CAPÍTULO 68 — O APERTO DE MÃO
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.”
Eclesiastes 3:1
Havia encontros que pareciam apenas encontros.
Havia gestos que, aos olhos humanos, poderiam parecer pequenos demais para carregar qualquer significado extraordinário.
E havia momentos que só poderiam ser compreendidos depois que o tempo passasse.
Na história de Ivanildo e Rosinete, um desses momentos foi um simples aperto de mão.
Até aquele instante, os dois haviam caminhado por estradas diferentes. Conheciam-se de vista, haviam estado no mesmo ambiente, pertenciam a uma história que já começava a se aproximar sem que nenhum dos dois compreendesse completamente o que estava acontecendo.
Rosinete havia atravessado sua própria decepção sentimental. Depois de conversar com sua mãe, Rosilda, passou por um período em outra instituição. Aproximadamente seis ou sete meses se passaram até que ela retornasse à instituição onde Ivanildo ainda estava.
Ela voltou acompanhada de sua mãe.
Era uma reunião de sexta-feira.
A data exata daquele encontro não está registrada, e por isso não será inventada. O que permanece registrado é o acontecimento: Rosinete voltou, esteve naquele ambiente novamente e, naquele reencontro, aconteceu o gesto que posteriormente ganharia um significado profundo para ela.
O aperto de mão.
“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”
Apocalipse 3:20
Não houve, naquele momento, uma declaração de amor.
Não houve uma conversa romântica preparada.
Rosinete ainda não amava Ivanildo.
Pelo contrário.
Em sua própria perspectiva, ela ainda carregava uma impressão pouco favorável a respeito daquele homem. Já havia ouvido comentários sobre ele. Pessoas falavam de Ivanildo de maneiras diferentes, e essas palavras haviam contribuído para formar nela uma imagem que não correspondia ao homem que, mais tarde, ela conheceria profundamente.
Ela chegou a considerá-lo “meio doido”.
Portanto, seria incorreto transformar aquele aperto de mão em uma cena romântica que ele ainda não era.
O que aconteceu foi mais silencioso.
Rosinete relata que, quando sua mão encontrou a mão de Ivanildo, algo começou a acontecer dentro dela.
Segundo seu testemunho, a mão começou a falar.
Não eram palavras audíveis.
Era uma percepção interior.
Ela passou a perceber naquele homem algo que não havia conseguido enxergar anteriormente: que Ivanildo era um grande homem de Deus.
Essa percepção não significava que todos os sentimentos já estivessem resolvidos. Não significava que ela já tivesse decidido amá-lo. Não significava sequer que ela compreendesse naquele instante toda a dimensão do que estava acontecendo.
Era apenas o primeiro movimento de algo que, para ela, começava naquele gesto.
E é justamente isso que torna o episódio tão significativo.
O coração ainda não havia pronunciado aquilo que o tempo haveria de revelar.
Mas, segundo Rosinete, alguma coisa já havia começado a mudar.
Ivanildo, por sua vez, também estava vivendo um processo que não pode ser separado de tudo aquilo que vinha acontecendo em sua vida espiritual.
Ele havia passado por lutas, orações, jejuns, vigílias e pela intensa busca que registrara em suas Agendas de Guerra.
Rosinete ainda não sabia tudo o que acontecia dentro daquele homem.
Ela não conhecia todas as batalhas que ele havia enfrentado.
Ela não conhecia a extensão das suas orações.
Ela não conhecia todos os pensamentos que ele havia colocado diante de Deus.
E, naquele momento, ela ainda não sabia que a história dos dois estava caminhando para uma aliança.
O que existia era apenas aquele encontro.
Aquele gesto.
Aquela mão.
E uma percepção que, segundo seu próprio testemunho, não nasceu simplesmente daquilo que as pessoas diziam a respeito de Ivanildo, mas de algo que ela entendeu espiritualmente naquele momento.
Isso é importante para a história porque Rosinete não começou sua caminhada com Ivanildo porque alguém simplesmente lhe disse que ele era um bom homem.
Ela mesma precisava descobrir.
Ela mesma precisava perceber.
Ela mesma precisava atravessar suas próprias resistências.
E o aperto de mão foi o primeiro ponto registrado dessa mudança.
“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.”
Romanos 8:14
Mais tarde, olhando para trás, Rosinete passou a compreender aquele instante de outra maneira.
Para ela, aquele aperto de mão representou uma espécie de marco.
Ela chegou a relacioná-lo ao princípio bíblico encontrado em 2 Reis 10:15, no encontro entre Jeú e Jonadabe, quando a mão estendida se tornou parte de uma declaração de aliança e de sinceridade entre eles.
Não estamos aqui transformando aquela passagem bíblica em uma prova de que o futuro casamento já estava determinado naquele segundo. A própria história mostra que ainda havia muito caminho pela frente.
Mas podemos registrar aquilo que Rosinete passou a compreender.
Para ela, aquele gesto carregava um significado espiritual.
A mão havia tocado a mão.
E, naquele toque, ela começou a perceber o homem que antes não queria sequer conhecer de perto.
Ainda não havia amor declarado.
Ainda não havia namoro.
Ainda não havia noivado.
Ainda não havia casamento.
Havia apenas um aperto de mão.
Mas, algumas vezes, a história não começa com grandes discursos.
Começa com um pequeno gesto que, somente depois, revela sua importância.
Rosinete ainda não sabia o que viria.
Ivanildo também ainda não tinha diante de si todos os capítulos que seriam escritos.
Mas aquele encontro já havia acontecido.
E, segundo a compreensão que Rosinete guardou daquele momento, foi ela quem começou a ser despertada primeiro.
O coração ainda precisava compreender.
O tempo ainda precisava avançar.
A aproximação ainda precisava acontecer.
E Deus, a quem ambos atribuem a condução dessa história, ainda permitiria que os próximos acontecimentos revelassem aquilo que naquele dia permanecia oculto.
O aperto de mão terminou.
Mas a história que começaria a nascer a partir dele estava apenas começando.

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