CAPÍTULO 60 — 01 DE NOVEMBRO DE 2001

A noite em que Rosinete abriu o coração diante da agenda e do cálice

“Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?”
Romanos 8:31

Quinta-feira, 1º de novembro de 2001.
22 horas.

Havia momentos que pareciam pequenos enquanto aconteciam, mas que, depois de muitos anos, se tornavam marcos de uma história inteira.

Aquela noite foi assim.

Naquele dia, Ivanildo entregou a Rosinete a primeira Agenda de Guerra e do Amor e o cálice dourado. Mais do que entregar dois objetos, entregava registros de uma caminhada que vinha sendo construída em oração, busca, espera e escrita.

E Ivanildo disse algo que ficou associado àquele momento:

“O que ela precisava saber estava na agenda.”

A partir daquele instante, a história que até então havia sido registrada principalmente por Ivanildo começava a receber, de maneira documental, a voz de Rosinete.

E essa voz ficou registrada.

“Meu amor, vou falar um pouco de mim”

Nas primeiras páginas escritas naquela noite, Rosinete começa de maneira simples e profundamente pessoal:

“Meu amor vou falar um pouco de mim.”

E logo apresenta uma convicção que atravessaria todo aquele registro:

“Não acredito que tudo que aconteceu foi por acaso, eu não acredito nisso. Nada acontece por acaso tudo está escrito.”

Aquelas palavras são importantes porque mostram que, naquele momento, Rosinete não estava apenas escrevendo sobre o homem que estava diante dela.

Ela estava tentando compreender a própria caminhada, suas dores, suas orações, suas angústias e aquilo que agora começava a enxergar sob uma nova perspectiva.

Ela registrou que, nos momentos de angústia, tristeza e tribulação, acreditava que aquela fase teria fim. Segundo suas próprias palavras, existia dentro dela uma certeza de que aquele problema acabaria e que, depois da noite, viria novamente a alegria do amanhecer.

Então voltou ainda mais para trás, para um período anterior ao encontro com Ivanildo:

“Meu amor ante de te conhecer eu orava olhando para céu, para lua e estrela, clamava a Deus por justiça chorava como uma criança.”

Essas palavras apresentam uma Rosinete que já trazia consigo uma história de oração, dor, lágrimas e expectativa diante de Deus.

Uma dor sentimental que ainda estava na memória

Na segunda página, Rosinete aprofundou aquilo que havia vivido.

Ela contou que clamava diante de Deus e chegou a dizer:

“Não é possível o Senhor é comigo.”

E registrou uma entrega extrema de sua parte:

“Se for pra mim viver a minha vida tão medíocre eu prefiro morrer.”

Logo depois, explicou o que estava por trás daquela declaração:

“Eu queria um basta na vida sentimental. Eu não aceitava aquela situação, de maneira alguma.”

E então nomeou uma das feridas que mais profundamente havia atingido seu coração:

“Porque o pior sentimento que eu senti, foi a dor [da] traição e o meu coração estava muito ferido.”

O registro não esconde a intensidade daquele período.

Rosinete escreveu que seu coração estava muito ferido.

Mas, ao mesmo tempo, reconheceu algo que naquele momento começava a enxergar de maneira diferente:

“E Deus estava tão perto e eu não estava vendo. Só via os problemas.”

Essa frase é uma das mais fortes daquele primeiro registro.

Porque nela existe a percepção de que, enquanto seus olhos estavam concentrados na dor, Deus continuava presente.

O registro original possui ainda um trecho cortado na margem, no qual permanecem apenas palavras incompletas. Por isso, esse trecho deve continuar documentalmente sinalizado como incompleto, sem reconstrução por imaginação.

O presente começava a ganhar outro significado

Na terceira página, Rosinete muda o foco.

Ela anuncia:

“Agora meu amor vou falar do presente e do futuro.”

E revela que havia se apegado a uma palavra:

“Se Deus é por nós quem será contra nós!”

Em seguida, registra também outro princípio bíblico que havia guardado para si:

“E também eu sendo uma mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão.”

Então chega a uma das partes mais significativas de seu depoimento naquela noite:

“Foi quando eu olhei para você e senti algo diferente com certeza sem comparação...”

Rosinete não descreve aquele sentimento como algo comum.

Ela diz que havia sentido algo diferente, algo que não conseguia comparar com experiências anteriores.

E acrescenta:

“Eu senti um sentimento diferente, um sentimento que nunca tinha sentido.”

Essa frase é histórica porque não foi escrita anos depois, com a memória já construída pelo casamento.

Foi escrita na própria data de 1º de novembro de 2001.

Era o registro dela naquele momento.

Um sentimento que ela ainda não havia contado

Rosinete continua:

“Nunca disse isto para você mas cheguei a apanhar no nome de Jesus.”

O registro original preserva essa frase dessa maneira.

Não devemos completar aquilo que a página não explica.

O que permanece documentado é que Rosinete associou aquela experiência ao nome de Jesus e registrou que ainda não havia contado aquilo a Ivanildo.

Esse detalhe torna aquelas páginas ainda mais importantes para a biografia, porque revela que ela estava registrando coisas que ainda não havia verbalizado ao homem que estava recebendo aquela agenda.

A agenda, naquele momento, não era apenas um objeto entregue por Ivanildo.

Ela se transformava também em um espaço onde Rosinete podia registrar o que ainda não havia dito.

“Escreve a visão e torna-a bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo.”
Habacuque 2:2

“Eu estava amarrando a bênção que ele estava me dando”

Na quarta página, Rosinete continua refletindo sobre o que estava acontecendo.

Ela escreve:

“Eu estava amarrando a benção que ele estava me dando.”

Logo depois, reúne outras passagens e princípios bíblicos:

“Fiel é a palavra e digna de aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar.”

E também:

“Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no Senhor está seguro.”

A partir dessas palavras, Rosinete passa a interpretar aquele momento dentro de sua caminhada de fé.

Então escreve:

“Hoje eu tenho a certeza da minha vitória e você faz parte dessa vitória.”

A frase seguinte demonstra que ela ainda estava olhando para o passado recente:

“Isso foi faço [ficou] muito ferido, humilharam, isso foi da noite para o dia mas Deus abençoou a gente.”

Mesmo com alguns trechos da página difíceis de reconstruir literalmente, a ideia central está clara no próprio registro: havia uma ferida, havia humilhação e, agora, Rosinete enxergava uma bênção acontecendo depois daquela fase.

Então escreveu:

“Que presente que ele me deu tão especial.”

E concluiu:

“Nada e ninguém vai nos separar.”

Acrescentando a dimensão espiritual:

“Principalmente na fé com Deus...”

A continuação da frase está incompleta na transcrição disponível.

“Eu te amo não o que você tem, mas pela pessoa que você é”

A quinta página talvez seja uma das declarações mais diretas daquela noite.

Rosinete escreveu:

“Eu te amo não o que você tem, mas pela pessoa que você é.”

Não era uma declaração baseada em bens, posição ou aparência.

Ela imediatamente explicou o que havia buscado em oração:

“Tudo o que eu pedi a Deus, um homem de caráter de Deus e fiel com Ele.”

E relacionou esse desejo a um princípio bíblico:

“Porque se somos fiel no pouco, no muito Ele nos colocará.”

Depois, escreveu como quem assumia uma posição diante do futuro:

“Eu perseverarei, lute e conquiste.”

E demonstrou convicção:

“E eu sei que Deus tem algo maior para nós dois, não tenho nem uma sombra de dúvida.”

Mas existe uma frase especialmente importante para a identidade espiritual daquela página:

“Tudo seja para a honra e a glória de Deus.”

Ela não colocou a própria história como centro absoluto.

Mesmo diante de um momento que claramente tinha grande significado afetivo para ela, registrou que tudo deveria resultar em honra e glória para Deus.

E acrescentou:

“E todos verão, porque não vai ser de palavra e sim de ação e de fé no nome de Jesus.”

No quadro colocado ao final da página, deixou outra frase:

“Todos os nossos objetivos Deus já abençoou.”

1º de novembro: uma data que não seria esquecida

Na sexta página, o tom se torna ainda mais pessoal.

Rosinete escreve:

“No simples fato de você existir,”

e continua afirmando que aquela data estava se tornando inesquecível.

Ela registra:

“Esta sendo uma data inesquecível, que nem o tempo fará com que essa data seja apagada de meus pensamentos e de meu coração.”

Depois descreve aquele instante como:

“um momento maravilhoso”

e afirma que, se fosse possível, pararia o tempo naquele exato instante em que Ivanildo a reconheceu como futura esposa:

“se fosse possível eu pararia o tempo na hora e momento que você noivo comigo.”

Então vem uma das declarações mais significativas da página:

“Foi um instante que transformou essa noite em um grande momento de minha vida.”

E finalmente registra o significado que aquela data passou a ter para ela:

“Essa data significa para mim sinônimo de união de amor.”

Em seguida, escreveu:

“DATA 01/11/01 só fui escolhida para ser a sua futura esposa. TÁ LIGADO!”

A força dessa frase está justamente no seu caráter de registro contemporâneo ao acontecimento.

Não foi uma interpretação feita muitos anos depois.

Foi a maneira como Rosinete escreveu naquele próprio momento aquilo que estava vivendo.

E terminou aquela página agradecendo:

“Por isso agradeço a Deus por me dar este presente tão precioso e por Ele nos fortalecer...”

A continuação da frase não está integralmente preservada na transcrição disponível.

A agenda começou a falar com duas vozes

É aqui que o significado histórico da entrega se torna ainda maior.

Antes daquela noite, as agendas estavam associadas principalmente à caminhada registrada por Ivanildo.

Mas, a partir daquele momento, Rosinete também passou a escrever dentro dessa história.

A primeira Agenda de Guerra e do Amor havia recebido espaço para que ela pudesse registrar seus pensamentos, aquilo que sentia e aquilo que, segundo sua própria experiência de fé, entendesse que Deus colocava em seu coração e em seus pensamentos.

Assim, a agenda começou a se transformar em algo maior do que um registro individual.

Ela se tornou memória compartilhada.

Ao longo da história, seriam cinco agendas de Ivanildo e três agendas de Rosinete, totalizando oito agendas.

Naquele 1º de novembro de 2001, porém, tudo isso estava apenas começando a ganhar outra dimensão.

Uma noite escrita pela própria Rosinete

A importância do Capítulo 60 está também no fato de que, agora, não dependemos somente da lembrança de quem entregou a agenda.

Temos a voz escrita de quem a recebeu.

Rosinete registrou sua dor.

Registrou sua fé.

Registrou suas orações.

Registrou a maneira como entendia seu passado.

Registrou aquilo que começou a sentir naquele presente.

Registrou sua expectativa diante do futuro.

E registrou, acima de tudo, que desejava colocar aquela história diante de Deus.

Por isso, 1º de novembro de 2001 não foi apenas o dia em que uma agenda e um cálice foram entregues.

Foi também o dia em que Rosinete começou a escrever, com suas próprias palavras, sua parte daquela história.

E as primeiras palavras eram pessoais:

“Meu amor, vou falar um pouco de mim.”

A partir dali, a história deixaria de ser contada apenas por uma voz.

Começaria a ser preservada também pela outra.

“Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei.”
Isaías 12:2

O significado daquele momento

Naquela noite, às 22 horas, uma agenda chegou às mãos de Rosinete.

Um cálice dourado também foi entregue.

Mas algo ainda maior aconteceu no campo dos registros: Rosinete abriu o coração e começou a escrever.

Ela não apagou sua dor anterior.

Não escondeu as feridas.

Não negou as noites de oração.

Não fingiu que sua caminhada tinha sido simples.

Ao contrário, colocou tudo diante de Deus e registrou que acreditava estar vivendo uma nova estação.

Aquela agenda que Ivanildo dizia conter aquilo que ela precisava saber acabou recebendo algo que só poderia existir a partir dela:

a própria voz de Rosinete.

E assim, em 1º de novembro de 2001, a história passou a carregar duas perspectivas registradas em suas próprias páginas.

Ivanildo havia escrito a caminhada.
Rosinete começou a escrever sua resposta àquela caminhada.

E, naquele momento, uma nova etapa da história dos dois estava sendo documentada — não apenas pela memória, mas pela escrita de ambos.