CAPÍTULO 41 — A GRANDE DECEPÇÃO SENTIMENTAL DE 2000
“Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito.”
— Salmos 34:18
O ano de 2000 marcou uma mudança profunda na história de Ivanildo.
Até então, sua vida seguia uma caminhada que já vinha sendo construída havia anos. Desde seu encontro com Jesus Cristo, em 1994, sua trajetória havia sido marcada por busca, serviço, aprendizado, lutas e crescimento espiritual. O jovem que havia chegado à antiga instituição ainda sem compreender muitas coisas havia atravessado anos de experiências que o ensinavam a depender cada vez mais de Deus.
Mas havia uma área de sua vida que ainda carregava uma expectativa diferente.
A vida sentimental.
Ivanildo havia vivido um relacionamento durante aproximadamente sete a oito anos. Era uma parte significativa de sua juventude e de sua história. Foram anos suficientes para criar vínculos, expectativas e uma visão de futuro.
Por isso, quando aquela história chegou ao fim e veio a grande decepção sentimental, não se tratava simplesmente de uma mudança de relacionamento.
Era uma ruptura.
Era uma dor.
Era o encerramento de uma estação que havia ocupado uma parte importante de sua vida.
E foi justamente nesse lugar de dor que começaria uma das fases mais profundas de sua preparação.
Quando aquilo em que se acreditava não permanece
Existem momentos em que a vida não pergunta se estamos preparados para perder alguma coisa.
Ela simplesmente nos coloca diante da perda.
Ivanildo conheceu esse momento.
A decepção sentimental de 2000 tornou-se uma marca de sua trajetória porque atingiu uma área em que ele havia depositado expectativas. O relacionamento que havia durado tantos anos não continuaria.
E, diante disso, ele precisou enfrentar uma realidade que não poderia ser resolvida simplesmente com palavras.
Era necessário tratar o coração.
Era necessário reorganizar a alma.
Era necessário continuar caminhando com Deus quando aquilo que se esperava para a vida sentimental não havia acontecido como se imaginava.
A história não registra aqui os detalhes íntimos daquela decepção porque eles pertencem à esfera pessoal de quem a viveu. O que importa para esta biografia é aquilo que ela produziu na trajetória de Ivanildo.
A dor não encerrou sua caminhada.
Ela abriu uma nova estação.
Segundo sua compreensão espiritual, o Espírito Santo estava conduzindo sua vida para outra direção.
Naquele momento, porém, Ivanildo ainda não sabia qual seria essa direção.
Ele sabia apenas que precisava continuar.
A solidão de quem continuava cheio de Deus
Havia uma aparente contradição naquele período.
Ivanildo estava cheio do Espírito Santo.
Continuava servindo a Deus.
Continuava buscando ao Senhor.
Continuava vivendo sua fé.
Mas, ao mesmo tempo, sentia uma profunda solidão sentimental.
Foi então que passou a compreender de maneira mais intensa aquilo que a própria Palavra apresenta sobre a vida a dois.
Ele começou a desejar ter ao seu lado uma mulher com quem pudesse compartilhar a vida.
Não se tratava apenas de querer deixar de estar sozinho.
Havia dentro dele o desejo de encontrar sua amada.
E foi nesse contexto que começou aquilo que ele posteriormente chamou de sua guerra pela vida sentimental.
A expressão não descrevia simplesmente uma procura humana por um relacionamento.
Para Ivanildo, tornou-se uma busca colocada diante de Deus.
E essa busca mudaria a maneira como ele viveria aquele período.
A guerra começou dentro do coração
Depois da decepção, Ivanildo entrou em uma fase que descreve como um processo de limpeza do coração e da alma.
A expressão é importante porque mostra que o problema não estava apenas naquilo que havia acontecido externamente.
Havia também aquilo que precisava ser trabalhado dentro dele.
Uma decepção sentimental pode terminar uma relação, mas não necessariamente encerra imediatamente todos os sentimentos, expectativas e marcas que aquela relação deixou.
Era necessário atravessar esse processo diante de Deus.
Ivanildo continuou indo às reuniões.
Continuou servindo.
Continuou buscando.
Mas agora carregava uma pergunta muito mais profunda:
Quem Deus tinha preparado para sua vida?
Ele ainda não sabia.
E, naquele momento, não poderia saber.
Hoje, olhando para trás, ele entende que essa ausência de resposta fazia parte do próprio processo.
Naquele período, ele ainda não compreendia que Rosinete estava relacionada à história que Deus estava preparando.
E isso é fundamental para não alterar a verdade histórica.
Ivanildo já havia visto Rosinete desde aproximadamente 1994.
Mas vê-la não significava conhecê-la.
Rosinete ainda não o conhecia pessoalmente naquele período inicial.
Não havia relacionamento entre eles.
Não havia aproximação sentimental.
Não havia uma história de amor acontecendo entre os dois.
O que existia era uma proximidade de caminhos que ainda não havia recebido a revelação do propósito.
Quando a busca ganhou intensidade
A solidão sentimental fez Ivanildo buscar ainda mais a direção de Deus.
Foi nesse contexto que surgiram as Agendas de Guerra.
Elas se tornariam testemunhas escritas daquele período.
Ali ficaram registrados acontecimentos, orações, lutas, pensamentos, propósitos e experiências vividas diante de Deus. Não eram simplesmente cadernos comuns. Tornaram-se documentos de uma estação em que Ivanildo estava colocando diante do Senhor aquilo que carregava no coração.
A história que posteriormente seria conhecida como a história de Ivanildo e Rosinete ainda não estava revelada em sua plenitude.
Mas havia uma busca acontecendo.
Havia oração.
Havia jejum.
Havia madrugadas.
Havia montes.
Havia luta.
E havia um homem tentando compreender diante de Deus o caminho que deveria seguir.
“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará.”
— Salmos 37:5
Foi nesse ambiente de busca que Ivanildo começou a perceber que a questão sentimental não poderia ser tratada apenas como uma necessidade humana.
Era também uma questão de direção.
O perigo de querer preencher a ausência
Quando alguém atravessa uma grande decepção, existe sempre o risco de tentar preencher rapidamente o espaço que ficou vazio.
Ivanildo também precisou lidar com essa realidade.
Em sua busca pela vida sentimental, acabou deixando seu coração gostar de uma pessoa que, segundo sua compreensão posterior, não era sua verdadeira esposa.
Essa parte da história é importante justamente porque não transforma Ivanildo em alguém que sempre soube exatamente o que Deus estava fazendo.
Ele não sabia.
Ele também precisou aprender.
Precisou discernir.
Precisou sofrer.
Precisou descobrir que desejar uma companhia não significava necessariamente saber quem deveria ocupar aquele lugar.
Foi dentro dessa experiência que sua caminhada ganhou ainda mais profundidade.
Ele não estava apenas procurando uma mulher.
Estava aprendendo a entregar a Deus aquilo que desejava.
E esse aprendizado custaria lágrimas, oração e tempo.
O sofrimento no Vasco
Durante esse período, Ivanildo sofreu muito dentro da igreja no Vasco.
Aquele ambiente passou a fazer parte da memória de uma fase difícil de sua vida sentimental.
Mas, mesmo atravessando aquela dor, ele afirma que o Espírito Santo permaneceu com ele.
Essa afirmação é central.
A decepção não significou abandono espiritual.
A dor sentimental não apagou aquilo que Deus já havia construído em sua vida.
O homem que havia conhecido o poder do Espírito Santo continuava buscando ao Senhor.
E, em meio àquilo que não entendia, continuava caminhando.
Foi justamente nessa fase que surgiu a necessidade de tratamento do coração.
Um amigo, que Ivanildo entende ter sido usado pelo Espírito Santo naquele processo, o orientou a participar de uma reunião em Del Castilho, onde poderia passar por um tratamento relacionado àquilo que estava vivendo.
A direção não resolveu tudo de uma vez.
Mas abriu uma nova etapa.
Porque, às vezes, antes de Deus mostrar aquilo que está à frente, Ele trabalha aquilo que ainda está dentro.
Um ano de luta pela vida sentimental
Aquele período não foi breve.
Ivanildo descreve aproximadamente um ano de luta pela vida sentimental.
Um ano de busca.
Um ano de oração.
Um ano de batalha interior.
Um ano em que a expectativa de encontrar sua amada passou a ocupar uma parte importante de sua caminhada diante de Deus.
Depois das reuniões, enquanto outras pessoas iam embora, ele seguia para o chamado Monte da Resposta.
Ali, durante aproximadamente um ano, viveu madrugadas de oração, inclusive por volta das três horas da manhã.
Clamava intensamente a Deus.
Buscava uma resposta.
Aquela fase foi descrita por ele como muito tenebrosa e de intensa batalha.
E as Agendas de Guerra registraram fatos daquele período.
Em uma dessas ocasiões, enquanto orava no Monte da Resposta, Ivanildo relata que veio um vento muito forte, fazendo com que precisasse se proteger atrás de uma grande pedra existente naquele monte.
Não precisamos acrescentar à cena aquilo que não foi registrado.
Basta compreender o que aquele lugar significava para ele.
Era um lugar de busca.
Um lugar de clamor.
Um lugar onde ele colocava diante de Deus a dor e o desejo que carregava.
Quando a dor começa a preparar o futuro
Naquele momento, Ivanildo ainda não sabia que sua história estava caminhando para uma mulher que já fazia parte de seu campo de visão desde os primeiros anos de sua caminhada.
Ele não sabia que Rosinete seria sua esposa.
Não sabia que aquela mulher que havia estado próxima dentro daquele mesmo ambiente teria um dia seu nome ligado ao dele.
Não sabia que aquilo que estava vivendo sentimentalmente faria parte de um processo maior.
E não poderia saber.
Porque a revelação ainda não havia chegado.
Hoje, porém, sua leitura daquele período é diferente.
Depois de tudo o que aconteceu, ele entende que aquela decepção foi seguida por um processo de limpeza, tratamento, busca e preparação.
Não foi simplesmente o fim de um relacionamento.
Foi uma mudança de estação.
A dor retirou algumas certezas.
A oração começou a ocupar novos espaços.
A busca por Deus se intensificou.
E, pouco a pouco, aquilo que parecia apenas uma batalha sentimental começou a se transformar em uma preparação para algo que Ivanildo ainda não conseguia enxergar.
Dois corações que ainda seriam tratados
A história ficaria ainda mais significativa porque Rosinete também passaria por uma decepção sentimental.
Primeiro, Ivanildo atravessou sua experiência.
Depois, Rosinete atravessaria a dela.
E assim, em momentos diferentes, os dois chegaram a um período em que carregavam feridas sentimentais.
Eles ainda não sabiam disso como parte de uma mesma história.
Não havia entre eles uma conversa que explicasse tudo.
Não havia uma consciência comum de que seus caminhos estavam sendo conduzidos para um encontro.
Mas, segundo o testemunho de Ivanildo, foi justamente depois dessas experiências que o Espírito Santo começou a alinhar as duas histórias de uma maneira que ele considera sobrenatural.
A aproximação que ainda não havia acontecido começaria a se tornar possível.
O que antes era apenas proximidade começaria a caminhar para reconhecimento.
Mas isso ainda viria.
Naquele momento, havia primeiro uma coisa a ser feita:
tratar o coração.
A decepção não foi o último capítulo
Uma grande decepção sentimental pode produzir a sensação de que alguma coisa terminou para sempre.
Para Ivanildo, entretanto, 2000 não seria o último capítulo de sua vida sentimental.
Seria uma porta para uma nova estação.
Ele ainda não sabia o nome da mulher que viria a ser sua esposa.
Ainda não compreendia por que havia visto Rosinete durante tantos anos sem que houvesse aproximação.
Ainda não entendia por que determinadas portas não haviam se aberto antes.
Ainda não sabia que o tempo que parecia tão longo fazia parte da própria construção da história.
Mas continuava buscando.
Continuava orando.
Continuava indo aos montes.
Continuava acordando de madrugada.
Continuava escrevendo.
Continuava colocando sua vida diante de Deus.
E, acima de tudo, continuava caminhando.
“Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.”
— Filipenses 1:6
Hoje, quando Ivanildo olha para a grande decepção sentimental de 2000, ele não a descreve apenas como aquilo que perdeu.
Ele a reconhece como uma das estações que o prepararam para aquilo que ainda não conhecia.
Aquele ano marcou uma ferida.
Mas também marcou uma transição.
O relacionamento de aproximadamente sete ou oito anos havia chegado ao fim.
A solidão sentimental havia se tornado mais intensa.
A busca pela vida sentimental havia começado.
O coração precisou passar por tratamento.
As Agendas de Guerra começaram a guardar uma parte daquela caminhada.
As madrugadas e os montes se tornaram lugares de clamor.
E, enquanto Ivanildo ainda perguntava a Deus onde estava sua resposta, a mulher que um dia seria sua esposa continuava existindo dentro da mesma história que ele ainda não compreendia.
O encontro ainda não havia acontecido.
A revelação ainda não havia chegado.
O amor ainda não havia sido reconhecido.
Mas a história continuava avançando.
E aquilo que naquele momento parecia apenas uma grande decepção sentimental começaria, com o passar do tempo, a revelar-se como uma das páginas que antecederam o grande encontro de duas vidas.

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