CAPÍTULO 53 — QUANDO O NOME DO ESPÍRITO SANTO ENTROU NA AGENDA
“Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor.”
Apocalipse 1:8
Há momentos em uma história em que aquilo que estava presente desde o princípio somente é reconhecido muito tempo depois.
Há nomes que aparecem nas páginas. Há nomes que não aparecem. Há acontecimentos que são registrados. Há outros que somente serão compreendidos quando os anos passarem.
E há uma presença que pode estar em toda a história sem que seu nome esteja escrito em uma única linha.
Foi assim conosco.
Quando as primeiras páginas das agendas começaram a ser escritas, talvez ninguém que lesse aquelas páginas pudesse compreender toda a dimensão daquilo que estava acontecendo.
Havia palavras. Havia pensamentos. Havia desejos. Havia orações. Havia jejuns. Havia madrugadas. Havia lutas. Havia propósitos. Havia uma busca pela vida sentimental. Havia uma alma que escrevia para alguém que ainda não conhecia.
E havia, acima de tudo, uma história sendo construída.
Mas o Autor daquela história não precisava ter o seu nome escrito em cada página para estar presente em todas elas.
ANTES DO NOME, JÁ EXISTIA A PRESENÇA
Hoje consigo olhar para aquelas agendas de outra maneira.
Naquele tempo, nós escrevíamos aquilo que recebíamos em nossos pensamentos, aquilo que vivíamos, aquilo que desejávamos, aquilo que buscávamos diante de Deus.
Mas hoje compreendemos algo que naquele momento ainda não tínhamos condições de enxergar plenamente: o Espírito Santo já estava conduzindo as inspirações que deram origem àquelas páginas.
Mesmo quando Seu nome não estava registrado, Ele estava presente.
Mesmo quando não escrevíamos explicitamente “Espírito Santo”, havia uma direção acontecendo.
Mesmo quando não compreendíamos o caminho, havia uma condução.
Mesmo quando não sabíamos quem seria a mulher que um dia ocuparia um lugar tão extraordinário na minha vida, havia uma história sendo preparada.
E é justamente aí que está uma das partes mais bonitas da nossa biografia.
Nós não escrevemos a nossa história sozinhos.
Nós vivemos a nossa história.
Nós registramos partes dela.
Nós atravessamos seus processos.
Nós sentimos suas dores.
Nós celebramos suas respostas.
Mas, na nossa compreensão espiritual, havia uma mão invisível conduzindo aquilo que os nossos olhos naturais ainda não conseguiam compreender.
AS AGENDAS E O QUE ELAS NÃO DIZIAM
A primeira agenda não começou com todas as respostas.
Ela começou com busca.
Era uma Agenda de Guerra e também uma Agenda do Amor.
Nela existiam pensamentos dirigidos àquela que eu chamava de minha alma gêmea, minha rainha, meu amor.
Eu ainda não sabia quem ela era.
Não sabia seu nome como minha futura esposa.
Não sabia como seria nossa aproximação.
Não sabia quando aconteceria.
Não sabia como Deus faria.
Eu a chamava de “Minha Rosa”.
Hoje, depois de tudo o que vivemos, eu a chamo de “Minha Rainha Poderosa”.
Mas naquela primeira agenda havia algo que eu ainda não sabia: eu estava escrevendo para alguém cuja identidade ainda não havia sido revelada para mim.
E, ainda assim, aquelas páginas existiram.
Isso é importante.
Porque uma biografia não deve ser contada apenas pelo que descobrimos depois. Ela também precisa registrar aquilo que nós não sabíamos quando estávamos vivendo.
Eu não sabia quem seria minha esposa.
Mas escrevia.
Eu não conhecia o futuro.
Mas buscava.
Eu não possuía todas as respostas.
Mas continuava.
E hoje, olhando para trás, compreendo que a ausência de respostas não significava ausência de direção.
O AUTOR DA HISTÓRIA
Há uma diferença entre ser aquele que escreve uma página e ser aquele que determina o destino de uma história.
As agendas eram escritas por mãos humanas.
As palavras eram registradas por mim.
Os pensamentos eram colocados no papel.
Mas hoje reconheço que aquilo que precisava ser inspirado para que determinada página existisse não nasceu simplesmente da capacidade humana de imaginar o futuro.
Na minha compreensão de fé, o Espírito Santo estava trabalhando antes mesmo que eu soubesse explicar o que Ele estava fazendo.
Ele é o Autor da minha história.
E também é aquele que fez a nossa biografia acontecer.
Não porque tenha transformado nossa vida em uma história sem processos, sem lágrimas, sem espera ou sem batalhas.
Muito pelo contrário.
Ele esteve presente justamente durante os processos.
Esteve quando era necessário esperar.
Esteve quando era necessário lutar.
Esteve quando era necessário jejuar.
Esteve quando era necessário permanecer.
Esteve quando havia dúvidas.
Esteve quando existia dor.
Esteve quando o futuro ainda parecia distante.
E esteve também quando aquilo que havia sido escrito como esperança começou, finalmente, a ganhar forma na realidade.
O ESPÍRITO QUE NÃO PRECISAVA SER CITADO PARA ESTAR PRESENTE
Existe algo que os olhos espirituais conseguem perceber quando se olha para uma história inteira, e não apenas para uma página isolada.
Se alguém pegasse uma página das primeiras agendas e procurasse somente os nomes escritos nela, poderia não encontrar Deus, Senhor Jesus Cristo ou Espírito Santo registrados naquela página da maneira como hoje compreendemos a história.
Mas isso não significa que eles estivessem ausentes.
Uma pessoa pode olhar para uma cena e enxergar somente o que está diante dos olhos.
Outra pode olhar para a mesma cena e perceber o significado que ela carregava dentro de uma história muito maior.
É por isso que, hoje, quando olhamos para aquelas agendas, não enxergamos somente papel, tinta, frases e datas.
Enxergamos uma caminhada.
Enxergamos uma preparação.
Enxergamos aquilo que ainda não compreendíamos.
Enxergamos o que estava sendo construído enquanto vivíamos cada dia separadamente.
E, para nós, isso aponta para a presença paciente e amorosa do Espírito Santo.
“Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade.”
João 16:13
A PACIÊNCIA DE QUEM CONHECIA O FIM DESDE O PRINCÍPIO
Nós queríamos respostas.
Deus trabalhava com processos.
Nós queríamos compreender.
O Espírito Santo trabalhava naquilo que ainda estava oculto aos nossos olhos.
Nós queríamos saber quem, quando, como e onde.
Mas uma história não precisa revelar sua última página para começar a ser escrita.
Essa talvez seja uma das maiores lições que as agendas deixaram para mim.
Eu não precisava conhecer toda a história para viver a página daquele dia.
Precisava continuar caminhando.
Precisava continuar buscando.
Precisava continuar obedecendo.
Precisava continuar escrevendo aquilo que estava sendo colocado diante de mim.
E, enquanto eu fazia isso, o Espírito Santo não estava com pressa.
Ele tinha paciência.
Ele trabalhava.
Ele esperava.
Ele preparava.
Ele conduzia.
Porque Ele conhecia aquilo que eu ainda não conhecia.
Conhecia a mulher que eu ainda não sabia que seria minha esposa.
Conhecia os processos pelos quais nós dois passaríamos.
Conhecia as dores que precisariam ser tratadas.
Conhecia as batalhas que seriam enfrentadas.
Conhecia o momento em que os nossos caminhos deixariam de ser apenas caminhos paralelos e começariam a convergir para uma mesma aliança.
E, principalmente, conhecia o propósito que nós ainda não conseguíamos enxergar.
OITO AGENDAS, UMA HISTÓRIA
Foram oito agendas: Agendas de Guerra e do Amor.
Mas esta informação precisa ser registrada corretamente nesta biografia:
cinco agendas foram escritas por Ivanildo e três agendas foram escritas por Rosinete.
As páginas receberam pensamentos sobre Deus, sobre o Senhor Jesus Cristo, sobre o Espírito Santo, sobre a vida sentimental, sobre batalhas, propósitos, orações, jejuns, madrugadas e montes.
Cada agenda pertenceu a uma determinada estação.
Cada uma guardou registros daquela caminhada.
A primeira foi comprada na Central, na calçada ao lado da estação do trem, em Duque de Caxias.
Era um objeto simples.
Mas acabou se tornando testemunha de uma história extraordinária.
E a primeira agenda tinha ainda uma particularidade que precisa permanecer registrada:
Ivanildo deixou algumas folhas para que Rosinete também pudesse registrar seus próprios pensamentos e aquilo que, segundo sua experiência de fé, Deus colocasse em seu coração e em seus pensamentos.
Assim, as agendas não devem ser apresentadas como se fossem exclusivamente de Ivanildo.
Elas guardam, ao longo da história, registros de ambos.
Cinco agendas de Ivanildo. Três agendas de Rosinete. Oito agendas formando um conjunto documental da caminhada dos dois.
Depois veio a segunda agenda, quando eu já havia encontrado a minha rainha, e comecei a escrever no terraço da casa do advogado para quem prestava serviços.
Entre uma agenda e outra, uma história inteira foi sendo registrada.
Mas existe algo ainda maior:
As agendas registraram o que nós sabíamos; o Espírito Santo conduzia também aquilo que nós ainda não sabíamos.
Essa é a diferença.
O papel guardava palavras.
A história guardava acontecimentos.
E Deus conhecia o caminho inteiro.
QUANDO A REVELAÇÃO CHEGOU
Talvez seja por isso que hoje eu consiga olhar para aquelas primeiras páginas sem tratá-las apenas como registros antigos.
Elas são testemunhas.
Testemunhas de um tempo em que eu ainda não tinha a compreensão que tenho hoje.
Eu escrevia para “Minha Rosa”.
Depois, a Rosa se tornou Rosinete.
A mulher que eu ainda não conhecia como minha esposa passou a fazer parte da minha vida.
Aquilo que antes era esperança passou a ser realidade.
O que antes estava apenas nas páginas começou a acontecer diante dos nossos olhos.
E então uma coisa extraordinária aconteceu:
A história começou a explicar as páginas.
Não foi simplesmente a página que explicou a história.
Foi a história que, com o passar do tempo, permitiu compreender melhor aquilo que havia sido escrito.
É por isso que não podemos julgar uma página isoladamente.
Uma página pode parecer estranha quando não conhecemos o capítulo inteiro.
Um capítulo pode parecer incompleto quando não conhecemos o livro.
E uma vida pode parecer cheia de coincidências quando não conhecemos aquilo que seus protagonistas compreendem espiritualmente como direção de Deus.
Hoje, nós conhecemos muito mais da história.
Mas ainda assim sabemos que não conhecemos tudo.
ELE ESTAVA NO PRINCÍPIO
O Espírito Santo não entrou na nossa história somente quando seu nome apareceu em uma agenda.
Ele não começou a agir quando nós finalmente percebemos sua atuação.
Ele não passou a existir para nós quando conseguimos colocar Seu nome no papel.
Na nossa compreensão, Ele já estava presente.
Já estava trabalhando.
Já estava conduzindo.
Já estava ensinando.
Já estava preparando.
E, sobretudo, já estava amando.
Essa é uma das razões pelas quais este capítulo não deve ser entendido apenas como um capítulo sobre uma agenda.
É um capítulo sobre presença.
Sobre aquela presença que não depende de ser mencionada para existir.
Sobre aquele cuidado que não precisa ser percebido para acontecer.
Sobre aquela direção que pode ser compreendida somente muitos anos depois.
E sobre a paciência de Deus diante de duas vidas que ainda precisavam passar por muitos processos antes de compreenderem aquilo que Ele estava preparando.
“Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o último.”
Apocalipse 22:13
Hoje, quando olho para as oito agendas, não vejo apenas oito conjuntos de páginas.
Vejo uma parte da nossa história preservada.
Vejo uma parte do caminho.
Vejo palavras que foram escritas quando ainda não sabíamos o que aconteceria.
Vejo a primeira vez em que “Minha Rosa” foi chamada assim sem que eu soubesse ainda quem ela era.
Vejo o caminho que nos levou da guerra à resposta.
Vejo a espera.
Vejo a preparação.
Vejo as batalhas.
Vejo o amor.
Vejo a construção.
E, acima de tudo, vejo a fidelidade do Espírito Santo.
Por isso, este capítulo não é uma tentativa de colocar o Espírito Santo dentro da nossa história.
Ele já estava nela.
Este capítulo é apenas o reconhecimento, com os olhos que temos hoje, de que Ele esteve presente quando ainda não sabíamos explicar Sua presença.
Ele inspirou.
Ele conduziu.
Ele esperou.
Ele corrigiu.
Ele sustentou.
Ele teve paciência conosco.
Ele não desistiu.
E, quando chegou o tempo determinado, aquilo que parecia apenas uma página começou a encontrar correspondência na vida real.
O Espírito Santo conhecia o princípio.
Conhecia o caminho.
Conhecia as páginas que ainda seriam escritas.
Conhecia a mulher que seria minha esposa.
Conhecia o homem que eu ainda precisava me tornar.
Conhecia as lutas que enfrentaríamos.
Conhecia a aliança que nasceria.
Conhecia a história inteira.
Ele é o Alfa e o Ômega.
E é por isso que, ao olhar para trás, eu posso dizer com toda a convicção da minha fé:
Antes de nós compreendermos a nossa história, o Espírito Santo já estava trabalhando nela.
Antes de Seu nome aparecer nas páginas, Sua presença já estava conduzindo as páginas.
Antes de sabermos que existiria uma biografia chamada Nossa História, Ele já conhecia cada capítulo.
E se hoje conseguimos contar esta história, é porque Ele teve paciência, dedicação e amor para conduzir duas vidas — Ivanildo e Rosinete — até que aquilo que estava sendo preparado em silêncio pudesse, no tempo certo, acontecer.
Toda honra.
Toda glória.
Todo louvor.
Ao Senhor Espírito Santo.
Amém.

0 Comentários