CAPÍTULO 51 — O NASCIMENTO DAS AGENDAS DE GUERRA
“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.”
Salmos 37:5
Houve um momento em nossa história em que aquilo que estava sendo vivido deixou de permanecer somente na memória e passou a ser registrado. As Agendas de Guerra e do Amor nasceram dentro de uma caminhada marcada por oração, busca, lutas, propósitos e pela necessidade de guardar, com fidelidade, aquilo que estava acontecendo diante de Deus.
Essas agendas não surgiram como um projeto editorial. Eram registros pessoais de uma caminhada real. Nelas foram sendo guardados pensamentos, orações, propósitos, jejuns, madrugadas, batalhas e acontecimentos que, naquele período, ainda não podíamos compreender completamente. Cada página fazia parte de uma estação específica da história.
A primeira agenda foi comprada na Central, em Duque de Caxias, na calçada ao lado da estação do trem. Era um objeto simples, mas passou a acompanhar uma fase importante da vida de Ivanildo. O que começou como um caderno de registros tornou-se, com o passar do tempo, um documento da caminhada que estava sendo construída.
Mas existe uma informação que precisa ficar registrada corretamente nesta biografia. As oito agendas não foram escritas somente por Ivanildo. Ao longo da história, foram cinco agendas escritas por Ivanildo e três agendas escritas por Rosinete, totalizando oito Agendas de Guerra e do Amor.
O ESPAÇO DEIXADO PARA ROSINETE
Na primeira agenda, Ivanildo deixou algumas folhas reservadas para que Rosinete também pudesse escrever. A intenção era que ela tivesse espaço para registrar seus próprios pensamentos, aquilo que estivesse vivendo e aquilo que, segundo sua experiência de fé, Deus colocasse em seu coração e em seus pensamentos. Assim, desde o início da participação dela nos registros, havia espaço para sua própria voz.
Essa participação é importante porque mostra que as agendas não representam apenas o olhar de uma pessoa sobre toda a caminhada. Elas guardam, em momentos diferentes, registros de Ivanildo e registros de Rosinete. Cinco agendas foram escritas por ele; três foram escritas por ela. O conjunto de oito agendas passou a preservar diferentes momentos e perspectivas de uma mesma história.
A segunda agenda surgiu em outra etapa da caminhada. Depois que Ivanildo já havia encontrado aquela que passou a chamar de sua rainha, ele começou a escrever no terraço da casa do advogado para quem prestava serviços. Entre a primeira agenda e as seguintes, a história continuava avançando, e os registros acompanhavam esse avanço.
UMA HISTÓRIA REGISTRADA ENQUANTO AINDA ESTAVA ACONTECENDO
O papel, porém, não revelava tudo. As agendas registravam aquilo que Ivanildo e, posteriormente, Rosinete escreviam e compreendiam naquele momento. A história, por sua vez, continuava acontecendo. Na compreensão espiritual dos dois, Deus conhecia o caminho inteiro, inclusive aquilo que ainda não havia sido revelado a eles.
“Espera pelo Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, pelo Senhor.”
Salmos 27:14
A importância das agendas está justamente nessa contemporaneidade dos registros. Elas não foram produzidas depois que tudo aconteceu, como uma reconstrução feita com a história já conhecida. Foram escritas durante o caminho. Por isso, suas páginas preservam as perguntas, as esperas, as lutas e as esperanças de cada período.
Também é necessário preservar a diferença entre o que foi escrito e aquilo que somente mais tarde foi compreendido. Uma anotação pode registrar uma expectativa; um acontecimento posterior pode dar novo significado àquela anotação. A biografia precisa respeitar essa sequência e não colocar no passado aquilo que somente foi entendido depois.
As cinco agendas de Ivanildo e as três agendas de Rosinete formam, portanto, um conjunto documental de oito agendas. Cada uma pertenceu a uma determinada estação. Cada uma recebeu registros próprios. E a primeira delas já continha uma decisão significativa: deixar espaço para que Rosinete também registrasse sua própria experiência.
Isso dá às agendas uma característica que precisa permanecer clara em toda a coleção: elas são parte da história dos dois. Ivanildo escreveu sua caminhada. Rosinete também escreveu a sua. E, reunidas, essas páginas ajudam a preservar não apenas o que foi visto por fora, mas também aquilo que cada um decidiu registrar de sua própria experiência.
A partir dali, as agendas continuariam acompanhando acontecimentos que ainda seriam revelados nos capítulos seguintes. O que estava começando naquele momento era mais do que uma sequência de anotações. Era a formação de uma memória documental de uma história que ainda estava em andamento.
“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens.”
Colossenses 3:23
O nascimento das Agendas de Guerra marcou, assim, o início de uma nova forma de preservar a nossa história. O que antes era vivido passou a ser escrito. O que era escrito ficou guardado. E aquilo que ficou guardado poderá, no tempo certo, ajudar a compreender a caminhada que levou duas vidas a se encontrarem dentro do propósito que hoje reconhecemos.
As oito agendas permanecem como testemunhas: cinco de Ivanildo, três de Rosinete.
Amém.

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