CAPÍTULO 47
UM ANO DE JEJUM
“Mas tu, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto.”
— Mateus 6:17
Há períodos da vida que podem ser medidos por acontecimentos. Outros precisam ser medidos pelaquilo que uma pessoa decidiu fazer enquanto os acontecimentos ainda não haviam mudado.
Aquele foi um desses períodos.
Depois da grande decepção sentimental de 2000, Ivanildo não entrou simplesmente em uma fase de espera. Entrou em uma fase de busca. O tratamento da alma havia começado, o coração precisava ser trabalhado e, dentro daquela caminhada, o jejum passou a ocupar um lugar central.
Não se tratava de uma decisão tomada por alguns dias apenas.
O que ficou registrado na história foi a experiência de um ano de busca marcada por jejuns, oração, madrugadas e perseverança. O jejum tornou-se parte da disciplina daquele período, associado diretamente ao desejo de encontrar direção para sua vida sentimental.
Ivanildo estava vivendo uma situação particularmente difícil: queria uma esposa, mas não queria simplesmente encontrar alguém. Seu desejo era encontrar uma mulher que compartilhasse do mesmo propósito de vida e da mesma caminhada com Deus.
Essa diferença era fundamental.
Ele não estava apenas procurando companhia para diminuir a solidão. Dentro da compreensão espiritual que foi construindo naquele período, precisava aprender a esperar por uma resposta que não fosse produzida somente pela vontade humana.
E esperar, para ele, significava continuar buscando.
A decisão de continuar
O jejum não apareceu isoladamente.
Ele caminhava junto com a oração, com a frequência às reuniões, com as madrugadas e com aquilo que posteriormente seria registrado nas Agendas de Guerra.
A busca não terminava quando uma reunião acabava.
Segundo seu relato, enquanto outras pessoas deixavam o local, Ivanildo seguia para o chamado Monte da Resposta. Ali continuava sua busca, muitas vezes durante a madrugada, inclusive por volta das três horas.
Isso ajuda a compreender o que significava aquele jejum dentro de sua história.
Não era simplesmente deixar de comer.
Era permanecer.
Era voltar a buscar quando a resposta ainda não havia chegado.
Era continuar orando quando o coração ainda carregava perguntas.
Era sustentar uma decisão espiritual durante um período em que as circunstâncias externas ainda não ofereciam a confirmação que ele desejava.
O jejum fazia parte dessa permanência.
A disciplina
Existe uma diferença entre começar alguma coisa e permanecer nela.
Começar pode depender de entusiasmo. Permanecer exige disciplina.
E aquele período exigiu disciplina.
Ivanildo precisava trabalhar, viver sua rotina, participar das reuniões e, ao mesmo tempo, manter uma vida de busca espiritual que não se limitava aos momentos públicos.
Ele estava sendo tratado por dentro.
O jejum, nesse contexto, tornou-se também uma forma de organizar sua própria vida diante de Deus. A busca sentimental não poderia ocupar o lugar da busca espiritual. A necessidade de uma esposa não poderia se transformar em uma ansiedade capaz de fazê-lo aceitar qualquer resposta.
Era necessário continuar.
E foi exatamente isso que marcou aquela estação.
“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus.”
— Salmos 46:10
A disciplina daquele período não significava ausência de sofrimento.
Pelo contrário.
O próprio relato de Ivanildo descreve aquela fase como um período muito difícil, de intensa batalha e de grande solidão sentimental.
O jejum acontecia dentro dessa realidade.
Não era uma disciplina praticada em uma vida sem problemas. Era uma disciplina praticada justamente quando havia problemas.
Jejuar enquanto o coração esperava
A vida sentimental tinha se tornado uma questão importante para Ivanildo.
Depois de tantos anos de caminhada com Deus, ele chegou a compreender, a partir da própria leitura das Escrituras, que não era bom que o homem vivesse só. A partir daí, passou a desejar sua companheira ao lado. Foi nesse contexto que começou aquilo que ele posteriormente chamaria de sua guerra pela vida sentimental.
Mas havia uma questão que precisava ser resolvida primeiro:
quem seria essa mulher?
Essa pergunta não era respondida pela pressa.
E, dentro da compreensão que Ivanildo desenvolveu posteriormente, o Espírito Santo não estava apenas levando-o até uma pessoa. Estava conduzindo um processo de tratamento, discernimento e preparação.
Por isso o jejum precisava continuar.
Ele buscava uma resposta, mas também precisava estar preparado para reconhecê-la.
Essa distinção se tornaria fundamental mais tarde.
Naquele momento, porém, Ivanildo ainda não conhecia toda a história que estava sendo construída.
Ele sabia apenas que precisava continuar diante de Deus.
Um propósito que envolvia mais do que o sentimental
Durante aquele período, Ivanildo também fez um dos maiores votos de sua vida.
Segundo seu relato, esse voto envolvia três áreas: espiritual, sentimental e financeira, embora o centro daquela luta fosse a vida sentimental. O valor que conseguiu separar para o voto foi de R$ 180, depois de separar R$ 20 para o dízimo.
Esse episódio mostra como aquela caminhada alcançava diferentes dimensões de sua vida.
O jejum não estava separado da fé.
A oração não estava separada da disciplina.
O propósito sentimental não estava separado da vida espiritual.
Tudo estava acontecendo dentro de uma mesma estação.
E, quando chegou ao altar naquele dia, depois de toda aquela caminhada, Ivanildo declarou:
“Está consumado. Minha vitória!”
A frase não significava que todos os acontecimentos posteriores já estivessem visíveis naquele instante.
Era a expressão da fé de um homem que havia decidido concluir diante de Deus aquilo que havia assumido.
A perseverança quando ninguém via
Existe uma parte da perseverança que acontece diante das pessoas.
Outra acontece quando ninguém está olhando.
As reuniões eram públicas. O monte, as madrugadas, as orações e os momentos pessoais de busca pertenciam a uma dimensão muito mais reservada daquela história.
E foi justamente nessa dimensão que o jejum ganhou profundidade.
Ivanildo não estava construindo uma imagem para outras pessoas.
Estava vivendo um processo.
As Agendas de Guerra posteriormente preservariam registros daquela caminhada: acontecimentos, pensamentos, orações, lutas, propósitos e experiências vividas diante de Deus.
Assim, o jejum não ficou apenas na memória.
Ele passou a fazer parte de uma história documentada.
Cada período de busca, cada madrugada, cada oração e cada propósito compunham uma caminhada que, naquele momento, ainda não revelava completamente onde terminaria.
Quando o jejum deixou de ser apenas uma prática
Com o passar do tempo, aquela disciplina começou a significar mais do que abstinência.
Tornou-se perseverança.
Tornou-se renúncia.
Tornou-se uma maneira de dizer, repetidamente, que Ivanildo não abandonaria sua busca simplesmente porque a resposta estava demorando.
A grande prova não era apenas começar a jejuar.
Era continuar buscando quando o tempo passava.
Era permanecer quando a emoção diminuía.
Era não permitir que a solidão determinasse uma escolha.
Era não trocar uma resposta esperada por uma resposta fácil.
E isso explica por que o período ficou tão profundamente marcado em sua memória.
O jejum acompanhou um processo que durou aproximadamente um ano de busca fiel nas reuniões e que também foi acompanhado por madrugadas, montes e oração intensa. Segundo seu relato, o Bispo Fernando havia afirmado que, até o final daquele ano, Deus responderia.
A resposta, entretanto, não chegou da maneira como talvez pudesse ser imaginada no início.
Antes dela, houve transformação.
Antes da aproximação, houve preparação.
Antes de enxergar claramente a mulher que faria parte de sua história, Ivanildo precisou atravessar um período em que sua maior tarefa era continuar diante de Deus.
O jejum e a formação de um homem
Hoje, olhando para trás, Ivanildo consegue compreender aquele período de maneira diferente.
Na época, ele queria uma resposta.
Com o passar dos anos, passou a perceber também o processo.
O jejum fazia parte desse processo.
Não porque o jejum pudesse obrigar Deus a fazer alguma coisa, mas porque, dentro de sua experiência de fé, aquela disciplina o mantinha em busca, em oração e dependência.
Ele estava aprendendo a esperar.
Estava aprendendo a discernir.
Estava aprendendo a lidar com a própria vontade.
Estava aprendendo que uma grande resposta exigia também um coração preparado para recebê-la.
E havia algo que ele ainda não sabia completamente:
a mulher pela qual ele tanto buscava a Deus já estava dentro da própria história.
Rosinete estava vivendo seu próprio processo.
Ivanildo estava vivendo o dele.
Os dois ainda não compreendiam o que estava sendo construído.
Mas, dentro do testemunho de Ivanildo, o Espírito Santo estava conduzindo os acontecimentos até o momento em que os olhos de ambos começariam a enxergar aquilo que antes permanecia oculto.
O jejum, portanto, não foi um episódio isolado.
Foi parte de uma longa preparação.
Permanecer
Um ano de jejum não pode ser contado apenas pelo número de dias.
Precisa ser contado pelas vezes em que alguém teve vontade de desistir e continuou.
Pelas madrugadas em que a resposta ainda não havia chegado.
Pelas orações feitas quando ninguém mais sabia o que estava acontecendo.
Pelos montes.
Pelos votos.
Pelas lutas.
Pela disciplina.
Pela decisão de permanecer fiel.
A história daquele ano não foi a história de um homem que simplesmente jejuou.
Foi a história de um homem que continuou buscando.
E, enquanto Ivanildo buscava uma esposa, Deus, segundo sua compreensão daquele processo, estava trabalhando algo muito mais profundo: preparando-o para reconhecer a mulher que já fazia parte de sua história sem que ele ainda soubesse como essa história terminaria.
“Os que esperam no Senhor renovarão as suas forças.”
— Isaías 40:31
O ano passou.
A busca continuou.
As páginas foram sendo escritas.
As madrugadas se acumularam.
Os jejuns fizeram parte daquele caminho.
E, quando parecia que a espera já havia alcançado seu limite, outro cenário começaria a ganhar importância: o lugar onde tantas dessas madrugadas foram vividas.
O lugar que receberia um nome que, para Ivanildo, carregaria um significado especial.
O Monte da Resposta.

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