CAPÍTULO 76 — “VOCÊ QUER SER ESPOSA DE PASTOR?”
Depois daquela Reunião do Amor em Del Castilho, o caminho de volta trouxe uma conversa que, naquele momento, parecia apenas mais uma entre tantas que ainda aconteceriam. Mas algumas perguntas, quando surgem no tempo certo, carregam consigo um peso que só o futuro consegue revelar.
Ivanildo e Rosinete voltaram juntos de metrô. O ambiente era simples, a viagem seguia seu curso, mas a conversa começou a entrar em uma direção mais profunda. Já não se tratava apenas do encontro daquele sábado. Começava a surgir uma conversa sobre futuro, responsabilidade, casamento e sobre aquilo que cada um imaginava para a própria vida.
Foi então que Ivanildo fez uma pergunta direta:
“Você quer ser esposa de pastor?”
A pergunta não era pequena.
Para Ivanildo, naquele momento, ela carregava uma decisão muito séria. Segundo o seu próprio relato, ele havia chegado a uma disposição interior: se Rosinete dissesse que sim, ele abriria mão de tudo.
Mas Rosinete respondeu:
“Não.”
A resposta poderia ter encerrado aquela possibilidade naquele mesmo instante. Poderia ter sido apenas uma resposta negativa a uma pergunta inesperada. Entretanto, segundo o testemunho de Ivanildo, aquela resposta lhe trouxe grande alegria.
Ele não recebeu aquele “não” como uma derrota.
Ao contrário, ficou feliz.
Talvez porque, naquele momento, ele não estivesse procurando simplesmente alguém que aceitasse uma posição ou um título. Havia algo mais profundo sendo discernido naquela conversa: a sinceridade de uma pessoa diante de uma responsabilidade que ela ainda não desejava assumir.
Depois disso, Ivanildo perguntou se Rosinete tinha filhos.
Ela respondeu que tinha uma filha.
Para ele, isso não era um problema.
A conversa continuou naturalmente, sem que os dois pudessem compreender naquele instante toda a dimensão do que ainda aconteceria. Pouco depois, chegaram à Pavuna, onde pararam para comer.
E foi ali que a conversa avançou para outro assunto: o casamento.
Começaram a conversar sobre como seria, como poderiam fazer, como seria a vida juntos. Eram conversas de quem ainda estava diante de um futuro que não conhecia, fazendo planos com as informações e a compreensão que possuía naquele momento.
Não havia como saber tudo.
Não havia como antecipar todos os acontecimentos.
Não havia como enxergar, naquele sábado, cada passo que ainda seria percorrido.
Havia apenas duas pessoas conversando sobre a possibilidade de construir uma vida juntas.
E existe uma particularidade histórica nessa passagem que somente os anos posteriores permitiriam compreender.
Naquele momento, Rosinete não queria ser esposa de pastor.
E, naquele mesmo período, Ivanildo também não tinha como projeto pessoal tornar-se pastor.
Nenhum dos dois estava construindo aquela conversa a partir de um plano previamente estabelecido de que, um dia, ambos exerceriam a função pastoral.
Mas a história não terminou naquela resposta.
Os anos passaram.
O caminho continuou.
O que naquele momento parecia uma possibilidade distante ganhou novos contornos ao longo da caminhada. Segundo o testemunho e a compreensão posterior de ambos, o Espírito Santo foi conduzindo a história e dando direção ao ministério que mais tarde receberiam e desenvolveriam juntos.
Hoje, olhando para trás, eles compreendem que aquela resposta de Rosinete — “não” — não foi a palavra final sobre a história.
E também compreendem que aquilo que Ivanildo imaginava para a própria vida naquele período não correspondia a tudo aquilo que ainda viria a acontecer.
Hoje, ambos exercem a função pastoral no ministério que, segundo seu testemunho, recebeu direção do Espírito Santo. E exercem essa responsabilidade com intensidade, dedicação e fidelidade, reconhecendo que aquilo que posteriormente se tornou realidade não nasceu simplesmente de uma decisão humana tomada naquele sábado.
É justamente olhando para trás que essa passagem ganha uma dimensão ainda maior.
Rosinete não queria ser esposa de pastor. Ivanildo não queria ser pastor.
Mas os dois acabaram caminhando juntos no exercício pastoral.
Não porque, naquele momento, já tivessem todas as respostas.
Não porque tivessem planejado antecipadamente todo o percurso.
Mas porque, segundo a compreensão que construíram ao longo dos anos, Deus foi conduzindo os passos que eles ainda não conseguiam enxergar.
Por isso, a frase que melhor resume essa lembrança não precisa ser construída como uma explicação complicada. Ela pode permanecer com a simplicidade de uma verdade que os próprios anos da caminhada ajudaram a compreender:
O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem de Deus.
Essa compreensão encontra correspondência direta nas Escrituras. Provérbios 16:9 declara: “O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.”
Essa palavra se torna especialmente significativa quando colocada ao lado da história dos dois.
Naquele sábado, Rosinete respondeu “não”.
Naquele período, Ivanildo também não tinha como projeto ser pastor.
Anos depois, os dois estavam exercendo juntos a função pastoral.
O que mudou não foi apenas uma decisão humana. Mudou o caminho.
E, quando uma história é observada muitos anos depois, existem acontecimentos que somente o tempo consegue colocar em perspectiva.
Naquele dia, eles estavam apenas conversando.
Hoje, olhando para aquela mesma conversa à distância dos anos, conseguem perceber que estavam diante de uma estrada que ainda não conheciam.
O futuro ainda estava fechado diante deles.
Mas os passos já começavam a ser dados.
E talvez seja justamente essa uma das maiores marcas daquela passagem: o ser humano enxerga o que está diante dos olhos; Deus, porém, conhece o caminho inteiro.
A pergunta foi feita.
A resposta foi dada.
O futuro permaneceu aberto.
E a história continuou.
“Você quer ser esposa de pastor?”
Naquele momento, a resposta foi “não”.
Mas a história ainda não havia terminado.
Referências bíblicas
1. Provérbios 16:9 — “O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.”
2. Salmos 37:5 — “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará.”
3. Eclesiastes 3:1 — “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.”

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