CAPÍTULO 44 — A ORIENTAÇÃO DE UM AMIGO ALEXANDRE

“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.”
— Provérbios 3:5

Havia momentos na vida de Ivanildo em que a resposta não chegava diretamente por aquilo que ele esperava. Às vezes, ela vinha por meio de uma pessoa, de uma palavra, de uma orientação simples que, naquele instante, poderia parecer apenas uma sugestão humana, mas que, olhando para trás, ganharia outro significado.

Foi assim que apareceu Alexandre.

Alexandre era seu amigo da antiga instituição. Não era alguém que surgira de fora da sua caminhada. Ele fazia parte daquele ambiente que já conhecia Ivanildo, sua fé, suas lutas e também o período difícil que ele atravessava.

Ivanildo vinha de uma grande decepção sentimental.

Seu coração estava ferido. Havia solidão, perguntas e uma necessidade profunda de compreender o que estava acontecendo dentro de sua própria vida. Ele continuava buscando a Deus, permanecia ligado ao Espírito Santo e não havia abandonado sua fé. Mas havia uma área da sua vida que precisava ser tratada.

Não bastava simplesmente seguir adiante.

Era necessário cuidar do coração.

E foi justamente nesse período que Alexandre lhe deu uma orientação que se tornaria importante na história.

Ele o orientou a ir a uma reunião em Del Castilho, onde Ivanildo poderia passar por um tratamento do coração.

A orientação era simples.

Mas o momento não era simples.

Ivanildo estava vivendo uma estação em que sua vida sentimental havia sido profundamente afetada. A dor não poderia ser ignorada, e ele começou a compreender que existiam feridas interiores que precisavam ser enfrentadas diante de Deus.

Segundo sua compreensão espiritual, não foi apenas Alexandre quem o conduziu àquele caminho.

Ivanildo entende que o Espírito Santo usou Alexandre para orientá-lo.

Essa distinção é importante.

Alexandre era o amigo que fez a orientação. Mas, na compreensão de Ivanildo, por trás daquela orientação estava uma direção maior: a vontade do Espírito Santo para aquele momento de sua vida.

Ele precisava chegar a Del Castilho.

Precisava entrar naquele processo.

Precisava tratar o coração.

E, sem saber ainda tudo o que aquela estação produziria, começou a caminhar nessa direção.


Há momentos em que Deus não entrega imediatamente à pessoa a compreensão completa do que está fazendo.

Primeiro vem o passo.

Depois vem o entendimento.

Primeiro vem a obediência.

Depois, muitas vezes, a pessoa olha para trás e percebe o significado de determinadas decisões.

Para Ivanildo, a ida a Del Castilho se tornou exatamente uma dessas experiências.

Ele não estava indo simplesmente participar de mais uma reunião.

Estava entrando em uma fase de tratamento interior.

O amigo Alexandre foi uma peça importante nesse movimento porque sua orientação colocou Ivanildo diante de uma oportunidade de enfrentar aquilo que estava acontecendo em sua alma.

E Ivanildo decidiu seguir.

Não porque tudo estivesse claro.

Mas porque precisava de Deus.

Aquela decisão abriria uma estação marcada por perseverança, reuniões, oração, disciplina e busca.

Posteriormente, Ivanildo relataria que permaneceu naquele processo por muitos meses, seguindo fielmente as orientações recebidas. Ele também se recordaria de líderes que fizeram parte daquela caminhada, entre eles o Bispo Fernando.

Aquele período seria muito mais profundo do que uma simples mudança de ambiente.

Era uma preparação.

O coração que havia sido ferido precisava encontrar novamente equilíbrio diante de Deus.


“Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor.”
— Salmos 27:14

Ivanildo aprendeu, naquele período, que tratar o coração também significava aprender a esperar.

Esperar sem abandonar a fé.

Esperar sem permitir que a dor definisse o futuro.

Esperar sem tentar preencher rapidamente o espaço deixado por uma decepção.

Foi uma estação de disciplina.

Houve oração.

Houve busca.

Houve madrugadas.

Houve jejuns.

Houve propósitos.

E houve também as Agendas de Guerra, nas quais ficaram registrados acontecimentos, pensamentos, lutas e propósitos daquele período.

Depois das reuniões, Ivanildo seguia para o Monte da Resposta. Em determinadas madrugadas, por volta das três horas, permanecia em oração, clamando a Deus.

Aquela fase foi intensa.

Ele a descreve como uma batalha muito profunda.

Em uma dessas ocasiões, enquanto estava no monte, enfrentou um vento muito forte e precisou se proteger atrás de uma grande pedra.

Mas, independentemente da interpretação espiritual que hoje faz daqueles acontecimentos, existe algo que permanece historicamente claro: Ivanildo continuou buscando.

Ele não abandonou o processo.

Não desistiu no meio do caminho.

Continuou.


Foi também nesse período que Ivanildo viveu um dos maiores votos de sua vida.

O propósito envolvia três áreas: a espiritual, a sentimental e a financeira. Embora sua luta principal naquela estação estivesse relacionada à vida sentimental, ele compreendia que sua vida diante de Deus precisava permanecer no centro.

Em determinado momento, trabalhou para conseguir o valor necessário.

O valor destinado ao voto ficou em R$ 180, depois que separou R$ 20 referentes ao dízimo.

E surgiu uma circunstância que poderia ter interrompido aquele propósito: depois de separar o dinheiro, Ivanildo ficou sem recursos suficientes para retornar para casa.

Tinha o dinheiro para ir até Del Castilho, mas não tinha o necessário para voltar.

Então orou.

Pediu que Deus providenciasse alguém que pudesse ajudá-lo.

Ele foi.

Chegou à igreja.

E, diante do altar, declarou:

“Está consumado. Minha vitória!”

Para Ivanildo, aquele momento representava muito mais do que a entrega de um valor.

Era uma expressão de fé.

Era a continuidade de uma guerra espiritual que ele vinha travando pela sua vida sentimental.

Era também a demonstração de que, mesmo ferido, ele continuava colocando sua confiança em Deus.


Alexandre talvez não pudesse imaginar, naquele primeiro momento, a dimensão que aquela orientação teria na vida de seu amigo.

Ele apenas o orientou a ir a uma reunião.

Mas Ivanildo foi.

E, para ele, aquela ida se transformou em uma das etapas de um longo processo de tratamento interior.

Anos depois, olhando para trás, Ivanildo consegue enxergar aquela sequência de acontecimentos de maneira diferente.

A decepção havia acontecido.

O coração havia sido ferido.

A solidão havia chegado.

Depois veio a busca.

Depois, a orientação.

Depois, Del Castilho.

Depois, meses de perseverança, oração, vigílias, jejuns, propósitos e Agendas de Guerra.

E, no meio de tudo isso, havia pessoas que participaram da história.

Uma delas foi Alexandre.

Não como protagonista daquilo que Deus faria, mas como alguém que, segundo o testemunho de Ivanildo, foi usado pelo Espírito Santo para apontar um caminho naquele momento.

E isso tem um significado especial na história.

Porque, muitas vezes, a pessoa que entrega uma orientação não sabe até onde aquela palavra chegará.

Alexandre orientou.

Ivanildo obedeceu.

E a história continuou.


O tratamento do coração ainda não havia terminado.

A resposta ainda não havia chegado.

Ivanildo ainda não conhecia toda a dimensão do que estava sendo preparado.

Rosinete também ainda estava vivendo sua própria história, atravessando seus próprios processos e enfrentando, posteriormente, sua própria decepção sentimental.

As duas histórias ainda não haviam se encontrado da maneira que um dia se encontrariam.

Mas Ivanildo já estava entrando em uma estação diferente.

O que começou com uma orientação de um amigo tornou-se, em sua compreensão, parte de uma preparação conduzida pelo Espírito Santo.

Alexandre foi o homem que apontou o caminho.

Del Castilho tornou-se o lugar daquele tratamento.

E o coração de Ivanildo entrou em uma escola que ele jamais esqueceria.

Porque antes que viesse a resposta sentimental, havia uma obra que precisava acontecer dentro dele.

Antes do encontro, veio o tratamento.

Antes da revelação, veio a preparação.

Antes de compreender quem seria sua verdadeira amada, Ivanildo precisou aprender novamente a entregar seu coração completamente a Deus.

E, olhando para trás, ele reconhece que aquela simples orientação de Alexandre marcou o começo de uma das estações mais profundas de sua caminhada.

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.”
— Salmos 51:10