CAPÍTULO 49

A GUERRA PELA VIDA SENTIMENTAL

“Não é bom que o homem esteja só.”
— Gênesis 2:18

Há batalhas que acontecem diante dos olhos de todos.

Outras acontecem em silêncio.

Ninguém vê a extensão de uma luta que se passa dentro do coração. Ninguém consegue medir completamente a força de uma solidão que não aparece no rosto. E ninguém sabe quantas vezes uma pessoa precisa reconstruir a própria esperança depois de uma decepção.

Foi nesse território invisível que Ivanildo viveu uma das maiores batalhas de sua juventude e de sua vida espiritual:

a guerra pela vida sentimental.

Não era uma expressão criada para dar importância a um desejo comum.

Para Ivanildo, aquela luta nasceu de uma necessidade que ele passou a reconhecer diante de Deus. Depois de muitos anos de caminhada, de serviço e de experiências espirituais, chegou a um momento em que compreendeu, pela Palavra, que não era bom que o homem vivesse só. Passou então a desejar sua amada ao seu lado.

Mas desejar uma esposa e encontrar uma esposa eram duas coisas completamente diferentes.

E foi justamente nessa diferença que a batalha começou a ganhar profundidade.

A solidão de quem continuava acompanhado por Deus

Havia uma aparente contradição naquela fase.

Ivanildo não estava longe de Deus.

Pelo contrário.

Ele testemunha que continuava cheio do Espírito Santo.

Mas estava sentimentalmente sozinho.

Isso é importante porque evita uma leitura simplista daquela história.

A solidão sentimental não significava ausência de fé.

A dor não significava abandono de Deus.

A espera não significava que Ivanildo tivesse deixado de caminhar.

Ele continuava servindo, buscando, orando e vivendo sua fé.

Mas havia uma área da sua vida que permanecia sem resposta.

E essa área começou a ocupar espaço dentro de sua oração.

Ele queria uma companheira.

Queria alguém com quem pudesse compartilhar a caminhada.

Queria construir uma vida ao lado de uma mulher que estivesse de acordo com aquilo que Deus vinha formando dentro dele.

Foi então que o desejo sentimental deixou de ser apenas uma expectativa e passou a ser apresentado diante de Deus como uma questão de propósito.

Quando a necessidade encontra a espera

A grande dificuldade não estava em reconhecer o desejo.

Estava em esperar.

Quando alguém está sozinho por muito tempo, qualquer possibilidade pode parecer uma resposta.

E Ivanildo também atravessou esse terreno.

Em determinado momento, deixou seu coração gostar de uma pessoa que, segundo a compreensão que adquiriu posteriormente, não era sua verdadeira esposa.

Esse episódio não deve ser tratado com desprezo nem transformado em caricatura.

Fazia parte do processo.

Naquele momento, Ivanildo ainda estava aprendendo a discernir aquilo que desejava daquilo que realmente correspondia ao propósito que acreditava que Deus tinha para sua vida.

O coração pode desejar.

A fé pode esperar.

E o discernimento precisa aprender a distinguir uma coisa da outra.

Foi nesse contexto que a guerra sentimental se tornou ainda mais séria.

O coração também precisava aprender

Depois da grande decepção sentimental de 2000, veio um período que Ivanildo descreve como uma espécie de limpeza do coração e da alma.

Não bastava pedir uma nova história.

Era necessário tratar as marcas da história anterior.

Não bastava desejar uma mulher.

Era necessário estar preparado para reconhecê-la.

Não bastava querer amar.

Era necessário aprender a amar sem transformar o desejo em desespero.

Por isso, aquela guerra era também uma guerra contra a pressa.

O tempo poderia produzir ansiedade.

A solidão poderia produzir escolhas precipitadas.

A decepção poderia produzir desconfiança.

A expectativa poderia produzir idealizações.

E Ivanildo precisou atravessar esse território sem abandonar aquilo que acreditava.

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”
— Provérbios 4:23

Guardar o coração não significava fechá-lo para o amor.

Significava não entregá-lo indiscriminadamente.

Essa distinção se tornaria fundamental para aquilo que aconteceria depois.

A guerra não era apenas por uma esposa

Quando Ivanildo fala daquele período, a expressão “guerra pela vida sentimental” não se resume ao pedido por uma mulher.

Havia algo mais profundo.

Ele precisava vencer dentro de si algumas consequências daquilo que havia vivido.

Precisava continuar acreditando depois de uma grande decepção.

Precisava suportar a solidão sem permitir que ela governasse suas decisões.

Precisava continuar buscando a Deus enquanto esperava.

E precisava aceitar que uma resposta verdadeira poderia exigir mais tempo do que ele gostaria.

Por isso, a guerra sentimental estava ligada diretamente à vida espiritual.

As duas coisas não caminhavam separadas.

O jejum fazia parte da busca.

As orações faziam parte da busca.

As madrugadas faziam parte da busca.

O Monte da Resposta fazia parte da busca.

E, no centro de tudo, havia uma pergunta:

quem seria a mulher que Deus permitiria que estivesse ao seu lado?

O Vasco e uma fase difícil

Parte dessa história aconteceu dentro da antiga instituição, especialmente no ambiente do Vasco, onde Ivanildo passou por momentos muito difíceis relacionados à sua vida sentimental.

Era um período em que seus sentimentos também precisavam ser confrontados.

A experiência de gostar de alguém que posteriormente ele entendeu não ser sua verdadeira esposa produziu sofrimento.

Mas a história não terminou ali.

A presença do Espírito Santo permaneceu.

Essa é uma das afirmações mais importantes do seu testemunho sobre aquele período: mesmo atravessando uma fase emocionalmente difícil, Ivanildo não entende que tenha sido abandonado por Deus.

Ao contrário.

Foi justamente naquela estação que sua busca espiritual se intensificou.

A dor o levou para mais perto da busca.

A espera o levou para a oração.

A ausência de resposta o levou para o jejum.

E a necessidade de direção o levou a continuar procurando.

Quando a batalha se tornou disciplina

Foi então que a guerra ganhou uma dimensão prática.

Ivanildo passou a viver uma rotina de busca que envolvia reuniões, oração, jejum, madrugadas e o Monte da Resposta.

A fonte registra que ele permaneceu aproximadamente um ano frequentando fielmente as reuniões e seguindo as orientações recebidas.

Depois das reuniões, enquanto outras pessoas iam embora, ele continuava sua busca no monte.

Havia madrugadas por volta das três horas.

Havia momentos de intenso clamor.

Havia períodos de jejum.

Havia propósitos.

Havia votos.

E havia também as Agendas de Guerra, nas quais aquela estação começou a ser registrada.

A guerra sentimental, portanto, deixou de ser apenas uma expressão.

Tornou-se uma prática diária de perseverança.

O perigo de aceitar qualquer resposta

Existe uma tentação particularmente forte quando alguém espera durante muito tempo:

confundir alívio com resposta.

Se a pessoa está cansada da solidão, qualquer companhia pode parecer suficiente.

Se o coração está ferido, qualquer demonstração de afeto pode parecer cura.

Se a espera está longa, qualquer possibilidade pode parecer destino.

Mas Ivanildo precisava aprender que uma vida inteira não poderia ser construída simplesmente para acabar com um período de solidão.

Era preciso discernimento.

A mulher que estivesse ao seu lado precisaria caminhar com ele.

Precisaria compreender sua fé.

Precisaria compartilhar valores.

Precisaria fazer parte daquilo que estavam construindo.

Por isso, a espera tinha uma função que só seria compreendida plenamente mais tarde.

Ela impedia que a pressa assumisse o controle.

A busca por direção

Foi nessa fase que um amigo, Alexandre, apareceu em um momento decisivo da história.

Segundo o testemunho de Ivanildo, ele entende que o Espírito Santo usou Alexandre para orientá-lo a participar de uma reunião em Del Castilho, onde começaria um tratamento do coração.

A orientação não resolveu tudo imediatamente.

Mas abriu uma nova etapa.

Ivanildo começou a frequentar aquelas reuniões e permaneceu fiel durante aproximadamente um ano.

O Bispo Fernando e outros líderes fizeram parte daquele contexto. Segundo seu relato, o Bispo Fernando afirmou que até o final daquele ano Deus responderia.

A palavra aumentava a expectativa.

Mas também aumentava a necessidade de permanecer.

Porque quanto mais uma pessoa acredita que a resposta está chegando, maior pode ser a ansiedade para antecipá-la.

E aquela história precisava acontecer no tempo certo.

O voto

Dentro daquela guerra, Ivanildo também fez um dos maiores votos de sua vida.

O voto envolvia três áreas: espiritual, sentimental e financeira.

O foco principal daquela luta, entretanto, continuava sendo a vida sentimental.

Ele trabalhou para conseguir o dinheiro.

Separou o dízimo.

Destinou R$ 180 ao voto.

Depois de separar os R$ 20 do dízimo, ficou sem dinheiro para retornar para casa e tinha apenas o valor necessário para ir até Del Castilho.

Foi mais uma situação em que a fé precisava deixar de ser apenas palavra.

No dia do voto, ao chegar ao altar, declarou:

“Está consumado. Minha vitória!”

Aquela frase pertence à memória espiritual daquele momento.

Não era ainda o encerramento de toda a história sentimental.

Era a declaração de um homem que havia decidido permanecer fiel ao propósito que assumira diante de Deus.

A guerra pela vida sentimental também era uma guerra pelo futuro

Quando olhamos para trás, é possível compreender que a questão sentimental não dizia respeito somente àquele presente.

Tratava-se do futuro.

Uma escolha sentimental poderia alterar toda uma vida.

A pessoa escolhida estaria ao lado de Ivanildo em sua casa, em sua fé, em seu trabalho, em suas lutas, em seu ministério e, posteriormente, na construção de uma família.

Por isso, esperar tinha consequências.

Escolher tinha consequências.

E desistir de esperar também poderia ter consequências.

Foi justamente por isso que aquela batalha foi tratada com tanta seriedade.

Ivanildo não estava tentando apenas preencher um vazio.

Estava tentando discernir uma companhia para a vida.

Enquanto isso, uma outra história acontecia

Há algo que só se tornaria claro posteriormente.

Enquanto Ivanildo travava sua guerra pela vida sentimental, Rosinete também atravessava sua própria história.

Ela também passaria por uma decepção sentimental.

Mas a sequência precisa ser preservada:

primeiro Ivanildo. Depois Rosinete.

Não foram necessariamente os mesmos acontecimentos, nem devem ser tratados como se fossem uma única experiência.

Eram duas pessoas vivendo processos diferentes.

Dois corações atravessando dores diferentes.

Duas histórias que ainda não haviam se encontrado da maneira como um dia se encontrariam.

Segundo o testemunho de Ivanildo, porém, aquele período foi justamente quando o Espírito Santo começou a alinhar as duas histórias para um propósito que eles ainda não compreendiam.

A biografia não precisa antecipar o que ainda não havia sido revelado.

Basta registrar a sequência.

Ivanildo estava sendo tratado.

Rosinete também passaria por sua própria experiência.

E a história caminhava para um encontro que ainda não tinha acontecido.

O homem que esperava

A grande transformação daquele período talvez não possa ser encontrada em um único acontecimento.

Ela aparece na continuidade.

Ivanildo continuou.

Continuou quando doeu.

Continuou quando esperou.

Continuou quando precisou reconhecer que havia colocado o coração em uma direção que depois entendeu não ser a correta.

Continuou quando precisou tratar feridas.

Continuou quando a resposta demorou.

Continuou quando a solidão permaneceu.

Continuou buscando a Deus.

Essa é a essência da guerra pela vida sentimental.

Não foi simplesmente uma luta para conseguir uma esposa.

Foi uma luta para não permitir que a necessidade sentimental ocupasse o lugar da direção espiritual.

E, dentro da compreensão que Ivanildo desenvolveu posteriormente, essa foi uma das grandes lições daquele período.

A resposta não poderia ser maior que Deus.

A mulher que viesse não poderia ocupar o lugar do Senhor.

O amor que ele esperava precisaria nascer dentro de uma vida que continuasse pertencendo primeiro a Deus.

O início de uma resposta ainda invisível

Naquele momento, Ivanildo ainda não sabia como a história terminaria.

Não sabia quando a resposta chegaria.

Não sabia que Rosinete faria parte dela.

Não sabia como seus caminhos se cruzariam novamente.

Não sabia como o coração dela começaria a mudar.

Não sabia que haveria um aperto de mão.

Não sabia que haveria uma sexta-feira decisiva.

Não sabia que haveria uma conversa em Del Castilho.

Não sabia que, posteriormente, haveria namoro, noivado e casamento.

Tudo isso ainda pertencia ao futuro.

O que existia naquele momento era a busca.

E talvez seja justamente por isso que aquele período mereça ser lembrado com tanto respeito.

Porque a fé mais difícil não é aquela que agradece depois de receber.

É aquela que continua enquanto ainda não recebeu.

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.”
— Salmos 37:5

A guerra pela vida sentimental não terminou quando Ivanildo deixou de estar sozinho.

Ela terminou quando a espera encontrou sua resposta.

Mas, para chegar até lá, ainda haveria páginas a serem escritas.

As Agendas de Guerra guardariam datas.

Os montes guardariam madrugadas.

A memória guardaria palavras.

E o tempo revelaria aquilo que, naquele momento, Ivanildo ainda não podia ver.

A resposta estava sendo preparada enquanto ele ainda lutava para reconhecê-la.

E a próxima parte dessa história começaria justamente onde a memória escrita daquela guerra ganhou forma:

nas Agendas de Guerra.