CAPÍTULO 31 — EU JÁ A VIA, MAS AINDA NÃO SABIA
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.”
Eclesiastes 3:1
Havia histórias acontecendo ao mesmo tempo sem que seus protagonistas soubessem que, um dia, elas se encontrariam.
Ivanildo já conhecia Rosinete.
Não a conhecia como se conhece alguém com quem se construiu uma amizade, uma conversa ou uma relação próxima. Conhecia-a de vista. Desde aproximadamente 1994, ela já fazia parte do campo de visão de Ivanildo dentro daquele ambiente em que os dois caminhavam na fé.
Ela estava ali.
Ele a via.
Mas isso era tudo.
Naquele período, não existia ainda pensamento sentimental em relação a Rosinete. Não havia namoro em formação, aproximação planejada, expectativa amorosa ou qualquer consciência de que aquela mulher ocuparia, no futuro, um lugar tão profundo em sua vida.
Ela simplesmente fazia parte da paisagem humana daquele tempo.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das características mais impressionantes dessa história: aquilo que um dia se tornaria central começou, durante muito tempo, parecendo absolutamente comum.
Ivanildo seguia sua caminhada. Rosinete seguia a dela.
Os dois estavam no mesmo caminho, mas ainda não estavam vivendo uma história juntos.
Uma presença que ele ainda não compreendia
Havia momentos em que Ivanildo via Rosinete.
Um desses lugares ficou marcado em sua memória: um sacolão localizado na saída do Parque dos Ferreiras.
Ivanildo ia até ali para comprar bananas.
E Rosinete trabalhava naquele local.
Assim, de maneira absolutamente simples, os caminhos dos dois se cruzavam.
Ele chegava para comprar suas bananas.
Ela estava trabalhando.
Ele a via.
E seguia sua vida.
Não havia, naquele momento, a leitura sentimental que os acontecimentos futuros dariam àquelas cenas. Ivanildo não estava indo ao sacolão para encontrar Rosinete. Segundo seu próprio relato, não havia qualquer pensamento sentimental relacionado a ela. Ele simplesmente precisava comprar bananas.
É importante preservar essa simplicidade.
Porque, quando se conhece o final de uma história, existe sempre o risco de olhar para o passado tentando enxergar nele aquilo que somente o futuro revelou.
Mas a história real não funciona assim.
Naquele momento, Ivanildo não sabia.
Rosinete não sabia.
E o significado daqueles encontros ainda não havia sido compreendido.
Havia apenas uma realidade aparentemente banal: um homem comprando bananas e uma mulher trabalhando em um sacolão.
Anos depois, porém, aquelas lembranças ganhariam outra dimensão.
A casa dos pais e a laje
O sacolão não era o único lugar onde Ivanildo via Rosinete.
Ele também se recorda de vê-la na laje da casa dos pais dela.
Novamente, não havia aproximação sentimental.
Não havia ainda uma história sendo conscientemente construída pelos dois.
Havia apenas proximidade.
A vida colocava os dois dentro de uma mesma geografia, dentro de uma mesma época e dentro de um mesmo ambiente, mas sem revelar a Ivanildo aquilo que ele somente compreenderia mais tarde.
Essa é uma das razões pelas quais o título deste capítulo não poderia ser outro:
Eu já a via, mas ainda não sabia.
A palavra decisiva é justamente essa última.
Sabia.
Ivanildo já tinha os olhos.
Mas ainda não tinha a compreensão.
Já havia presença.
Mas ainda não havia revelação.
Já havia proximidade.
Mas ainda não havia entendimento.
E essa diferença entre ver e compreender atravessaria uma parte importante da história de ambos.
Enquanto ele a via, outra batalha acontecia
Aquele período não era simplesmente um tempo de encontros visuais e rotina.
Ivanildo estava atravessando uma fase de intensas lutas espirituais.
Era um período que posteriormente estaria relacionado às experiências registradas em suas Agendas de Guerra, nas quais foram sendo colocados acontecimentos, pensamentos, propósitos, orações e batalhas daquele tempo.
Enquanto essas coisas aconteciam, Rosinete continuava existindo em sua rotina.
E Ivanildo continuava vendo-a.
Mas havia algo ainda mais profundo acontecendo dentro dele.
Segundo seu testemunho, durante aquele período ele intercedia constantemente por ela sem saber que era por ela.
Não era uma oração feita conscientemente com o nome de Rosinete.
Ele não sabia que aquela intercessão estava relacionada à mulher que comprava ou vendia, trabalhava, caminhava ou aparecia diante de seus olhos em determinados momentos.
Ele simplesmente orava.
E, olhando para aquela história posteriormente, passou a compreender aquela experiência como uma ação do Espírito Santo, que, segundo sua fé, conhece todas as coisas e havia colocado aquela intercessão em seu coração.
Essa distinção precisa permanecer intacta.
O fato é que Ivanildo intercedia sem saber por quem estava intercedendo.
A interpretação espiritual veio depois: ele passou a compreender que aquela intercessão estava relacionada a Rosinete.
É justamente essa combinação entre o que aconteceu e aquilo que ele compreendeu posteriormente que dá profundidade à memória.
Ele ainda não sabia.
Mas estava orando.
Um período de deserto
Enquanto isso, Ivanildo descreve aquele período como um verdadeiro deserto.
Havia lutas constantes.
Havia acontecimentos que ele ainda não conseguia compreender plenamente.
Havia momentos em que chegou a pensar que estivesse enfrentando um problema físico. Em determinadas ocasiões, acreditava que pudesse estar com pressão alta. Procurava atendimento no posto, mas o médico dizia que não havia nada.
A experiência, porém, continuava.
Foi nesse contexto que surgiu a orientação de Dona Neve, esposa do Sr. Paulo, uma serva de Deus que participou daquele momento de sua caminhada.
Ela afirmou a Ivanildo que ele não tinha nada físico e que aquela situação era espiritual.
A partir daí, Ivanildo passou a enfrentar aquela realidade pela perspectiva espiritual que havia aprendido em sua caminhada cristã.
Aquela fase não pode ser separada daquilo que estava acontecendo dentro de sua alma.
Ele estava em guerra.
Estava buscando compreender.
Estava orando.
Estava sendo tratado.
E, no meio daquele processo, havia uma mulher que seus olhos já conheciam, mas cujo significado em sua vida ainda permanecia oculto.
O que os olhos não diziam
É possível passar diante de uma pessoa muitas vezes sem imaginar que, algum dia, ela será parte fundamental da própria história.
Foi assim.
Ivanildo já havia visto Rosinete desde 1994.
Já havia cruzado com ela.
Já a havia visto no ambiente da antiga instituição.
Já a havia visto no sacolão.
Já a havia visto na laje da casa de seus pais.
Mas nenhuma dessas imagens lhe dizia, naquele momento, aquilo que somente o futuro revelaria.
Não havia ainda a frase:
“Esta será minha esposa.”
Não havia essa consciência.
Não havia sequer o pensamento sentimental que pudesse conduzi-lo nessa direção.
Havia somente a realidade presente.
E a realidade presente dizia apenas:
ela está ali.
Nada mais.
Talvez uma das maiores características da preparação de uma história seja justamente essa: ela pode estar acontecendo antes que seus personagens consigam identificá-la como história.
O futuro estava completamente invisível para os olhos daquele momento.
A distância entre a visão e a revelação
A história de Ivanildo e Rosinete não começou quando eles finalmente perceberam um ao outro.
Começou muito antes.
Mas isso não significa que eles já soubessem.
Esse é um ponto fundamental.
Existem acontecimentos que só podem ser compreendidos depois que outros acontecimentos acontecem.
Naquele tempo, Ivanildo não possuía as informações que possuiria posteriormente.
Não conhecia o desenrolar da história.
Não sabia que enfrentaria uma profunda guerra pela vida sentimental.
Não sabia que passaria por um processo de tratamento do coração.
Não sabia que suas Agendas de Guerra se tornariam registros de uma fase decisiva.
Não sabia que, depois de todo aquele processo, seus olhos e seu coração passariam a enxergar Rosinete de uma maneira completamente diferente.
Ele simplesmente vivia.
E ela também.
Quando a memória olha para trás
Hoje, ao olhar para aquele período, Ivanildo consegue enxergar uma sequência que naquela época não conseguia.
Primeiro vieram os anos de proximidade sem relacionamento.
Depois vieram as experiências pessoais de cada um.
Vieram as lutas.
Vieram as decepções.
Vieram os processos interiores.
Vieram as orações.
Vieram as Agendas de Guerra.
Vieram os montes, os jejuns e as vigílias.
E, somente depois, aquilo que estava oculto começou a ser compreendido.
Por isso, a memória do sacolão possui um significado especial.
Não porque comprar bananas tivesse, naquele instante, alguma importância sentimental.
Não tinha.
Mas porque hoje Ivanildo sabe que aquela mulher que estava diante de seus olhos fazia parte de uma história que ele ainda não conseguia enxergar.
O significado não estava na banana.
Não estava no sacolão.
Não estava na laje.
Estava no que o futuro revelaria sobre aqueles encontros aparentemente comuns.
Uma história ainda sem nome
Há momentos em que a vida apresenta pessoas antes de apresentar o propósito delas.
Foi assim com Rosinete.
Ivanildo já a via.
Mas ainda não sabia.
E essa frase não diminui o que aconteceria depois.
Pelo contrário.
Ela torna o acontecimento posterior ainda mais significativo.
Porque o amor não nasceu simplesmente da familiaridade.
Não nasceu de uma busca insistente de Ivanildo.
Não nasceu de uma estratégia de aproximação.
Naquele período, nem sequer existia essa intenção.
Segundo o testemunho de Ivanildo, havia uma preparação espiritual acontecendo enquanto ele ainda não compreendia o que estava sendo preparado.
E, segundo a compreensão que ele desenvolveu posteriormente, o Espírito Santo estava conduzindo os acontecimentos de uma maneira que somente o tempo permitiria compreender.
“Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.”
João 10:14
O conhecimento de Ivanildo ainda era limitado.
Ele conhecia Rosinete de vista.
Mas Deus, segundo sua fé, conhecia toda a história.
Essa diferença entre o conhecimento humano e aquilo que somente o tempo revelaria é uma das marcas deste período.
O homem que via sem compreender
Talvez seja possível resumir aquele momento em uma única imagem:
Ivanildo passando pela vida de Rosinete sem saber que estava passando pela história de sua própria vida.
Ele a via.
Ela estava perto.
Os caminhos já haviam se cruzado.
O ambiente já era compartilhado.
Mas o relacionamento ainda não existia.
E, mais do que isso, a consciência do relacionamento futuro ainda não existia.
O que existia era apenas o presente.
Por isso, não devemos colocar naquele passado sentimentos que pertencem a um tempo posterior.
Não seria fiel.
Ivanildo não estava apaixonado por Rosinete naquele momento.
Não estava procurando por ela.
Não estava tentando conquistá-la.
Não sabia que ela seria sua esposa.
Ele apenas vivia sua caminhada.
E, segundo seu testemunho, enquanto vivia essa caminhada, já havia uma intercessão acontecendo em seu coração cuja razão ele ainda não compreendia.
Antes que os olhos se abrissem
O futuro casamento ainda estava distante.
A aliança ainda não existia.
O namoro ainda não existia.
O noivado ainda não existia.
O amor que posteriormente uniria os dois ainda não havia se manifestado da forma como ambos conheceriam.
Mas Rosinete já estava presente no cenário.
E Ivanildo já a havia visto muitas vezes.
Essa é a beleza e, ao mesmo tempo, o mistério daquele período.
Eles não precisavam ser apresentados um ao outro porque, de certa forma, já estavam no mesmo caminho.
O que faltava não era presença.
Faltava compreensão.
Não faltava proximidade.
Faltava o momento.
Não faltavam olhos.
Faltava aquilo que faria os olhos enxergarem de outra maneira.
Mais tarde, Ivanildo compreenderia que o Espírito Santo havia conduzido sua caminhada por um processo que ele não conseguiria compreender enquanto ainda estivesse vivendo cada etapa.
Mas naquele momento ele não tinha essa visão.
Ele apenas seguia.
Orava.
Lutava.
Trabalhava.
Servia.
E, em meio a tudo isso, continuava vendo Rosinete.
Sem saber.
Sem imaginar.
Sem compreender.
O que ainda estava escondido
Uma história pode estar diante dos olhos e permanecer escondida.
Foi exatamente isso que aconteceu.
Rosinete não apareceu repentinamente na vida de Ivanildo no dia em que o amor começou.
Ela já estava ali.
O que mudou depois não foi simplesmente a presença dela.
Mudou a percepção.
E essa diferença será fundamental para compreender os capítulos seguintes.
Porque, antes de Ivanildo começar a olhar para Rosinete como mulher, esposa e companheira de uma vida inteira, existiu um longo período em que ela era apenas alguém que ele via.
Uma pessoa conhecida de vista.
Uma presença entre tantas outras.
Uma mulher que trabalhava no sacolão onde ele comprava bananas.
Uma jovem que ele podia enxergar na laje da casa dos pais.
Alguém que estava próxima sem que ele soubesse por que aquela proximidade um dia teria tanto significado.
E, enquanto seus olhos simplesmente registravam uma presença, seu coração atravessava uma batalha.
Segundo sua compreensão espiritual posterior, ele ainda intercedia por ela sem saber que era ela.
Talvez seja por isso que, quando olha para trás, Ivanildo não veja aqueles anos apenas como coincidências isoladas.
Ele os enxerga como partes de um processo cuja compreensão somente viria depois.
Não porque, naquele momento, ele soubesse.
Mas exatamente porque ele não sabia.
“Porque andamos por fé, e não por vista.”
2 Coríntios 5:7
Naquele período, Ivanildo tinha a vista.
Mas ainda não tinha a revelação.
Via Rosinete.
Ainda não sabia.
E a história dos dois continuaria caminhando silenciosamente até que chegasse o tempo em que aquilo que os olhos haviam visto tantas vezes começaria, finalmente, a ser compreendido pelo coração.

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