CAPÍTULO 71 — A PERGUNTA DO ESPÍRITO SANTO

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” — Provérbios 4:23

Há momentos na vida sentimental em que uma pessoa pensa que já encontrou a resposta. O coração se alegra, os olhos se iluminam, a presença de alguém começa a ocupar um espaço precioso e aquilo que antes parecia distante passa a parecer possível.

Foi nesse território delicado da felicidade que Ivanildo viveu uma experiência que, segundo o seu testemunho, marcou profundamente sua compreensão sobre o amor e sobre a prioridade de Deus.

Rosinete já havia começado a ocupar um lugar especial em seu coração. Depois de tantas lutas, orações, lágrimas, esperas e experiências espirituais, havia uma felicidade que ele não escondia. Mas o Espírito Santo, segundo aquilo que Ivanildo relata, não permitiu que aquela felicidade ocupasse o lugar que pertencia somente ao Senhor.

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” — João 14:16

Então veio a pergunta que atravessou o coração de Ivanildo:

“Ivanildo, você ama mais a Rosinete do que a Mim?”

Não era uma pergunta sobre a existência do amor por Rosinete. Era uma pergunta sobre a ordem do amor. Sobre quem estaria no primeiro lugar. Sobre aquilo que acontece quando uma pessoa recebe algo muito precioso e precisa continuar reconhecendo a mão daquele que lhe deu a bênção.

Ivanildo respondeu, segundo seu testemunho, que amava mais o Senhor do que sua “rainha Rosinete”.

E essa resposta se tornou, para ele, uma espécie de marco interior: a mulher que ele amava poderia ocupar um lugar extraordinariamente precioso em sua vida, mas nunca poderia ocupar o lugar de Deus.

Essa é uma das partes mais profundas da história sentimental de vocês. Porque o Espírito Santo não aparece apenas como aquele que conduz ao encontro de duas pessoas. Ele aparece, no testemunho de Ivanildo, como aquele que ensina o coração a amar sem transformar a criatura em substituta do Criador.

“Andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós.” — Efésios 5:2

É nessa compreensão que a história ganha uma beleza ainda maior.

O amor entre duas pessoas pode ser intenso, legítimo e precioso; mas, quando a vida sentimental é colocada diante de Deus, ela precisa aprender a permanecer no lugar correto.

Ivanildo compreendeu que amar Rosinete não significava amar menos a Deus. Pelo contrário: significava receber aquele amor dentro de uma ordem espiritual em que Deus continuava sendo o centro.

E, segundo o seu testemunho, depois daquela resposta, o Espírito Santo derramou sobre eles a plenitude do Seu amor.

Ivanildo passou a compreender que a felicidade que estava vivendo não deveria ser transformada em idolatria, mas em gratidão.

Aqui existe uma verdade que precisa ser escrita com reverência: o Espírito Santo teve, na compreensão de Ivanildo, importância decisiva em sua vida sentimental. Ele não foi apenas lembrado depois que a história deu certo. Foi reconhecido como presença, direção, consolo, correção e governo interior.

“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.” — Provérbios 3:5

Quando uma pessoa toma uma decisão sentimental colocando Deus acima dos próprios desejos, ela não recebe uma promessa de que jamais enfrentará dificuldades. A própria história de vocês mostraria, mais adiante, que o casamento também teria seus desertos, aprendizados e provas.

Mas Ivanildo passou a compreender que a decisão precisava nascer de um coração submetido a Deus, e não apenas de uma emoção passageira.

Por isso, este capítulo não deve ser lido simplesmente como a história de um homem que encontrou uma mulher que amava.

Ele registra algo mais profundo:

o momento em que Ivanildo percebeu que, mesmo depois de encontrar aquilo que seu coração tanto desejava, ainda precisava escolher quem ocuparia o primeiro lugar.

E ele escolheu o Senhor.

Essa escolha, segundo seu testemunho, trouxe uma liberdade especial ao amor.

Rosinete poderia ser amada profundamente sem carregar sobre os ombros o peso de ser a fonte absoluta da felicidade de Ivanildo. Ela poderia ser sua amada, sua companheira e sua futura esposa, mas não precisaria ocupar o trono que pertence somente a Deus.

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.” — Salmos 127:1

Essa compreensão também ilumina a sequência da história.

Primeiro houve a espera.

Depois, a revelação.

Depois, o encontro.

Depois, a mudança do olhar.

E, quando o amor começou a ganhar forma, veio a pergunta sobre a prioridade.

É como se o Espírito Santo estivesse ensinando:

receber uma bênção é uma coisa; saber permanecer com Deus depois de recebê-la é outra.

Para Ivanildo, aquela pergunta se tornou uma confirmação de que a vida sentimental não poderia caminhar separada da vida espiritual.

O amor precisava caminhar debaixo da direção de Deus.

E é justamente aí que aparece a beleza da decisão.

Quando o coração reconhece quem deve estar acima de tudo, a felicidade deixa de ser apenas a euforia de ter encontrado alguém. Ela passa a ser acompanhada pela gratidão, pela responsabilidade, pela paz e pelo desejo de construir uma história que honre a Deus.

Foi assim que Ivanildo passou a olhar para Rosinete: não como alguém que substituiria Deus, mas como uma mulher que, segundo sua compreensão espiritual, Deus havia permitido que entrasse em sua história.

E foi assim que a felicidade sentimental começou a ganhar uma profundidade diferente.

Não apenas porque havia amor entre dois corações, mas porque, no centro daquela história, Ivanildo queria manter o Senhor.

“E, se vocês pedirem alguma coisa em meu nome, eu a farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.” — João 14:13

No testemunho de Ivanildo, aquele momento se tornou uma das confirmações mais preciosas de sua caminhada:

quando Deus concede uma pessoa amada, a resposta correta não é colocar a pessoa acima de Deus, mas agradecer a Deus por ela.

E, segundo ele, depois de responder à pergunta do Espírito Santo, veio uma experiência ainda mais profunda de amor.

Não um amor fabricado pela emoção humana, mas a compreensão de que o relacionamento poderia ser vivido debaixo da presença de Deus.

Toda honra e toda glória, portanto, pertencem ao Espírito Santo, naquilo que Ivanildo testemunha sobre essa etapa de sua vida.

Foi Ele quem, segundo sua compreensão, conduziu, esperou, corrigiu, revelou, guardou o coração e ensinou que o verdadeiro amor não precisa competir com Deus.

Quando a decisão é tomada no lugar certo, o coração encontra uma forma diferente de descansar.

E, para Ivanildo, a decisão de colocar Deus acima de Rosinete não diminuiu o amor que sentia por ela.

Ao contrário:

deu ao amor um lugar onde ele poderia crescer sem tomar o lugar do Criador.

Assim, o Capítulo 71 não termina apenas com uma pergunta.

Termina com uma resposta.

E essa resposta resume uma das convicções mais profundas de Ivanildo:

Deus em primeiro lugar; o amor recebido como bênção; e a vida sentimental submetida à direção do Espírito Santo.

Foi nessa ordem que ele compreendeu a felicidade.

E foi nessa ordem que passou a enxergar o amor que estava nascendo.