CAPÍTULO 35
ROSINETE E SUA VIDA DE EVANGELIZAÇÃO
“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.”
Marcos 16:15
A história de Rosinete não pode ser compreendida apenas pelos acontecimentos que, anos mais tarde, a conduziriam ao encontro com Ivanildo. Antes que suas duas histórias começassem a se aproximar, havia uma mulher sendo formada em silêncio, através de experiências que lhe ensinavam a servir, a perseverar e a compreender, pouco a pouco, o valor de uma vida colocada à disposição de Deus.
A evangelização ocupou um lugar importante nesse processo.
Rosinete aprendeu que servir a Deus não significava apenas estar dentro de um templo. Havia também as ruas, as praças, as crianças, as pessoas que precisavam ouvir uma palavra, receber atenção, ser orientadas e perceber, através de alguém disposto a servi-las, que suas vidas tinham valor.
Foi nesse ambiente de serviço que parte de sua formação aconteceu.
Ela evangelizava.
E, ao evangelizar, também aprendia.
Cada experiência contribuía para que adquirisse maior responsabilidade diante das pessoas. O trabalho não era simplesmente uma atividade que preenchia determinados horários. Aos poucos, o serviço ia formando nela uma disposição interior: estar disponível quando fosse necessário, assumir responsabilidades e compreender que lidar com pessoas exigia muito mais do que boa vontade.
Havia almas.
Havia crianças.
Havia pessoas diferentes, com histórias diferentes, necessidades diferentes e maneiras diferentes de reagir.
E Rosinete precisava aprender a lidar com essa diversidade.
O evangelho alcançando as ruas
A evangelização fazia com que a mensagem deixasse os limites do ambiente interno da instituição e alcançasse lugares onde as pessoas estavam.
Ruas e praças faziam parte desse cenário.
Ali não havia a mesma estrutura de uma reunião. Não havia necessariamente silêncio, organização ou a atmosfera protegida de um espaço religioso. Havia movimento, pessoas passando, crianças, famílias e circunstâncias imprevisíveis.
Evangelizar nesses lugares significava estar disposta a sair do conforto.
Rosinete foi sendo formada nesse exercício.
O serviço exigia presença.
Exigia disposição.
Exigia perseverança.
E, principalmente, exigia compreender que o centro da missão não era quem estava evangelizando, mas as pessoas que precisavam ser alcançadas.
“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.”
Lucas 19:10
Essa verdade expressava a razão mais profunda de uma obra que tinha como objetivo alcançar vidas.
Para Rosinete, o contato com as pessoas também representava uma escola.
Ela estava aprendendo a servir antes mesmo de compreender completamente tudo aquilo que o serviço produziria em sua própria personalidade.
As crianças
Entre os campos de serviço que marcaram sua caminhada estava o trabalho com crianças.
Essa experiência trouxe uma dimensão diferente para sua evangelização.
Crianças exigem atenção.
Exigem cuidado.
Exigem paciência.
Não se trata simplesmente de transmitir uma informação. É necessário saber falar de maneira que elas compreendam, estabelecer limites, manter a atenção e, ao mesmo tempo, demonstrar carinho e responsabilidade.
Rosinete passou a exercer esse trabalho de maneira que ficou conhecida como “tia infantil”.
A expressão carregava uma responsabilidade maior do que poderia parecer à primeira vista.
Ser chamada de tia significava tornar-se uma referência para aquelas crianças dentro daquele ambiente de serviço.
Era necessário estar presente.
Era necessário cuidar.
Era necessário ensinar.
E era necessário compreender que, por trás de cada criança, existia uma família e uma história.
O trabalho infantil, portanto, não era uma tarefa menor dentro da evangelização.
Era uma responsabilidade.
E responsabilidades repetidas ao longo do tempo começam a produzir algo dentro de quem as assume.
Servir sem esperar compreender tudo
Há períodos da vida em que a pessoa serve antes de compreender a extensão daquilo que está sendo construído dentro dela.
Rosinete viveu uma parte de sua formação dessa maneira.
Ela estava servindo.
Estava evangelizando.
Estava trabalhando com pessoas.
Estava cuidando de crianças.
Estava assumindo responsabilidades.
Mas o significado completo daquele processo somente poderia ser percebido posteriormente.
Naquele momento, existia o presente.
Existia o serviço que precisava ser realizado.
Existiam pessoas que precisavam ser atendidas.
E existia a necessidade de permanecer disponível.
É assim que muitas formações verdadeiras acontecem: não através de uma única experiência extraordinária, mas pela repetição fiel de pequenas responsabilidades.
Um dia depois do outro.
Uma atividade depois da outra.
Uma pessoa depois da outra.
Uma criança depois da outra.
Até que aquilo que inicialmente parecia apenas uma função começa a fazer parte do caráter.
A disponibilidade de Rosinete
Um dos aspectos importantes dessa fase foi sua disposição para servir.
A evangelização exigia disponibilidade, e a disponibilidade revelava muito sobre a pessoa.
Quem está disposto a servir aprende a perceber necessidades.
Aprende a chegar antes.
Aprende a permanecer quando outros já foram embora.
Aprende que nem todo trabalho recebe reconhecimento.
Aprende também que servir nem sempre produz resultados imediatamente visíveis.
Havia uma formação acontecendo em Rosinete que ainda não estava concluída.
Ela estava aprendendo a servir pessoas antes de saber tudo o que o futuro lhe reservaria.
E isso seria importante.
Porque, muitos anos depois, quando sua história se cruzasse definitivamente com a de Ivanildo, ela já carregaria consigo uma experiência construída durante anos de caminhada.
Não chegaria ao futuro vazia.
Chegaria trazendo aquilo que havia aprendido.
Evangelizar também era aprender sobre pessoas
A evangelização colocou Rosinete diante de uma realidade que nenhum livro poderia substituir: pessoas são diferentes.
Algumas recebem.
Outras resistem.
Algumas escutam.
Outras não querem ouvir.
Algumas demonstram gratidão.
Outras talvez nem percebam o esforço de quem está servindo.
Essa convivência ensina.
Ensina a controlar palavras.
Ensina a observar.
Ensina a esperar.
Ensina a respeitar.
Ensina a continuar.
E, sobretudo, ensina que servir não pode depender exclusivamente da resposta daqueles que são servidos.
Rosinete estava aprendendo essa linguagem através da prática.
O trabalho com pessoas e crianças exigia dela uma combinação de firmeza e cuidado, responsabilidade e paciência, disposição e perseverança.
Essas características não surgem prontas.
São construídas.
Uma escola que não parecia uma escola
Talvez Rosinete não soubesse, naquela época, que estava vivendo uma das escolas mais importantes de sua própria formação.
Não havia uma sala de aula tradicional.
Não havia provas.
Não havia diplomas.
Mas havia algo que poderia ser ainda mais profundo: a experiência.
As ruas ensinavam.
As praças ensinavam.
As crianças ensinavam.
As responsabilidades ensinavam.
As pessoas ensinavam.
E o próprio ato de servir revelava áreas que precisavam amadurecer.
A evangelização, portanto, não estava apenas levando Rosinete a falar sobre Deus para outras pessoas.
Estava também trabalhando nela.
Enquanto ela ajudava outras pessoas, sua própria história estava sendo construída.
Enquanto ensinava crianças, aprendia responsabilidade.
Enquanto evangelizava, aprendia a lidar com pessoas.
Enquanto servia, desenvolvia disponibilidade.
Enquanto permanecia, aprendia fidelidade.
E, sem perceber plenamente, estava sendo preparada para etapas que ainda não conhecia.
“E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.”
Gálatas 6:9
Antes do encontro, havia uma caminhada
Essa parte da história de Rosinete é fundamental porque mostra que o encontro com Ivanildo não aconteceu entre duas pessoas sem passado.
Antes daquele encontro existiam anos.
Existiam experiências.
Existiam escolhas.
Existiam feridas que ainda seriam conhecidas posteriormente.
Existia uma caminhada espiritual própria.
E existia também uma história de serviço.
Rosinete estava sendo formada dentro de sua própria trajetória enquanto Ivanildo era formado dentro da dele.
Os dois ainda não compreendiam aquilo que um dia entenderiam.
Não havia relacionamento entre eles.
Não havia aproximação sentimental.
Não havia ainda a história que posteriormente seria conhecida como Nossa História.
Havia duas vidas caminhando separadamente.
E, dentro da trajetória de Rosinete, a evangelização ocupava um lugar importante nessa preparação.
O serviço lhe ensinava a olhar para pessoas.
Ensinava responsabilidade.
Ensinava dedicação.
Ensinava perseverança.
Ensinava que uma vida entregue a Deus não é construída somente nos grandes acontecimentos, mas também nos trabalhos aparentemente simples que ninguém registra.
O valor de uma vida disponível
Hoje, olhando para trás, é possível perceber a importância daqueles anos.
Não porque cada experiência tivesse, naquele momento, uma explicação completa.
Mas porque nenhuma formação verdadeira precisa revelar imediatamente tudo aquilo que está produzindo.
Rosinete servia.
E o serviço deixava marcas.
Ela evangelizava.
E a evangelização ampliava sua experiência.
Ela cuidava de crianças.
E o trabalho infantil desenvolvia responsabilidades.
Ela se colocava à disposição.
E essa disponibilidade se tornava parte de sua caminhada.
Tudo isso acontecia antes que ela soubesse como sua história se desenvolveria.
Muito antes de existir o casamento.
Muito antes de existir a família construída com Ivanildo.
Muito antes de os dois compreenderem o propósito que, segundo sua fé, Deus estava conduzindo.
Havia uma mulher sendo formada.
Havia uma serva aprendendo a servir.
Havia uma história sendo construída.
E havia Deus conduzindo os caminhos que, naquele momento, ainda pareciam separados.
A evangelização foi uma dessas etapas.
Não foi o fim da caminhada.
Foi parte da preparação.
E aquilo que Rosinete aprendeu servindo pessoas começaria, pouco a pouco, a ultrapassar a esfera das atividades que realizava.
Começaria a alcançar sua própria maneira de viver.
Porque há momentos em que o serviço deixa de ser apenas aquilo que fazemos.
Ele começa a revelar quem estamos nos tornando.
E é justamente nesse ponto que a história avança.
Rosinete ainda não sabia, mas os anos de serviço estavam formando nela características que seriam indispensáveis para as próximas etapas de sua vida.
O que começou como evangelização começava a se transformar em formação.
E, quando o serviço passa a formar a pessoa que serve, a história entra em outro nível.
Era o início de uma transformação silenciosa.
E essa transformação seria percebida não apenas pelo que Rosinete fazia, mas pela mulher que aquele caminho estava formando.
“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens.”
Colossenses 3:23
A vida de evangelização de Rosinete, portanto, não deve ser vista apenas como uma sequência de atividades realizadas no passado.
Foi uma parte de sua formação.
Foi uma escola de serviço.
Foi uma experiência com pessoas.
Foi uma preparação.
E, acima de tudo, foi uma etapa da história de uma mulher que ainda caminharia por muitas estações antes de compreender como todas elas se encaixariam.
Naquele tempo, ela apenas servia.
Mas Deus, em sua compreensão de fé, já conhecia o caminho que ainda estava por vir.
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