CAPÍTULO 48

O MONTE DA RESPOSTA

“Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.”
— Salmos 40:1

Havia lugares que faziam parte da rotina.

E havia lugares que, com o passar do tempo, adquiriam um significado que ultrapassava sua localização.

Para Ivanildo, naquele período da vida, um desses lugares passou a ser conhecido como Monte da Resposta.

O nome não nasceu de uma paisagem, de uma construção ou de alguma característica especial do lugar. Nasceu daquilo que ele estava buscando ali.

Uma resposta.

Depois da grande decepção sentimental que havia marcado o ano de 2000, Ivanildo atravessava uma estação de tratamento interior. Seu coração precisava ser tratado, sua vida sentimental estava diante de Deus e sua busca havia se tornado intensa.

Ele não queria simplesmente sair daquela situação.

Queria compreender.

Queria uma direção.

Queria saber o que Deus tinha preparado para sua vida.

E, dentro daquela caminhada, o monte passou a ocupar um lugar especial.

Depois das reuniões

A busca não terminava quando terminava uma reunião.

Segundo seu relato, enquanto outras pessoas iam embora, Ivanildo seguia para o Monte da Resposta.

Essa informação, aparentemente simples, revela muito sobre aquele período.

Havia uma diferença entre participar de uma reunião e continuar buscando depois que todos haviam partido.

A reunião tinha seu horário.

O monte não parecia ter.

Ali não havia a mesma movimentação das pessoas, nem a estrutura de uma reunião pública. Havia apenas aquele homem levando consigo suas perguntas, sua fé, seus jejuns, suas lutas e o desejo de encontrar uma resposta.

Ele continuava.

E continuava porque ainda não tinha recebido aquilo que procurava.

O monte passou, então, a fazer parte da rotina daquela espera.

As madrugadas

A noite tem uma característica particular na memória de quem atravessa períodos difíceis.

Quando a cidade silencia, aquilo que está dentro do coração pode parecer ainda mais intenso.

Ivanildo relata que passou por muitas madrugadas de oração durante aproximadamente aquele ano de busca, inclusive em momentos por volta das três horas da manhã.

Não era uma busca ocasional.

Era perseverante.

Havia dias de trabalho, reuniões, responsabilidades e vida normal.

Mas havia também aquelas horas em que ele se retirava para buscar a Deus.

A madrugada se tornou parte daquela história.

E o monte se tornou cenário dessa busca.

Ali, Ivanildo clamava intensamente a Deus para que o ajudasse.

Não podemos saber tudo aquilo que passava pela sua mente em cada uma dessas noites. A verdade histórica nos permite afirmar aquilo que foi contado e preservado: ele estava buscando, orando e esperando uma resposta para sua vida.

O restante pertence à intimidade daquele homem com Deus.

Um lugar de espera

O nome Monte da Resposta carregava, portanto, uma expectativa.

Mas havia uma contradição aparente naquele nome:

o lugar tinha o nome da resposta, enquanto a resposta ainda não havia chegado.

Talvez justamente por isso o nome tenha se tornado tão significativo.

Ele não estava ali porque já possuía a resposta.

Estava ali porque acreditava que precisava continuar buscando.

A espera transformava o próprio lugar.

Cada ida ao monte era uma repetição da mesma decisão:

continuar.

Continuar quando não havia novidade.

Continuar quando o coração estava cansado.

Continuar quando a vida sentimental ainda permanecia sem solução.

Continuar quando a resposta parecia distante.

O monte não eliminava a espera.

Ele se tornou o lugar onde Ivanildo aprendia a atravessá-la.

“A minha alma, de noite, te deseja; e, pelo meu espírito dentro de mim, madrugarei a buscar-te.”
— Isaías 26:9

O monte e a vida sentimental

É importante compreender o que estava por trás daquela busca.

Ivanildo não estava subindo ao monte por uma curiosidade religiosa.

Havia uma questão muito concreta em seu coração: sua vida sentimental.

Depois de uma grande decepção, ele havia passado a enfrentar uma profunda solidão sentimental, mesmo continuando cheio do Espírito Santo. A partir de sua compreensão da Palavra, passou a desejar ter sua amada ao seu lado. Foi nesse contexto que começou aquilo que posteriormente identificaria como sua guerra pela vida sentimental.

Por isso, quando subia ao monte, levava consigo uma pergunta que não era pequena.

Ele desejava uma esposa.

Mas, conforme sua própria compreensão daquele período foi amadurecendo, percebeu que não bastava desejar alguém.

Era necessário encontrar a pessoa certa.

E essa busca exigia discernimento.

O monte tornou-se, então, parte de um processo maior: não apenas pedir, mas aprender a esperar.

Um ano de busca

O relato registra aproximadamente um ano de fidelidade às reuniões e de intensa busca, seguindo as orientações recebidas. O Bispo Fernando foi uma das pessoas mencionadas nesse período e, segundo o testemunho de Ivanildo, afirmou que até o final daquele ano Deus responderia.

Aquela palavra alimentava a esperança.

Mas esperança não significa ausência de luta.

O próprio Ivanildo descreve aquele período como muito tenebroso e de intensa batalha.

Era justamente aí que a perseverança adquiria valor.

Ele não estava esperando em circunstâncias perfeitas.

Estava esperando dentro de uma estação difícil.

O jejum fazia parte da busca.

A oração fazia parte da busca.

As madrugadas faziam parte da busca.

O monte fazia parte da busca.

E tudo isso acontecia enquanto a resposta ainda permanecia fora do alcance dos seus olhos.

Quando o lugar também guarda memória

Anos depois, quando Ivanildo olha para aquela época, o Monte da Resposta não é lembrado apenas como um local onde ele esteve.

É lembrado como parte de uma estação.

As Agendas de Guerra preservaram registros daquela caminhada: orações, pensamentos, lutas, propósitos e acontecimentos vividos diante de Deus.

Isso confere àquele período uma característica especial.

Não se trata somente de uma lembrança reconstruída décadas depois.

Existem registros contemporâneos daquela caminhada.

Os cadernos e agendas se tornaram documentos da memória de um período que antecedeu a aproximação definitiva entre Ivanildo e Rosinete.

O monte, portanto, pertence à história não apenas pela lembrança.

Pertence também porque foi parte do contexto em que aquelas páginas começaram a ser escritas.

A noite, o silêncio e a perseverança

Há algo profundamente humano em continuar procurando quando ainda não se sabe exatamente o que será encontrado.

Ivanildo conhecia sua necessidade.

Conhecia sua solidão.

Conhecia sua fé.

Mas ainda não conhecia toda a resposta.

E essa diferença é importante.

Hoje, olhando para trás, ele sabe que Rosinete faria parte de sua vida.

Naquele período, entretanto, essa história ainda não estava diante dos seus olhos da maneira como posteriormente estaria.

O processo precisava acontecer.

O tempo precisava passar.

O coração precisava ser tratado.

E, segundo sua compreensão espiritual, o Espírito Santo precisava conduzir cada etapa.

Por isso, o monte não deve ser apresentado como um lugar mágico onde respostas eram automaticamente recebidas.

Era um lugar de busca.

Um lugar onde Ivanildo orava.

Um lugar onde esperava.

Um lugar onde perseverava.

E, sobretudo, um lugar onde colocava diante de Deus aquilo que não conseguia resolver sozinho.

O vento

Em uma dessas ocasiões, enquanto estava no Monte da Resposta, Ivanildo relata que surgiu um vento muito forte.

O vento foi tão intenso que ele precisou se proteger atrás de uma grande pedra existente no monte.

O episódio permaneceu em sua memória.

Não porque possamos atribuir documentalmente ao vento uma causa espiritual específica, mas porque ele aconteceu dentro de um período que Ivanildo viveu como uma intensa batalha espiritual e pessoal.

Para ele, aquele monte já havia adquirido significado.

Cada acontecimento vivido ali se incorporava à memória daquela busca.

A pedra, o vento, a madrugada, a oração e o silêncio passaram a fazer parte de uma mesma lembrança.

Não é necessário acrescentar ao episódio aquilo que não foi contado.

A força da cena já está no que aconteceu:

um homem sozinho em seu processo de busca, em um monte, diante de um vento muito forte, protegendo-se atrás de uma pedra e continuando sua caminhada.

O que ainda não podia ser visto

Talvez a maior característica daquele período tenha sido justamente esta:

Ivanildo estava buscando uma resposta que ainda não conseguia enxergar.

A história posterior permite compreender coisas que naquele momento permaneciam ocultas.

Mas uma biografia verdadeira não pode transportar para o passado a compreensão que só veio depois.

Naquele momento, Ivanildo ainda precisava caminhar sem possuir todas as respostas.

E isso torna aquela fase ainda mais significativa.

Ele não perseverou porque conhecia o final.

Perseverou porque decidiu continuar confiando.

Dentro de seu testemunho, ele entende hoje que o Espírito Santo estava conduzindo aquele processo e preparando acontecimentos que somente mais tarde seriam compreendidos. Essa interpretação espiritual faz parte essencial da história, mas pertence ao campo de sua fé e de sua experiência pessoal.

O que podemos afirmar historicamente é que houve uma sequência concreta:

decepção;

tratamento;

oração;

jejum;

madrugadas;

montes;

espera;

registros nas Agendas de Guerra;

e, posteriormente, acontecimentos que mudariam completamente a história.

O monte antes da resposta

O mais interessante é que o Monte da Resposta recebeu esse nome antes que a resposta fosse conhecida.

Isso diz muito sobre a fé de quem o frequentava.

Era como se o nome expressasse uma esperança antecipada.

Ivanildo ainda não sabia como Deus responderia.

Não sabia quando.

Não sabia todos os acontecimentos que viriam.

Não sabia que, dentro daquela mesma história, Rosinete teria seu próprio processo, sua própria dor, seu próprio retorno e, posteriormente, sua própria percepção sobre ele.

Mas continuava buscando.

O monte não lhe entregava imediatamente aquilo que ele queria.

Entretanto, tornou-se parte do caminho que o levou até o momento em que aquilo que estava oculto começaria a ser revelado.

“Descansa no Senhor e espera nele.”
— Salmos 37:7

Quando a noite terminava, a busca não terminava necessariamente com ela.

Quando Ivanildo deixava o monte, ainda precisava viver mais um dia.

E depois outro.

E outro.

A resposta ainda não havia chegado.

Mas o homem que a esperava já não era exatamente o mesmo que havia chegado ali no início daquele processo.

A oração estava trabalhando.

O jejum estava trabalhando.

A espera estava trabalhando.

A disciplina estava trabalhando.

E as páginas das Agendas de Guerra começavam a guardar aquilo que, naquele momento, ainda parecia apenas uma longa caminhada.

Mais tarde, essas páginas ajudariam a reconstruir a sequência de acontecimentos que marcou aquela estação.

O Monte da Resposta havia sido o lugar da espera.

Agora, a história começaria a entrar em uma dimensão ainda mais profunda:

a luta pela vida sentimental.

E essa luta não seria apenas contra aquilo que estava do lado de fora.

Seria também uma batalha dentro do próprio coração.