CAPÍTULO 37 — QUANDO O TEMPO AINDA NÃO HAVIA CHEGADO
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.”
Eclesiastes 3:1
Há momentos em uma história que somente podem ser compreendidos depois que a própria história acontece.
Enquanto se vive o presente, muitas coisas parecem desconectadas. Pessoas passam umas pelas outras sem imaginar que, anos mais tarde, suas vidas estarão profundamente ligadas. Caminhos se cruzam sem que os envolvidos percebam. Há encontros que ainda não acontecem, conversas que ainda não existem e sentimentos que ainda não nasceram.
Foi assim com Ivanildo e Rosinete.
Eles estavam próximos dentro de uma mesma realidade, mas o tempo da aproximação ainda não havia chegado.
E essa diferença entre estar perto e estar preparado para se encontrar se tornaria uma das marcas mais importantes de nossa história.
Perto, mas ainda separados
Ivanildo já havia visto Rosinete.
Esse fato pertence à história.
Desde aproximadamente 1994, ele a percebia em determinados momentos, dentro daquela realidade que ambos frequentavam. Mas aquilo não significava relacionamento.
Não havia conversa entre os dois.
Não havia amizade.
Não havia aproximação sentimental.
Não havia qualquer história de namoro sendo construída.
Ivanildo apenas a via.
E, naquele momento, ele não compreendia o que aquela presença significaria no futuro.
Rosinete, por sua vez, ainda não conhecia Ivanildo pessoalmente naquela fase inicial.
Portanto, seria errado olhar para aqueles anos com os olhos do futuro e dizer que os dois já viviam uma relação que ainda não existia.
Não viviam.
A história precisa ser contada como aconteceu.
Havia duas pessoas seguindo suas próprias trajetórias.
Havia uma distância real entre elas.
E havia um tempo que ainda não havia chegado.
O perigo de interpretar o passado somente depois
Quando uma história termina bem, existe uma tendência natural de olhar para trás e enxergar sinais em todos os acontecimentos.
Mas a verdade histórica exige cuidado.
O que Ivanildo compreendeu muitos anos depois não pode ser colocado artificialmente na consciência que ele tinha naquela época.
Ele não sabia tudo.
Ele não conhecia o futuro.
Ele não sabia que Rosinete se tornaria sua esposa.
Ele não sabia que um dia os dois viveriam uma história de amor, casamento e serviço juntos.
Ele simplesmente estava vivendo.
E talvez essa seja uma das características mais profundas da preparação: quem está sendo preparado nem sempre sabe que está sendo preparado.
A vida continua acontecendo enquanto o futuro permanece oculto.
O que ainda precisava acontecer
A aproximação entre Ivanildo e Rosinete não poderia ser simplesmente fabricada.
Ela precisaria acontecer no momento certo.
Segundo a compreensão espiritual de Ivanildo, o Espírito Santo ainda não havia permitido aquela aproximação.
Essa é uma afirmação pertencente ao testemunho espiritual dele e à maneira como, posteriormente, passou a compreender os acontecimentos.
Para Ivanildo, não se tratava de uma simples questão de oportunidade perdida.
Havia um processo.
Havia coisas que ainda precisavam ser trabalhadas.
Havia experiências que ainda seriam vividas.
Havia amadurecimento que ainda não havia acontecido.
E havia, sobretudo, uma revelação que ainda não tinha sido dada.
Ele podia ver Rosinete.
Mas ainda não sabia quem ela seria em sua história.
Essa distinção é fundamental.
Ver não era conhecer.
Estar perto não era se relacionar.
Compartilhar um ambiente não significava compreender o propósito.
O tempo ainda não havia chegado.
Enquanto isso, a vida continuava
Ivanildo continuava sua caminhada com Deus.
Continuava aprendendo.
Continuava servindo.
Continuava sendo formado pelas experiências que a vida lhe apresentava.
O futuro não interrompeu o presente.
E Rosinete também seguia sua própria trajetória.
Sua vida, sua família, sua caminhada espiritual e suas experiências estavam acontecendo independentemente daquilo que um dia os uniria.
Essa separação de trajetórias é importante para compreender a grandeza do encontro posterior.
Não eram duas pessoas esperando conscientemente uma pela outra.
Eram duas pessoas vivendo suas próprias histórias.
Somente mais tarde cada uma compreenderia que a outra havia estado presente, de alguma maneira, muito antes de existir a consciência do vínculo que viria.
“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor.”
Isaías 55:8
Há coisas que o ser humano só consegue interpretar depois de atravessá-las.
Naquele período, Ivanildo não tinha a resposta completa.
E Rosinete também não.
O silêncio também fazia parte da história
Não houve pressa.
Não houve tentativa de forçar uma aproximação.
Não houve uma iniciativa sentimental naquele momento.
E isso também faz parte da história.
Às vezes, o que não aconteceu possui tanta importância quanto aquilo que aconteceu.
Não houve conversa.
Não houve namoro.
Não houve relacionamento.
Não houve declaração.
Não houve promessa entre os dois.
Houve silêncio.
E, naquele silêncio, cada vida continuou sendo construída.
O leitor que conhece o final poderia desejar antecipar o encontro.
Mas a história real não pode ser acelerada.
É preciso deixar Ivanildo naquele tempo.
É preciso deixar Rosinete naquele tempo.
É preciso permitir que os dois ainda não saibam.
Porque justamente aí está uma das belezas da nossa história: o futuro já seria extraordinário, mas o presente ainda parecia absolutamente comum.
O tempo de cada coração
Antes que duas pessoas possam caminhar juntas, existem processos que pertencem individualmente a cada uma.
Ivanildo precisava amadurecer.
Rosinete precisava viver sua própria caminhada.
Cada um precisava passar por experiências que não poderiam ser substituídas.
Anos mais tarde, depois de aproximadamente oito anos e de uma grande decepção sentimental, Ivanildo compreenderia que sua vida havia entrado em uma nova estação. Segundo seu testemunho, foi depois desse período que começou um alinhamento sobrenatural entre as duas histórias, acompanhado por oração, jejum, madrugadas, montes e pelas chamadas Agendas de Guerra.
Mas ainda não era aquele momento.
O capítulo que estamos vivendo agora é anterior.
Aqui, o que existe é espera.
É formação.
É desconhecimento.
É tempo.
E talvez seja justamente isso que torne o futuro tão significativo.
Porque aquilo que um dia pareceria tão claro ainda estava completamente escondido.
O que Ivanildo não podia saber
Ele não podia saber que aquela mulher que via de longe ocuparia um dia um lugar central em sua vida.
Não podia saber que o nome de Rosinete estaria ligado ao seu próprio nome.
Não podia saber que eles construiriam uma família.
Não podia saber que serviriam juntos.
Não podia saber que, muitos anos depois, olhariam para trás e tentariam compreender como tantas circunstâncias haviam conduzido suas vidas até aquele encontro.
Naquele momento, nada disso estava diante de seus olhos.
O futuro permanecia fechado.
E talvez fosse necessário que permanecesse assim.
Porque algumas revelações, quando chegam antes da hora, podem alterar o próprio processo que deveria preparar aqueles que irão recebê-las.
Segundo o testemunho de Ivanildo, foi justamente por isso que o Espírito Santo não havia permitido aquela aproximação naquele período.
Não era ainda o tempo da revelação.
Quando Deus ainda não havia mostrado
Existe uma frase que resume esse período:
Eles estavam perto, mas ainda não sabiam.
Essa frase não deve ser entendida como se ambos já tivessem consciência de uma história futura.
Não tinham.
Ela descreve aquilo que somente mais tarde seria compreendido.
Ivanildo estava perto de Rosinete.
Mas ainda não sabia o que aquela presença representaria.
Rosinete ainda não conhecia Ivanildo pessoalmente.
E nenhum dos dois tinha diante de si a história que posteriormente viveriam.
O tempo ainda não havia chegado.
E, enquanto ele não chegava, cada um continuava sendo preparado.
O relógio que ninguém via
O ser humano mede o tempo por anos, meses, dias e horas.
Deus, na compreensão da fé, trabalha também através de processos.
Há momentos em que aparentemente nada está acontecendo, quando na verdade pessoas estão amadurecendo, circunstâncias estão se formando e caminhos estão sendo preparados.
A história de Ivanildo e Rosinete teria exatamente esse tipo de período.
Um período em que não havia relacionamento.
Um período em que não havia revelação.
Um período em que não havia compreensão.
Mas havia vida.
Havia formação.
Havia caminhada.
E havia um futuro que eles ainda não podiam enxergar.
“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.”
Provérbios 3:5
Mais tarde, quando o tempo finalmente chegasse, os acontecimentos seriam vistos sob outra luz.
Aquilo que parecia apenas distância ganharia significado.
Aquilo que parecia apenas coincidência seria reinterpretado dentro da história.
Aquilo que ninguém compreendia começaria a fazer sentido.
Mas ainda não.
Ainda era cedo.
Ainda havia estrada.
Ainda havia processos.
Ainda havia experiências que precisavam acontecer.
Ainda havia corações que precisavam amadurecer.
E havia uma revelação que ainda permanecia escondida.
O tempo ainda não havia chegado.
E justamente porque ainda não havia chegado, a história precisava continuar exatamente como estava.
Ivanildo seguiria sua caminhada.
Rosinete seguiria a dela.
E, sem que nenhum dos dois pudesse compreender plenamente, os anos continuariam aproximando o momento em que aquilo que estava oculto começaria finalmente a ser revelado.

0 Comentários