CAPÍTULO 50

QUANDO A ESPERA SE TORNOU UMA ESCOLA

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.”
— Eclesiastes 3:1

Há períodos da vida em que a pessoa pede uma resposta.

E há períodos em que, enquanto espera pela resposta, acaba recebendo algo ainda mais profundo: uma formação.

Foi assim que Ivanildo começou a compreender aquela estação.

Ele havia entrado naquela caminhada querendo uma resposta para sua vida sentimental. Havia conhecido a dor de uma grande decepção, enfrentado a solidão e percebido que não poderia simplesmente permitir que qualquer sentimento ocupasse o lugar daquilo que buscava diante de Deus.

Mas a resposta não veio imediatamente.

E, enquanto ela não vinha, alguma coisa estava acontecendo dentro dele.

A espera estava se tornando uma escola.

A escola que ninguém escolhe

Ninguém costuma pedir para aprender a esperar.

Quando o coração deseja alguma coisa, a tendência humana é querer que aconteça logo.

Ivanildo também desejava uma solução.

Queria deixar para trás a solidão sentimental.

Queria compreender o que Deus estava fazendo.

Queria saber quem seria sua companheira.

Mas a história não se resolveu na velocidade do desejo.

Depois de começar a frequentar as reuniões em Del Castilho, ele permaneceu aproximadamente um ano com fidelidade, seguindo as orientações recebidas.

Isso significa que a espera não foi passiva.

Ele não ficou simplesmente parado aguardando alguma coisa acontecer.

Ele continuou buscando.

Continuou indo às reuniões.

Continuou orando.

Continuou jejuando.

Continuou enfrentando suas próprias lutas.

E foi justamente essa continuidade que começou a transformar a espera em aprendizado.

Permanecer quando ainda não se vê

Existe uma diferença entre esperar alguns dias e esperar quando o coração já está cansado.

No início, a esperança pode ser alimentada pela novidade.

Depois de algum tempo, ela precisa ser sustentada pela convicção.

Ivanildo atravessou esse segundo estágio.

A cada nova reunião, a cada oração, a cada madrugada, a resposta continuava pertencendo ao futuro.

Segundo seu relato, o Bispo Fernando havia dito que, até o final daquele ano, Deus responderia.

A palavra alimentava a esperança.

Mas ainda havia um caminho a percorrer.

E esse caminho ensinava algo que nenhuma resposta imediata poderia ensinar:

permanecer.

Permanecer quando ainda não se entende.

Permanecer quando ainda não se vê.

Permanecer quando o coração gostaria de acelerar o tempo.

A espera ensinou discernimento

Uma das maiores lições daquela fase foi compreender que nem tudo aquilo que o coração deseja deve ser imediatamente interpretado como resposta.

Ivanildo havia vivido essa experiência.

Em determinado momento, seu coração havia se inclinado para uma pessoa que, segundo sua compreensão posterior, não era sua verdadeira esposa.

Isso tornava a espera ainda mais importante.

Era necessário aprender a distinguir desejo de direção.

Era necessário reconhecer que uma possibilidade sentimental poderia parecer adequada sem necessariamente representar aquilo que ele buscava diante de Deus.

A espera, então, começou a funcionar como um filtro.

Ela obrigava o coração a desacelerar.

Obrigava os sentimentos a passar pelo crivo da oração.

Obrigava Ivanildo a não transformar sua necessidade em decisão.

E essa talvez tenha sido uma das escolas mais difíceis daquela estação.

O coração não poderia ser governado pela carência

A solidão é capaz de distorcer a percepção.

Quando alguém deseja profundamente ter alguém ao lado, pode começar a enxergar sinais onde existem apenas circunstâncias.

Pode interpretar atenção como confirmação.

Pode transformar afinidade em destino.

Pode querer chamar de resposta aquilo que simplesmente trouxe alívio.

Ivanildo precisava aprender o contrário.

Ele precisava chegar ao ponto em que pudesse desejar uma esposa sem permitir que a ausência dela dominasse sua vida.

Precisava aprender a continuar inteiro enquanto ainda estava sozinho.

Precisava continuar sendo fiel a Deus sem usar o casamento como condição para sua felicidade.

Isso não significava deixar de desejar.

Significava colocar o desejo no lugar certo.

“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus.”
— Salmos 46:10

Aquietar-se não significava desistir.

Significava não tentar produzir com as próprias mãos aquilo que ele estava colocando diante de Deus.

A disciplina da espera

Aquela escola tinha uma rotina.

Não era uma escola de livros, salas e horários.

Era uma escola de disciplina.

Oração.

Jejum.

Reuniões.

Madrugadas.

Montes.

Busca.

E perseverança.

As Agendas de Guerra começaram a registrar parte dessa caminhada: acontecimentos, orações, lutas, pensamentos, propósitos e experiências vividas diante de Deus.

Assim, a espera começou também a ganhar memória.

O que poderia ter sido apenas uma sequência de dias passou a deixar registros.

Cada anotação preservava uma parte daquela estação.

Cada página representava um momento que, muitos anos depois, poderia ser revisitado.

E havia uma característica muito importante nisso tudo:

Ivanildo estava vivendo os acontecimentos antes de compreender completamente o significado deles.

O tratamento continuava

A espera também não estava separada do tratamento do coração.

Uma coisa alimentava a outra.

Enquanto buscava uma resposta para a vida sentimental, Ivanildo também precisava lidar com aquilo que havia ficado dentro dele depois da decepção.

Não bastava mudar de circunstância.

Era necessário mudar a maneira de atravessá-la.

Por isso, o tratamento não poderia ser apressado.

A fonte registra que ele permaneceu aproximadamente um ano frequentando as reuniões de Del Castilho com fidelidade.

O tempo fazia parte do processo.

Não porque o tempo, por si só, resolvesse tudo.

Mas porque havia coisas que precisavam amadurecer.

A espera ensinou perseverança

Há pessoas que conseguem começar bem.

O verdadeiro desafio é continuar.

Ivanildo já havia começado.

Já havia feito propósitos.

Já havia buscado.

Já havia chorado.

Já havia orado.

Mas ainda precisava continuar.

A perseverança começou a deixar de ser apenas uma palavra espiritual e passou a ser uma experiência concreta.

A cada vez que retornava à reunião, estava reafirmando sua decisão de permanecer.

A cada madrugada, reafirmava sua busca.

A cada jejum, reafirmava sua dependência.

A cada ida ao monte, reafirmava que ainda não havia desistido.

A espera estava ensinando que fé não é apenas acreditar quando tudo parece possível.

Às vezes, fé é continuar quando ainda não há evidência de mudança.

O voto também fazia parte dessa escola

Dentro daquela caminhada, Ivanildo realizou um dos maiores votos de sua vida.

O voto envolvia três áreas — espiritual, sentimental e financeira — e estava inserido naquela intensa busca por uma resposta.

Ele trabalhou para conseguir os recursos.

Separou R$ 20 para o dízimo.

Destinou R$ 180 ao voto.

Depois de separar o dízimo, ficou sem dinheiro para retornar para casa e precisou colocar sua confiança em Deus também nessa circunstância.

Ao chegar ao altar, declarou:

“Está consumado. Minha vitória!”

Aquela declaração não significava que todos os capítulos seguintes já estivessem escritos diante dos seus olhos.

Era uma expressão de fé.

Era a maneira como Ivanildo encerrou aquele ato diante de Deus, crendo que sua busca não seria em vão.

E, novamente, a escola da espera aparecia.

Ele precisava aprender a confiar mesmo antes de ver.

A escola também ensinava a suportar o silêncio

Existem momentos em que Deus parece silencioso.

Não porque a pessoa necessariamente esteja abandonada, mas porque ela ainda não recebeu aquilo que deseja compreender.

Para Ivanildo, aquele silêncio era difícil.

Ele buscava uma resposta concreta para uma área muito concreta de sua vida.

Mas a resposta não podia ser arrancada pela ansiedade.

O processo exigia tempo.

E o tempo, naquela estação, parecia caminhar em uma velocidade diferente daquela que o coração desejava.

Foi então que a espera passou a produzir uma maturidade que talvez não pudesse ter sido adquirida de outra maneira.

Ele estava aprendendo a viver sem controlar o resultado.

Enquanto Ivanildo esperava, Rosinete também atravessava sua própria história

A história de vocês não pode ser contada como se apenas um dos dois estivesse sendo preparado.

Rosinete também atravessou sua própria estação.

Depois de uma decepção amorosa, ela viveu um período de aflição e buscou conselho junto à sua mãe, Rosilda. Aproximadamente dois meses depois, retornou à instituição onde Ivanildo ainda estava.

É importante preservar a individualidade desses processos.

Ivanildo teve sua experiência.

Rosinete teve a dela.

Primeiro ele passou pela decepção.

Depois ela.

Dois corações feridos chegariam posteriormente a uma nova etapa da história.

Mas naquele momento ainda não era possível enxergar toda a convergência.

A história ainda estava sendo preparada.

O que a espera estava produzindo

Quando uma pessoa olha somente para o calendário, pode considerar uma espera perdida.

Mas quando olha para aquilo que aconteceu dentro dela, pode descobrir que aqueles mesmos dias produziram algo que não existia antes.

Naquele período, Ivanildo aprendeu a esperar.

Aprendeu a perseverar.

Aprendeu a lidar com a solidão.

Aprendeu a discernir melhor seus sentimentos.

Aprendeu a buscar direção.

Aprendeu a permanecer.

E, sobretudo, aprendeu que sua vida não poderia depender exclusivamente de uma resposta sentimental.

A resposta era importante.

Mas Deus precisava continuar sendo o centro.

Uma escola que preparava dois caminhos

Hoje, olhando para trás, Ivanildo compreende aquele período de uma maneira diferente.

Na época, ele via a própria luta.

Depois, começou a enxergar um processo maior.

As Agendas de Guerra registraram parte dessa caminhada, e nelas ficaram preservados elementos de uma história que ainda não havia chegado ao seu momento de convergência.

Segundo o testemunho de vocês, aquilo fazia parte de um alinhamento que só seria compreendido plenamente mais tarde.

Mas é importante não antecipar a história.

Naquele momento, Ivanildo ainda precisava esperar.

Rosinete ainda precisava atravessar sua própria estação.

E o encontro entre as duas histórias ainda não havia acontecido da maneira que posteriormente aconteceria.

Quando a espera deixou de ser inimiga

Talvez essa seja a maior transformação daquela fase.

No começo, a espera parecia ser o problema.

Depois, tornou-se parte da solução.

Ivanildo queria sair daquela estação.

Mas foi dentro dela que algumas das estruturas necessárias para o futuro começaram a ser construídas.

A espera ensinou o coração a não correr.

Ensinou a fé a permanecer.

Ensinou a mente a discernir.

Ensinou a alma a suportar.

E ensinou Ivanildo que nem toda demora significa ausência de resposta.

Às vezes, a demora é o espaço necessário para que a pessoa esteja preparada quando a resposta chegar.

“Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão, caminharão e não se fatigarão.”
— Isaías 40:31

Aquele período não foi apenas um intervalo entre uma decepção e um encontro.

Foi uma escola.

E Ivanildo ainda estava dentro dela.

As madrugadas continuariam.

Os montes continuariam.

As Agendas continuariam recebendo registros.

E algumas datas começariam a ganhar um significado especial dentro daquela história.

Porque, enquanto a espera formava o homem, as páginas começavam a registrar a guerra.

E é justamente nessas páginas que a nossa história entra em uma nova dimensão.

As Agendas de Guerra.