CAPÍTULO 66 — EU SABIA, MAS NÃO PODIA CONTAR

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” — Eclesiastes 3:1

Havia uma diferença entre saber que Deus estava conduzindo alguma coisa e receber autorização para conhecer todos os seus detalhes. Ivanildo aprenderia essa diferença de uma maneira que, muitos anos depois, ainda permaneceria viva em sua memória.

Naquele período, segundo o seu testemunho, existia uma mulher que Deus conhecia como sua amada, mas cuja identidade ainda não lhe havia sido revelada. A experiência da manga verde e da manga madura já havia lhe ensinado que não bastava desejar uma resposta: era preciso esperar que ela chegasse ao tempo certo.

A frase que recebera do Espírito Santo permanecia como um limite e, ao mesmo tempo, como uma direção:

“Ivanildo, eu sei que é a sua amada, mas não vou te contar.”

Ele podia continuar caminhando. Podia continuar orando. Podia continuar escrevendo em suas Agendas de Guerra. Mas não podia antecipar aquilo que, segundo sua compreensão, ainda não lhe fora permitido conhecer.

“O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois.” — João 13:7

Essa palavra de Jesus ajuda a compreender a natureza daquela espera. Há momentos em que a pessoa vive uma história sem compreender imediatamente o significado de cada acontecimento. A compreensão pode chegar depois, quando aquilo que antes parecia apenas um fragmento passa a ocupar seu lugar dentro de uma história maior.

Ivanildo não precisava inventar um nome. Não precisava escolher alguém para preencher o espaço daquilo que ainda não conhecia. O que ele tinha era a convicção, segundo seu testemunho, de que existia uma direção de Deus e de que o tempo dessa revelação ainda não havia chegado.

Por isso, o título deste capítulo não fala apenas de um segredo. Fala de uma disciplina espiritual: saber que existe algo sem tentar arrancar do tempo aquilo que ainda não foi entregue.

Mais tarde, olhando para trás, a experiência ganharia um significado ainda mais profundo. A mulher que ele não podia identificar naquele momento era Rosinete. Mas essa identificação só faria sentido quando a própria história chegasse à etapa em que os olhos e os corações dos dois seriam abertos para aquilo que, até então, permanecera oculto.

E havia ainda uma segunda lição que completaria a primeira.

Depois que Ivanildo conheceu Rosinete e passou a viver uma felicidade que, segundo ele, era muito grande, o Espírito Santo lhe fez outra pergunta:

“Ivanildo, você ama mais a Rosinete do que a Mim?”

“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós.” — Romanos 8:26

Ivanildo respondeu que amava mais o Senhor do que sua “rainha Rosinete”. Segundo seu testemunho, depois dessa resposta o Espírito Santo derramou sobre eles a plenitude do Seu amor.

Assim, olhando para os dois momentos em conjunto, ele passou a compreender uma sequência espiritual: primeiro, Deus não lhe permitiu saber quem era sua amada antes da hora; depois, quando a mulher já estava diante dele e o amor havia se manifestado, veio a prova da prioridade do coração.

A primeira lição dizia: espere pela revelação.

A segunda dizia: quando receber aquilo que esperou, não coloque o presente acima do Deus que o concedeu.

Por isso, “eu sabia, mas não podia contar” tornou-se mais do que uma frase. Tornou-se uma memória de um tempo em que Ivanildo compreendia apenas uma parte daquilo que estava sendo escrito.

Ele sabia que havia algo.

Sabia que havia uma amada.

Sabia que havia uma direção.

Mas não podia contar o que ainda não lhe fora revelado — porque ainda não sabia o nome.

O tempo faria aquilo que a ansiedade jamais poderia fazer: transformaria a espera em compreensão. E, quando a história avançasse, aquilo que antes parecia apenas uma palavra misteriosa começaria a encontrar rosto, nome, encontro e propósito.

No encerramento deste primeiro volume, permanece justamente essa tensão bonita entre o que já estava sendo preparado e aquilo que ainda não podia ser contado. O leitor sabe que a história está prestes a mudar de fase. Ivanildo, porém, naquele momento, ainda caminhava dentro daquilo que não podia ver completamente.

E talvez seja essa a força daquela estação: Deus não precisava revelar tudo para continuar conduzindo. Bastava que Ivanildo permanecesse fiel ao caminho que havia recebido.