CAPÍTULO 33 — O HOMEM QUE AS PESSOAS DESCREVIAM

“O homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.”
1 Samuel 16:7

Antes que Rosinete conhecesse Ivanildo de verdade, ela conheceu aquilo que outras pessoas diziam a respeito dele.

Essa diferença precisa ser registrada.

Naquele período, ela ainda não tinha aproximação com Ivanildo. Não conversava com ele, não caminhava ao lado dele e não possuía uma experiência pessoal que lhe permitisse formar uma opinião própria sobre quem ele era.

Mas, em determinado momento, o nome de Ivanildo começou a chegar até ela através de outras pessoas.

E as descrições não eram favoráveis.

Ela ouviu que Ivanildo era um fariseu.

Ouviu que ele não era homem de Deus.

Ouviu que ele não tinha nada a ver com ela.

Também diziam que ele era grosso, antipático e sem empatia.

E havia ainda a pergunta que, segundo o relato de Rosinete, aparecia diante dessas opiniões:

O que ela poderia estar vendo naquele homem?

O problema é que Rosinete ainda não tinha visto com os próprios olhos aquilo que aquelas pessoas afirmavam conhecer.

Ela tinha recebido uma descrição.

E uma descrição pode construir uma imagem antes mesmo de existir um encontro verdadeiro.

Foi assim que, antes de conhecer Ivanildo pessoalmente, Rosinete passou a conhecer uma versão dele contada por terceiros.

E essa versão chegou primeiro.


Isso explica por que não havia aproximação.

Mesmo estando na mesma antiga instituição, Rosinete não procurava estar perto de Ivanildo.

Não conversava com ele.

Não se sentava próxima dele.

Não procurava sair junto, mesmo quando os dois tinham o mesmo caminho de volta para casa.

Não era simplesmente uma distância física.

Havia uma percepção construída antes da experiência.

Rosinete ouvia o que diziam e, naquele período, aquelas palavras influenciavam sua maneira de enxergar Ivanildo.

Isso precisa ser contado sem exageros.

Não significa afirmar que todos estavam contra os dois.

Não significa transformar aquelas pessoas em personagens de oposição à história.

Significa apenas registrar aquilo que Rosinete viveu:

ela ouviu determinadas coisas sobre Ivanildo e essas coisas influenciaram sua percepção.

Enquanto isso, Ivanildo continuava sua própria caminhada.

Ele estava vivendo seus processos espirituais, suas lutas, suas orações e suas buscas diante de Deus.

E havia uma ironia que somente o tempo revelaria.

Enquanto algumas pessoas descreviam Ivanildo para Rosinete, Ivanildo sequer imaginava que aquela mulher teria um papel tão profundo em sua vida.

Ele já a havia visto desde aproximadamente 1994.

Ela, porém, ainda não o conhecia verdadeiramente.

E agora o nome dele começava a chegar até ela antes que o próprio homem chegasse.


Talvez essa seja uma das partes mais delicadas de uma história de união.

Antes de conhecer uma pessoa, podemos conhecer uma opinião sobre ela.

Antes de ouvir sua voz, podemos ouvir aquilo que outros dizem sobre sua personalidade.

Antes de observar seu caráter, podemos receber uma interpretação sobre ele.

E, quando isso acontece, a primeira imagem pode parecer verdadeira simplesmente porque chegou primeiro.

Foi o que aconteceu com Rosinete.

O homem que ela conhecia naquele momento não era exatamente Ivanildo.

Era o Ivanildo que lhe haviam descrito.

O Ivanildo que outros diziam ser fariseu.

O Ivanildo que outros diziam não ser homem de Deus.

O Ivanildo que outros consideravam grosso, antipático e sem empatia.

Mas ainda faltava uma coisa.

Faltava conhecê-lo.

Faltava conversar com ele.

Faltava observar sua vida de perto.

Faltava tempo.

Faltava experiência.

Faltava aquilo que nenhuma opinião de terceiros poderia substituir:

o conhecimento pessoal.

“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.”
João 7:24

A história dos dois ainda estava longe de revelar aquilo que seria.


Enquanto Rosinete recebia aquelas descrições, o Espírito Santo, segundo a compreensão que posteriormente ambos teriam, ainda conduzia os acontecimentos sem permitir uma aproximação precipitada.

O tempo ainda não havia chegado.

Havia coisas que precisavam acontecer antes.

Havia processos em Ivanildo que ainda precisavam amadurecer.

Havia processos em Rosinete que também precisavam acontecer.

E havia uma preparação que nenhum dos dois conseguia enxergar.

Por isso, naquele momento, as opiniões externas acabavam funcionando como mais uma camada entre eles.

Ivanildo estava de um lado.

Rosinete, do outro.

E entre os dois havia distância, falta de contato e uma imagem de Ivanildo que não havia sido construída por ela mesma.

Mas uma coisa é ouvir quem alguém é.

Outra coisa é conhecer quem alguém é.

Essa diferença se tornaria decisiva.

Porque, quando finalmente chegasse o momento de Rosinete conhecer Ivanildo pessoalmente, ela teria a oportunidade de descobrir que o homem real não poderia ser reduzido às palavras que haviam chegado até ela.

O tempo revelaria o caráter.

A convivência revelaria o homem.

E a própria história mostraria quem ele era.


Há momentos em que Deus permite que uma pessoa seja conhecida primeiro pela opinião dos outros e somente depois pela própria experiência.

Talvez porque a verdade precise atravessar aquilo que foi construído antes dela.

No caso de Rosinete, essa passagem seria especialmente importante.

Ela não começaria sua história com Ivanildo apaixonada por ele.

Não começaria procurando sua companhia.

Não começaria acreditando que ele era o homem de sua vida.

Pelo contrário.

Antes mesmo de existir aproximação, ela já havia recebido uma imagem negativa.

E, por causa disso, não procurava estar perto dele.

Isso torna o que aconteceria posteriormente ainda mais significativo.

Porque o relacionamento que viria não seria sustentado por uma primeira impressão perfeita.

Seria construído depois que ambos tivessem a oportunidade de se conhecer.

Rosinete precisaria descobrir Ivanildo além das descrições.

E Ivanildo precisaria viver aquilo que Deus estava preparando sem tentar antecipar o resultado.

A história ainda não havia chegado ao encontro.

Mas já havia começado a preparar o terreno para ele.

“O Senhor não vê como vê o homem; pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.”
1 Samuel 16:7

Rosinete ainda não conhecia Ivanildo.

Conhecia apenas o que diziam sobre ele.

Mas chegaria o dia em que ela deixaria de ouvir quem outros diziam que ele era e começaria a descobrir, por experiência própria, quem aquele homem realmente era.