CAPÍTULO 40 — O TEMPO DE DEUS
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.”
— Eclesiastes 3:1
Há histórias que começam quando duas pessoas se encontram.
A nossa começou antes disso.
Ivanildo e Rosinete já estavam próximos dentro de uma mesma realidade de vida, dentro dos caminhos que cada um percorria, dentro de um ambiente que, muitos anos depois, passaria a ser lembrado de outra maneira. Mas proximidade não significava encontro. Estar no mesmo lugar não significava conhecer o coração do outro. Ver alguém não significava compreender por que aquela pessoa fazia parte da sua história.
Ivanildo já havia visto Rosinete desde aproximadamente 1994. Ela, porém, naquele período inicial, ainda não o conhecia pessoalmente. Não havia relacionamento, amizade, conversa ou aproximação sentimental entre os dois.
Hoje, olhando para trás, Ivanildo compreende aquele período de uma maneira que não poderia compreender naquela época.
Segundo seu testemunho, o Espírito Santo ainda não havia permitido aquela aproximação.
Não porque a história não existisse, mas porque ainda não era o momento de compreendê-la.
E essa diferença é fundamental.
Uma coisa é Deus conhecer uma história.
Outra é o ser humano conhecer a história que está vivendo.
Durante muito tempo, Ivanildo simplesmente viveu sua caminhada. Serviu, aprendeu, errou, amadureceu, buscou a Deus e passou por experiências que foram formando sua vida. Rosinete, por sua vez, também percorreu sua própria caminhada, servindo, evangelizando, trabalhando com crianças e sendo formada através das responsabilidades que assumia.
Cada um estava sendo preparado dentro de sua própria realidade.
Nenhum dos dois possuía naquele momento a visão completa do que viria depois.
Essa é uma das características mais profundas da história que hoje chamamos de Nossa História: aquilo que posteriormente ganharia significado não nasceu acompanhado de uma explicação imediata.
Havia acontecimentos.
Havia pessoas.
Havia encontros que ainda não eram encontros.
Havia proximidade sem relacionamento.
Havia caminhos que se cruzavam sem que os dois soubessem que, algum dia, suas histórias seriam inseparáveis.
E havia tempo.
O tempo não era apenas espera
Esperar, muitas vezes, parece não fazer parte da história.
Quem espera tem a impressão de que nada está acontecendo.
Mas, olhando para trás, percebe-se que o período de espera também era parte da construção.
Ivanildo não estava simplesmente esperando conhecer alguém.
Ele estava vivendo.
Rosinete não estava simplesmente esperando encontrar alguém.
Ela também estava vivendo.
E enquanto cada um vivia sua própria caminhada, suas experiências iam formando pessoas que, no futuro, precisariam estar preparadas não apenas para se encontrar, mas para sustentar aquilo que encontrariam.
Foi somente posteriormente que Ivanildo passou a compreender que havia coisas que não poderiam ser antecipadas.
Essa compreensão aparece de maneira muito marcante em uma experiência que ele relata ter vivido em um dia cuja data exata ainda não foi identificada.
Do lado de fora da antiga instituição, segundo seu testemunho, o Espírito Santo falou ao seu coração aproximadamente nestes termos:
“Ivanildo, eu sei que é a sua amada, mas não vou te contar.”
A experiência não lhe entregava um nome.
Não lhe dava uma explicação completa.
Era justamente o contrário.
Havia uma informação que, segundo sua compreensão daquele momento, Deus conhecia, mas que ele ainda não estava autorizado a receber.
Depois, ele se lembrou de um ensinamento que havia aprendido em Deucartilho com o Bispo Alessandro, relacionado à diferença entre receber algo antecipadamente e receber aquilo no tempo certo.
Foi então que surgiu a pergunta sobre a manga:
verde ou madura?
Ivanildo respondeu:
madura.
Anos depois, olhando para aquela experiência à luz de tudo o que aconteceu, ele passou a enxergar naquele episódio uma imagem do próprio processo que estava vivendo.
A manga verde existia.
Mas ainda não estava madura.
E algumas coisas da vida também são assim.
Não basta que algo exista para que seja o momento de recebê-lo.
Não basta que duas pessoas estejam próximas para que estejam prontas para se encontrar.
Não basta que uma possibilidade esteja diante dos olhos para que ela deva ser revelada.
Existe uma diferença entre existir e estar no tempo certo.
E essa diferença atravessou a história de Ivanildo e Rosinete.
Quando a resposta ainda não podia ser entregue
O mais impressionante, para Ivanildo, não foi simplesmente descobrir posteriormente quem Rosinete era.
Foi compreender que, antes de conhecê-la como sua esposa, ele precisou aprender a esperar.
A história poderia ter sido outra se a revelação tivesse chegado antes.
Mas isso seria entrar em um território que a biografia não pode transformar em certeza histórica. O que podemos registrar é aquilo que Ivanildo testemunha hoje: ele entende que o Espírito Santo não permitiu aquela aproximação antecipadamente porque ainda havia um processo a ser vivido.
Essa interpretação ganhou força quando, depois de aproximadamente oito anos, uma grande decepção sentimental marcou sua vida.
A dor abriu uma nova estação.
Depois dela, veio aquilo que Ivanildo descreve como um período de limpeza do coração e da alma. E, paralelamente, Rosinete também passou por uma decepção sentimental.
Os dois chegaram a um novo momento carregando experiências difíceis.
Foi então, segundo o testemunho de Ivanildo, que começou um processo diferente.
O que antes era apenas proximidade passou a caminhar em direção a uma aproximação real.
Vieram oração, jejum, madrugadas, montes, busca pela direção de Deus e as Agendas de Guerra, nas quais ficaram registrados acontecimentos, orações, lutas, pensamentos, propósitos e experiências daquela caminhada.
As agendas são importantes porque representam uma memória concreta daquele período.
Antes de existir a história do namoro.
Antes do casamento.
Antes de existir aquilo que todos posteriormente conheceriam.
Existiram páginas.
Páginas escritas durante uma estação de busca e preparação.
“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.”
— Isaías 55:8
Naquele momento, porém, eles ainda não tinham todas as respostas.
A vida não lhes entregava um mapa completo.
Entregava apenas o próximo passo.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores lições desse período.
O tempo de Deus também formava os dois
A história de Ivanildo e Rosinete não pode ser contada corretamente como se apenas um deles estivesse sendo preparado.
Os dois estavam.
Rosinete estava vivendo sua própria caminhada.
Ivanildo estava vivendo a sua.
Ela servia.
Ele servia.
Ela enfrentava suas próprias experiências.
Ele enfrentava as dele.
Ela precisava amadurecer em sua caminhada.
Ele também precisava amadurecer.
E, quando finalmente suas histórias começaram a convergir, nenhum dos dois chegava ao encontro como a mesma pessoa que havia existido anos antes.
Havia experiências acumuladas.
Havia dores.
Havia aprendizados.
Havia responsabilidades.
Havia crescimento.
Havia coisas que cada um precisou atravessar individualmente.
Por isso, o tempo não deve ser visto apenas como aquilo que separou dois momentos da história.
O tempo também foi aquilo que formou as pessoas que chegariam ao momento seguinte.
Essa percepção se tornaria ainda mais importante quando Rosinete retornasse à antiga instituição depois de passar por outra estação de sua vida. Ela chegaria acompanhando sua mãe, Rosilda, depois de uma decepção sentimental e de um período em outra instituição.
Ivanildo ainda estava ali.
E foi em uma sexta-feira que aconteceria o reencontro que, para Rosinete, ganharia um significado especial.
Um simples aperto de mão se tornaria parte fundamental da memória daquele momento.
Mas isso ainda pertencia a uma etapa posterior.
O importante aqui é perceber que aquele aperto de mão não aconteceu no início da história.
Ele aconteceu depois do tempo.
Depois das experiências.
Depois das dores.
Depois de uma longa proximidade sem relacionamento.
Depois de uma fase em que nenhum dos dois compreendia completamente o que estava acontecendo.
O encontro chegou quando a história havia atravessado outras páginas.
Nem toda demora é ausência
Hoje, quando Ivanildo olha para aqueles anos, ele não os enxerga simplesmente como anos perdidos.
Ele os enxerga como parte de uma preparação.
Não porque possamos afirmar historicamente cada detalhe como uma ação sobrenatural comprovável, mas porque essa é a compreensão que nasceu nele a partir do próprio desenrolar da história.
Ele viu o que aconteceu depois.
E, olhando para trás, passou a compreender de outra maneira o que havia acontecido antes.
Foi assim que a espera ganhou sentido.
O que parecia apenas distância passou a ser compreendido como tempo.
O que parecia apenas coincidência passou a ser interpretado, dentro de sua fé, como direção.
O que parecia apenas uma pessoa vista de longe passou, muitos anos depois, a ser reconhecido como a mulher com quem construiria sua vida.
Mas nenhuma dessas conclusões estava disponível naquele primeiro momento.
Era necessário viver.
Era necessário esperar.
Era necessário amadurecer.
Era necessário chegar ao momento em que aquilo que antes era apenas uma possibilidade pudesse finalmente ser compreendido.
E talvez por isso a imagem da manga madura permaneça tão forte na memória de Ivanildo.
Porque a questão nunca foi simplesmente ter ou não ter.
Era saber quando.
A manga verde já era manga.
Mas ainda não era o momento de saboreá-la.
A história de Ivanildo e Rosinete já existia em suas primeiras páginas.
Mas ainda não era o momento de eles compreenderem o que aquelas páginas significariam.
Quando o tempo chegou
Depois de tantos anos, o que antes parecia uma história formada por caminhos separados começou a revelar uma nova direção.
O Espírito Santo, segundo a compreensão de Ivanildo, começou a alinhar as circunstâncias.
As orações ganharam intensidade.
Os jejuns fizeram parte daquele período.
As madrugadas se tornaram momentos de busca.
Os montes fizeram parte daquela caminhada.
E as Agendas de Guerra começaram a guardar, página após página, aquilo que estava sendo vivido.
O tempo que antes parecia apenas esperar começou a revelar seu conteúdo.
A espera não tinha sido vazia.
Havia formação dentro dela.
Havia transformação.
Havia experiências que precisavam acontecer antes que outras pudessem acontecer.
E então, pouco a pouco, aquilo que durante anos permanecera sem explicação começou a ganhar rosto, voz, presença e significado.
O que antes era apenas uma mulher vista de longe começaria a se tornar Rosinete.
O que antes era apenas um homem conhecido por opiniões de terceiros começaria a ser conhecido pessoalmente por ela.
E aquilo que ainda não era relacionamento começaria, em breve, a caminhar para uma aproximação.
Mas isso aconteceria somente quando chegasse a hora.
Porque, na compreensão espiritual que Ivanildo construiu ao longo de sua própria história, Deus não estava atrasado.
O tempo não havia falhado.
A resposta não havia sido esquecida.
A história não havia sido abandonada.
Ela simplesmente ainda não estava madura.
E quando finalmente chegou o momento de compreender, Ivanildo pôde olhar para trás e perceber que havia uma diferença entre perguntar:
“Por que ainda não aconteceu?”
e aprender a confiar:
“Quando acontecer, será no tempo certo.”
“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.”
— Provérbios 3:5
O tempo de Deus, na história que Ivanildo e Rosinete viveriam, não seria apenas o tempo em que duas pessoas finalmente se encontrariam.
Seria também o tempo em que duas vidas, depois de tantos processos separados, estariam prontas para começar a compreender o propósito que durante anos permanecera oculto.
E foi assim que o tempo deixou de ser apenas espera.
O tempo se tornou parte da própria história.

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