENS DIFERENTES, LIÇÕES DIFERENTES
Cada líder deixa uma marca diferente.
Há pessoas que ensinam pela palavra. Outras ensinam pela disciplina. Outras, pelo exemplo. Há aquelas que ensinam através de uma conversa simples. E existem ainda aquelas cuja importância somente é compreendida depois que muitos anos já passaram.
Assim aconteceu com diferentes homens presentes na caminhada de Ivanildo.
O Pr. William aparece como um dos primeiros líderes dessa trajetória ministerial.
Depois, o Pr. Djailton ocupa um espaço muito especial na memória, lembrado como uma espécie de pai espiritual, associado à disciplina, à formação do caráter e ao ensino pela prática.
O Pr. Julho, por sua vez, aparece ligado às conversas depois das reuniões, aos ensinamentos compartilhados e à convivência simples que também se tornou parte da formação.
E, entre esses nomes, está Obreiro Tomiris.
Seu nome permanece no índice oficial porque pertence à memória dos homens que participaram desse processo de formação.
A importância de um nome dentro de uma biografia não depende apenas da quantidade de páginas que podemos escrever sobre ele. Às vezes, o próprio registro de sua participação já demonstra que houve uma história compartilhada naquele período.
E é exatamente aqui que a responsabilidade do biógrafo se torna maior.
Uma história real não pode ser completada com imaginação.
Não seria correto criar diálogos, episódios ou ensinamentos específicos de Obreiro Tomiris que não estejam registrados no acervo histórico disponível. Por isso, este capítulo preserva seu nome e sua importância dentro da formação de Ivanildo, sem atribuir a ele acontecimentos que ainda não foram documentados.
Essa escolha não enfraquece a história.
Ela a protege.
A FORMAÇÃO DO HOMEM ACONTECIA ENQUANTO ELE SERVIA
Uma das características mais importantes dessa fase da vida de Ivanildo é que a formação não acontecia somente em momentos formais de ensino.
Ela acontecia enquanto ele servia.
O material reunido para esta biografia registra princípios que marcaram aquilo que a antiga instituição lhe ensinou: obediência, lealdade, amor pelas almas, perseverança, disponibilidade, serviço sem murmuração, permanência e olhar para Jesus Cristo.
Essas palavras são maiores do que uma lista.
Elas descrevem uma mentalidade.
Servir significava aprender a permanecer quando fosse mais fácil desistir.
Obedecer significava compreender que nem toda resposta precisaria ser entendida imediatamente.
Lealdade significava continuar firme mesmo quando o caminho fosse difícil.
Amar as almas significava compreender que o ministério não existia simplesmente para construir uma reputação pessoal, mas para alcançar pessoas.
E perseverar significava não abandonar o caminho porque uma determinada fase estava sendo difícil.
Essa formação teria importância muito maior no futuro.
Naquele momento, talvez fosse apenas a rotina de um jovem obreiro aprendendo.
Mais tarde, entretanto, aqueles princípios seriam colocados à prova em outras áreas de sua vida.
Inclusive na sua vida sentimental.
Inclusive nas suas guerras interiores.
Inclusive nas madrugadas.
Inclusive nos montes.
Inclusive nas Agendas de Guerra.
Ou seja: a formação recebida antes da grande batalha seria parte da preparação para atravessar a própria batalha.
O LEGADO DOS HOMENS QUE ENSINARAM
Existe uma pergunta que qualquer pessoa pode fazer quando olha para uma trajetória longa:
O que permanece depois que o mestre deixa de estar presente?
A resposta não está somente nos discursos que foram pronunciados.
Está naquilo que o discípulo se tornou.
Um ensinamento permanece quando passa a fazer parte do caráter.
Uma correção permanece quando produz maturidade.
Um conselho permanece quando, muitos anos depois, ainda orienta uma decisão.
E uma vida de exemplo permanece quando desperta em outra pessoa o desejo de continuar.
É assim que o legado funciona.
Os homens que fizeram parte da formação de Ivanildo não viveram a história por ele. Não enfrentaram em seu lugar todas as batalhas que posteriormente apareceriam. Não tomaram as decisões que somente ele poderia tomar.
Mas participaram de uma etapa fundamental:
a preparação.
E preparação nunca é desperdício.
Quem aprende antes da batalha não começa do zero quando a batalha chega.
Quem aprende a permanecer antes da crise carrega dentro de si uma memória de permanência.
Quem aprende a servir antes de receber grandes responsabilidades aprende que o chamado não começa no reconhecimento; começa na disposição de obedecer.
Essa foi uma das escolas pelas quais Ivanildo passou.
“No Senhor, o vosso trabalho não é vão.”
1 Coríntios 15:58
Essa palavra encontra um lugar especial no centro deste capítulo porque resume uma das maiores lições de uma vida construída no serviço.
O trabalho feito durante anos pode parecer pequeno enquanto está acontecendo.
Uma reunião.
Uma evangelização.
Uma orientação.
Uma conversa depois do culto.
Uma tarefa simples.
Uma responsabilidade recebida.
Um ensinamento repetido.
Uma correção.
Um dia após outro.
Mas o tempo revela aquilo que a pressa não consegue enxergar.
Nada disso é perdido quando participa da formação de um caráter.
O serviço vai construindo dentro da pessoa aquilo que posteriormente aparecerá fora dela.
Foi por isso que a formação de Ivanildo não pode ser separada dos homens que caminharam com ele.
Porque, antes do homem que enfrentaria grandes decisões, existiu o obreiro que precisou aprender.
Antes das grandes responsabilidades, houve pequenas responsabilidades.
Antes da maturidade, houve correções.
Antes das grandes respostas, houve períodos de espera.
Antes da compreensão de muitas coisas, houve obediência.
OBREIRO TOMIRIS E O LUGAR DA MEMÓRIA
Dentro desse cenário, o nome de Obreiro Tomiris deve ser preservado com respeito.
Não será inventada uma história para preencher o que ainda não foi registrado.
Não será atribuído a ele um diálogo que não consta no acervo.
Não serão criados episódios para produzir uma falsa sensação de riqueza.
O que existe será contado com riqueza.
O que ainda não existe documentalmente será preservado como espaço aberto para futuras informações.
Essa é uma das características que deverá marcar todo este livro:
a beleza da narrativa jamais ficará acima da verdade.
Se, em algum momento, novos documentos, novas lembranças ou registros antigos trouxerem detalhes sobre Tomiris, eles poderão ser incorporados posteriormente ao capítulo, no momento cronologicamente correto.
A própria metodologia oficial da biografia estabelece que novas memórias devem ser integradas ao ponto certo da história, sem simplesmente serem acrescentadas onde foram lembradas.
Isso significa que este capítulo permanece vivo como documento histórico.
Não como uma página fechada pela imaginação.
Mas como uma página construída pela verdade e aberta à memória.
UMA GERAÇÃO QUE AJUDOU A FORMAR OUTRA
Existe algo profundamente significativo quando um homem olha para trás e percebe que não chegou sozinho até onde chegou.
Ele lembra dos nomes.
Lembra dos ambientes.
Lembra das reuniões.
Lembra das palavras.
Lembra dos períodos de treinamento.
Lembra dos que acreditaram.
Lembra dos que corrigiram.
Lembra dos que ensinaram.
E percebe que sua história também carrega fragmentos das histórias daqueles que Deus permitiu que cruzassem seu caminho.
Ivanildo foi formado dentro de uma caminhada coletiva.
Pr. William.
Pr. Djailton.
Pr. Julho.
Obreiro Tomiris.
Outros homens de Deus.
Cada nome representa uma parte dessa escola.
O tamanho da contribuição de cada um ainda será aprofundado conforme os registros históricos disponíveis forem sendo ampliados. Mas o princípio permanece claro: homens foram usados na formação de outro homem.
Isso também ajuda a compreender uma verdade maior.
Deus pode conduzir uma história de maneira soberana sem eliminar o papel das pessoas.
Ele pode usar líderes.
Pode usar amigos.
Pode usar uma conversa.
Pode usar uma correção.
Pode usar uma palavra.
Pode usar anos de convivência.
E, na compreensão espiritual de Ivanildo, Deus esteve presente também nesse processo de preparação.
A própria história registra que, ao longo dessa caminhada, a dimensão espiritual jamais esteve separada da formação ministerial.
A FORMAÇÃO ANTES DO FUTURO
Talvez uma das maiores riquezas desta parte da história esteja no fato de que ninguém naquele momento podia enxergar tudo o que viria depois.
Eles estavam formando um obreiro.
Mas a história ainda iria colocá-lo diante de experiências que exigiriam muito mais do que conhecimento.
Viria a decepção sentimental.
Viria o tratamento do coração.
Viria a longa busca.
Viriam os jejuns.
Viriam as madrugadas.
Viriam os montes.
Viriam as Agendas de Guerra.
Viriam os momentos em que Ivanildo buscaria respostas para aquilo que ainda não compreendia.
Tudo isso apareceria depois.
Mas alguma coisa precisava acontecer antes:
o homem precisava ser preparado.
E a preparação aconteceu através de anos.
Não houve atalhos.
Não houve uma formação instantânea.
Houve processo.
E processos verdadeiros geralmente são feitos de pequenas etapas que somente depois revelam sua importância.
Foi assim com a caminhada ministerial.
Foi assim com o caráter.
E, segundo o testemunho de Ivanildo, seria assim também naquilo que Deus ainda faria em sua vida sentimental.
QUANDO O DISCÍPULO OLHA PARA TRÁS
Existe um momento na vida de qualquer homem em que ele deixa de olhar apenas para frente.
Ele olha para trás.
E quando olha para trás, percebe quantas mãos Deus colocou no caminho.
Algumas permaneceram por muitos anos.
Outras por determinados períodos.
Algumas aparecem na memória acompanhadas de grandes ensinamentos.
Outras aparecem através de pequenos detalhes.
Mas todas fazem parte da jornada.
E talvez seja exatamente essa a beleza de uma biografia real:
ela não apresenta apenas o protagonista.
Ela apresenta também as pessoas que participaram da construção do caminho.
Por isso, o Capítulo 26 não é apenas sobre Obreiro Tomiris.
É sobre os homens de Deus que participaram da formação de Ivanildo.
É sobre uma geração de serviço.
É sobre uma escola de caráter.
É sobre o período em que um jovem ainda estava sendo preparado.
E é sobre uma verdade que permanecerá em toda esta obra:
antes que Deus coloque grandes responsabilidades nas mãos de alguém, muitas vezes Ele primeiro coloca pessoas certas ao seu redor para ensinar esse alguém a carregá-las.
“Lembrai-vos dos vossos guias, que vos falaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.”
Hebreus 13:7
Este versículo fecha o capítulo porque memória e gratidão caminham juntas.
Lembrar daqueles que ensinaram não significa colocar homens no lugar de Deus.
Significa reconhecer os instrumentos que participaram de uma determinada etapa da caminhada.
E a memória desses homens, quando contada com verdade, torna-se também uma forma de honra.
Ivanildo ainda teria muitos caminhos pela frente.
Muitas provas.
Muitos aprendizados.
Muitas madrugadas.
Muitas orações.
Muitas respostas.
Mas, antes de tudo isso, houve a escola.
Houve homens.
Houve serviço.
Houve disciplina.
Houve formação.
E houve um Deus que, na compreensão espiritual desta história, conduzia cada etapa.
O nome de Obreiro Tomiris permanece aqui, ao lado dos demais homens registrados nessa fase, como parte de uma geração que participou da formação de Ivanildo.
E talvez essa seja a lição mais preciosa deste capítulo:
ninguém se torna quem é sem atravessar o caminho que o formou.
Por isso, ao olhar para trás, a história não termina em um homem.
Ela revela uma trajetória.
Uma geração que ensinou.
Uma vida que aprendeu.
E um propósito que ainda estava apenas começando.
Toda honra e toda glória sejam dadas a Deus Todo-Poderoso, ao Senhor Jesus Cristo e ao Espírito Santo.

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