CAPÍTULO 65
A MANGA VERDE E A MANGA MADURA
DEUS TODO-PODEROSO
“Tudo fez formoso em seu tempo.”
— Eclesiastes 3:11
Havia momentos na caminhada de Ivanildo em que a resposta parecia estar muito próxima, mas, ainda assim, permanecia escondida.
Ele já havia atravessado anos de busca, oração, jejum, vigílias e experiências que marcaram profundamente sua vida com Deus. Já conhecia a intensidade das batalhas espirituais e aprendera que nem tudo aquilo que se deseja conhecer precisa ser revelado imediatamente.
Foi nesse contexto que aconteceu uma experiência que, muitos anos depois, ganharia um significado ainda mais profundo em sua memória.
Ivanildo não consegue precisar a data daquele episódio. Naquela época, segundo sua própria lembrança, eram muitas as lutas e muitos os acontecimentos que atravessavam sua caminhada. Por isso, o tempo exato daquele acontecimento não ficou registrado em sua memória.
Mas o lugar permaneceu guardado.
Foi na antiga instituição, do lado de fora, na calçada da igreja.
Ali, segundo seu testemunho, Ivanildo viveu uma experiência na qual percebeu uma direção do Espírito Santo.
A mensagem, conforme ele a recorda, foi aproximadamente esta:
“O Espirito Santo falou Ivanildo, eu sei que é a sua amada, mas não vou te contar.”
Era uma afirmação que carregava, ao mesmo tempo, conhecimento e silêncio.
Na compreensão de Ivanildo, havia algo que Deus já conhecia, mas que ele ainda não estava autorizado a saber.
Aquela experiência não lhe entregava um nome.
Não apontava diretamente para Rosinete.
Não apresentava uma fotografia.
Não revelava uma identidade.
Era como se a resposta existisse, mas permanecesse atrás de uma porta que ainda não havia chegado o momento de abrir.
E justamente por isso aquela experiência se tornou tão marcante.
Ivanildo então se lembrou de um ensinamento que havia recebido em Del cartilho, com o Bispo Alessandro. O ensinamento estava relacionado ao princípio de que uma herança recebida antes do tempo não produz o mesmo resultado que aquilo que chega na hora certa.
“Provrbios 20-21 A herança que se obtém facilmente no início não será abençoada no final.“
A ideia era simples, mas profunda: existe aquilo que pertence a alguém, porém existe também o momento certo para recebê-lo.
Naquela fase, Ivanildo ainda estava aprendendo que nem tudo aquilo que Deus prepara precisa ser revelado antecipadamente.
Às vezes, saber antes da hora não ajuda.
Às vezes, a pessoa ainda precisa amadurecer.
Às vezes, o próprio caminho precisa ser percorrido antes que a resposta possa ser plenamente compreendida.
Foi então que surgiu a imagem que daria nome àquela experiência.
Segundo seu testemunho, o Espírito Santo lhe perguntou se ele gostava de manga verde ou manga madura.
Ivanildo respondeu:
“Madura.”
A pergunta parecia simples.
A resposta também.
Mas, olhando para aquela experiência depois que toda a história se desenvolveu, Ivanildo passou a enxergar naquela pergunta uma lição sobre o tempo.
A manga verde já é manga.
Ela já carrega em si aquilo que poderá se tornar.
Mas ainda não chegou ao ponto de maturação.
Ainda precisa permanecer na árvore.
Ainda precisa esperar.
Ainda precisa atravessar o processo que a levará ao momento adequado.
E foi dessa maneira que Ivanildo passou a compreender aquela experiência espiritual.
Ele não recebeu naquele momento o nome da mulher.
Não soube imediatamente que se tratava de Rosinete.
O que existia era uma percepção de que havia algo relacionado à sua vida sentimental que Deus conhecia, enquanto ele ainda não conhecia.
Anos depois, quando olhou para tudo o que havia acontecido, a imagem da manga verde e da manga madura ganhou outro peso.
A resposta não havia chegado atrasada.
Ela havia chegado no tempo em que pôde ser compreendida.
Antes disso, talvez fosse apenas uma informação.
Depois, tornou-se entendimento.
SENHOR JESUS CRISTO
“O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois.”
— João 13:7
E existe uma diferença profunda entre receber uma resposta e estar preparado para compreender o que ela significa.
Ivanildo havia passado por uma longa escola de espera.
Havia aprendido que nem toda oração recebe imediatamente aquilo que pede.
Havia aprendido que algumas respostas chegam como acontecimentos, outras como experiências, e algumas somente podem ser compreendidas depois que a própria vida revela o seu significado.
Foi assim que a lembrança daquela manga permaneceu guardada em sua história.
Primeiro, como uma experiência difícil de explicar.
Depois, como uma imagem.
E, mais tarde, como uma compreensão.
A manga verde não era inútil por ainda não estar madura.
Ela simplesmente ainda não havia chegado ao seu ponto.
Da mesma maneira, aquilo que Ivanildo desejava conhecer sobre sua vida sentimental não precisava ser revelado antes da hora.
Ele ainda precisava atravessar outros acontecimentos.
Ainda haveria o retorno de Rosinete.
Ainda haveria o aperto de mão.
Ainda haveria a mudança na maneira como os dois passariam a se enxergar.
Ainda haveria o momento em que aquilo que durante tanto tempo permanecera oculto começaria a ganhar forma diante dos olhos dos dois.
Mas naquele momento específico, Ivanildo ainda não sabia.
E essa talvez seja uma das partes mais profundas dessa lembrança:
ele não precisava saber tudo para continuar caminhando.
Precisava continuar confiando.
Naquela época, havia muitas lutas.
E talvez justamente por isso a resposta não tenha vindo de maneira completa.
Ivanildo estava vivendo uma fase em que precisava continuar buscando a Deus sem possuir todas as explicações.
O caminho exigia fé.
Exigia perseverança.
Exigia espera.
E exigia também aprender a confiar quando o coração queria respostas que ainda não estavam disponíveis.
ESPÍRITO SANTO
“Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.”
— Romanos 8:14
Hoje, ao recordar aquela experiência, Ivanildo não a apresenta como uma fórmula que pudesse ser aplicada a qualquer pessoa, mas como parte de sua própria caminhada com Deus.
Foi assim que ele a viveu.
Foi assim que a compreendeu.
E foi assim que, depois dos acontecimentos seguintes, passou a enxergar nela uma espécie de antecipação de algo que ainda estava escondido.
Deus, em sua compreensão, já conhecia a história.
Ivanildo ainda não.
A resposta existia.
O nome existia.
A mulher existia.
Mas o momento de conhecer tudo ainda não havia chegado.
Era como a manga que ainda estava verde.
Ela não deixava de ser manga por estar verde.
Só ainda não estava madura.
E, naquela fase da vida, Ivanildo também estava aprendendo que algumas coisas não precisam ser arrancadas da árvore antes do tempo.
Há respostas que precisam amadurecer.
Há encontros que precisam esperar.
Há pessoas que podem estar próximas sem que o coração ainda reconheça o significado daquela proximidade.
E há momentos em que Deus, segundo a experiência de quem caminha com Ele, não responde com um nome.
Responde com uma espera.
Foi isso que a manga verde e a manga madura passaram a representar na história de Ivanildo.
Não a ausência de uma resposta.
Mas a existência de um tempo.
E enquanto ele ainda não sabia quem era aquela mulher, a história continuava sendo escrita.
Sem que ele pudesse enxergar tudo.
Sem que pudesse antecipar o próximo capítulo.
Mas caminhando.

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