CAPÍTULO 43 — O CORAÇÃO PRECISOU SER TRATADO

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”
— Provérbios 4:23

Depois da grande decepção sentimental, Ivanildo compreendeu que não bastava continuar vivendo.

Era preciso tratar o coração.

A vida havia continuado do lado de fora, mas dentro dele existia uma história que ainda precisava ser colocada diante de Deus.

A decepção havia terminado uma etapa, mas não encerrara automaticamente tudo aquilo que aquela etapa havia produzido.

Por isso, começou um período diferente.

Não era mais somente o tempo da dor.

Era o tempo do tratamento.

O coração ferido

Ivanildo estava cheio do Espírito Santo, mas estava ferido sentimentalmente.

Essas duas realidades coexistiam.

Sua comunhão com Deus não havia desaparecido por causa da decepção. Pelo contrário, foi justamente dentro de sua caminhada com Deus que ele começou a compreender que precisava permitir um tratamento mais profundo.

Ele não queria simplesmente esquecer.

Queria ser transformado pela experiência.

A dor precisava deixar de controlar sua vida.

O passado precisava ocupar o seu devido lugar.

E o futuro precisava voltar a pertencer a Deus.

Foi nesse contexto que Ivanildo começou a buscar respostas para sua vida sentimental com uma intensidade que marcaria profundamente aquele período.

O início do tratamento

Em sua caminhada, um amigo o direcionou para uma reunião em Del Castilho, onde Ivanildo poderia passar por um tratamento do coração.

Ele passou a frequentar aquelas reuniões e permaneceu aproximadamente um ano com fidelidade, seguindo as orientações que recebia. Entre as pessoas que ficaram registradas nessa fase está o Bispo Fernando, além de outros líderes.

Aquele tratamento não aconteceu de uma única vez.

Foi um processo.

Semana após semana.

Busca após busca.

O coração precisava ser trabalhado enquanto a vida continuava acontecendo.

E Ivanildo permaneceu.

Quando permanecer também é tratamento

Existe uma diferença entre procurar uma resposta e permanecer até que o processo produza seus frutos.

Ivanildo precisou aprender essa diferença.

Ele não tinha diante de si uma solução imediata para sua vida sentimental.

Tinha um caminho.

E esse caminho exigia fidelidade.

As reuniões em Del Castilho tornaram-se parte dessa caminhada. A busca deixou de ser apenas uma reação à dor e passou a assumir a forma de um propósito.

Ivanildo estava colocando sua vida sentimental diante de Deus.

Não queria simplesmente substituir uma pessoa por outra.

Queria compreender o que Deus desejava para sua vida.

Esse detalhe seria fundamental para tudo o que aconteceria posteriormente.

O voto

Durante aquele processo, Ivanildo realizou um dos maiores votos de sua vida.

Segundo seu relato, o voto envolvia três áreas:

espiritual, sentimental e financeira.

Embora a luta principal daquele período estivesse relacionada à vida sentimental, Ivanildo compreendia que sua vida não poderia ser dividida em compartimentos diante de Deus.

Era necessário entregar tudo.

Ele trabalhou para conseguir o dinheiro destinado ao voto.

Inicialmente, havia pensado em aproximadamente duzentos reais. Depois, ao separar vinte reais para o dízimo, o valor efetivamente destinado ao voto ficou em cento e oitenta reais.

A situação chegou a um ponto em que ele ficou sem dinheiro para retornar para casa.

Tinha apenas o valor necessário para chegar a Del Castilho.

Então orou.

Precisava confiar que encontraria uma maneira de voltar.

No dia do voto, chegou à igreja e, ao chegar ao altar, declarou:

“Está consumado. Minha vitória!”

Aquela declaração fazia parte da fé com que estava vivendo aquele propósito.

A prova da fidelidade

O tratamento do coração também passou por momentos de prova.

Ivanildo relata que, durante aquele processo, enfrentou uma forte tentação.

Sua referência para compreender aquela experiência foi a história de José.

Não porque sua história fosse igual à de José, mas porque encontrou naquela narrativa bíblica uma referência para permanecer fiel diante de uma situação que colocava à prova aquilo que havia decidido diante de Deus.

A questão não era simplesmente vencer uma circunstância.

Era permanecer fiel ao propósito.

A dor havia ensinado que o coração precisava de tratamento.

Agora, o tratamento exigia fidelidade.

Um ano diante de Deus

A busca não ficou limitada às reuniões.

Depois delas, enquanto outras pessoas voltavam para suas casas, Ivanildo seguia para o Monte da Resposta.

Ali continuava sua busca.

Durante aproximadamente um ano, viveu madrugadas de oração, inclusive por volta das três horas da manhã.

Clamava intensamente a Deus.

Ele descreve aquele período como muito tenebroso e de intensa batalha.

As Agendas de Guerra registraram parte dessa caminhada, guardando pensamentos, orações, lutas e propósitos daquele período.

Assim, o tratamento do coração não era apenas uma expressão.

Era uma rotina.

Era disciplina.

Era busca.

Era perseverança.

O Monte da Resposta

O nome daquele lugar passou a carregar um significado especial para Ivanildo: Monte da Resposta.

Ali ele não estava apenas procurando uma solução sentimental.

Estava aprendendo a permanecer diante de Deus enquanto a resposta ainda não havia chegado.

Em uma dessas madrugadas, enquanto orava, veio um vento muito forte.

Ivanildo precisou se proteger atrás de uma grande pedra existente no monte.

A experiência ficou registrada em sua memória como parte daquele período intenso.

Mas o centro daquela história não está no vento.

Está no homem que continuou buscando mesmo quando a resposta ainda não havia chegado.

Essa é uma das marcas daquele período.

Ele não sabia exatamente quando a resposta viria.

Mas continuava.

Quando Deus tratava aquilo que ninguém via

Um coração ferido pode continuar funcionando por fora enquanto precisa de tratamento por dentro.

Ivanildo continuava trabalhando.

Continuava servindo.

Continuava buscando a Deus.

Continuava vivendo.

Mas havia uma área que exigia atenção especial.

Sua vida sentimental.

Por isso, aquele tratamento era tão importante.

Deus não estava sendo procurado apenas para trazer uma resposta.

Ivanildo precisava também estar preparado para receber aquilo que esperava.

Essa compreensão somente se tornaria mais clara com o passar do tempo.

Naquele momento, havia apenas uma decisão:

continuar buscando.

O que Ivanildo ainda não sabia

Enquanto Ivanildo vivia aquele processo, Rosinete também estava atravessando sua própria história.

Ela ainda não fazia parte da vida sentimental dele.

Não havia relacionamento entre os dois.

Não havia aproximação.

Cada um estava vivendo sua própria caminhada.

Mais tarde, Ivanildo descobriria que Rosinete também havia passado por uma decepção sentimental.

Primeiro ele.

Depois ela.

Essa informação torna aquele período ainda mais significativo quando visto retrospectivamente.

Dois corações haviam passado por experiências dolorosas separadamente.

Nenhum dos dois estava vivendo aquilo como parte de uma história conjunta.

Mas, posteriormente, Ivanildo compreenderia aquela sequência dentro daquilo que considera a ação do Espírito Santo no alinhamento de suas histórias.

Isso deve ser contado como aquilo que ele passou a compreender depois — não como algo que eles soubessem naquele momento.

A disciplina de esperar

O tratamento do coração ensinou Ivanildo uma das coisas mais difíceis da vida espiritual: esperar.

Esperar sem abandonar a fé.

Esperar sem abandonar o propósito.

Esperar sem permitir que a solidão decidisse por ele.

Esperar sem transformar qualquer possibilidade em resposta.

Ele precisava aprender que desejar uma companheira não significava estar autorizado a escolher qualquer caminho para deixar de estar sozinho.

O coração precisava ser tratado justamente para que o desejo não se transformasse em precipitação.

E foi nesse lugar que a espera ganhou outro significado.

Esperar deixou de ser simplesmente não receber.

Passou a ser uma forma de obedecer.

“Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor.”
— Salmos 27:14

As páginas de uma guerra que ninguém via

As Agendas de Guerra se tornaram testemunhas silenciosas daquele período.

Cada página representava uma parte da caminhada.

Nelas estavam os registros de uma vida que buscava respostas enquanto ainda atravessava perguntas.

Elas seriam, posteriormente, documentos importantes para reconstruir essa fase da história.

Porque há momentos que a memória humana consegue guardar apenas de maneira fragmentada.

Mas aquilo que foi escrito permanece como testemunho de uma época.

Antes que alguém pudesse compreender o que estava acontecendo, Ivanildo já havia colocado diante de Deus seus pensamentos, suas lutas, seus propósitos e sua esperança.

As agendas guardaram aquilo.

O coração preparado para uma nova estação

O tratamento não transformou imediatamente todas as circunstâncias.

Mas transformou a maneira como Ivanildo enfrentava aquelas circunstâncias.

Ele aprendeu a buscar sem saber.

A permanecer sem enxergar.

A esperar sem possuir.

A confiar sem controlar.

E, principalmente, aprendeu que a vida sentimental não poderia ocupar o lugar que pertencia a Deus.

Seu coração precisava estar livre para amar, mas também precisava estar submetido ao Senhor.

Essa preparação seria indispensável para o que viria.

Porque o próximo capítulo da vida sentimental de Ivanildo não seria simplesmente o encontro com alguém.

Seria o encontro entre duas histórias que ainda estavam sendo trabalhadas separadamente.

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito reto.”
— Salmos 51:10

O coração de Ivanildo havia sido ferido.

Agora estava sendo tratado.

E enquanto ele ainda lutava para compreender o futuro, Deus continuava conduzindo a história.

A resposta ainda não havia chegado.

Mas o coração estava sendo preparado para recebê-la.