CAPÍTULO 82 — UM NAMORO DIFERENTE
Quando o namoro começou a ser vivido dentro da fé, do diálogo e do propósito
“Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?”
Amós 3:3
O namoro de Ivanildo Melo Regis e Rosinete Gonsaga de Lima começou depois de um período em que os dois já haviam conversado sobre família, futuro, casamento, ministério e propósito.
Por isso, quando o relacionamento começou oficialmente, ele não partiu do zero.
Havia uma história anterior.
Havia coisas que já haviam sido conversadas.
Havia perguntas que já tinham recebido respostas.
E havia, principalmente, uma compreensão de que aquele relacionamento precisava ser construído dentro da fé.
Foi isso que começou a tornar aquele namoro diferente.
Não era apenas um namoro
O namoro não foi vivido somente como uma experiência sentimental.
Segundo o testemunho de Rosinete, desde o início os dois conversavam sobre família, propósito, as coisas de Deus e fé.
Também havia momentos de busca no monte.
Havia conversa sobre diferentes assuntos.
Havia espaço para conhecer melhor um ao outro.
E havia uma compreensão de que duas pessoas que desejavam construir uma família precisavam aprender a conversar.
Rosinete resumiu essa necessidade de maneira muito clara:
“Sem conversas não chega a um denominador.”
Para ela, família envolvia um conjunto de elementos:
cuidado, conversa, carinho, empatia, sacrifício, amor e fé.
E tudo isso precisava acontecer com uma prioridade:
o Espírito Santo.
Bíblia dentro do relacionamento
A Bíblia fazia parte daquele namoro.
A fé não ficava separada das conversas.
Os princípios que os dois carregavam eram discutidos dentro da relação.
Isso fazia com que o namoro tivesse um ambiente diferente daquele que poderia ser construído somente sobre emoções.
Havia espaço para falar de Deus.
Havia espaço para refletir.
Havia espaço para buscar direção.
E havia a preocupação de entender como o relacionamento poderia ser vivido de maneira coerente com aquilo que ambos criam.
A Bíblia não era apenas um elemento externo.
Ela fazia parte das referências utilizadas dentro daquela caminhada.
“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para o meu caminho.”
Salmos 119:105
Oração antes de respostas
Outro elemento presente naquele namoro era a oração.
Rosinete relata que, quando os dois começaram a viver aquela fé juntos, ela também passou a buscar a Deus de maneira mais intensa em relação àquilo que estava acontecendo.
Em seu testemunho, conta que Ivanildo lhe deu um período para buscar a Deus e que ela passou alguns dias falando com o Senhor antes de receber uma agenda para ler.
Esse detalhe mostra que o relacionamento não estava sendo conduzido apenas pela pressa de definir tudo.
Havia tempo para buscar a Deus.
Havia espaço para oração.
Havia espaço para confirmação.
E, dentro da experiência espiritual de Rosinete, Deus já havia trabalhado em seu coração antes mesmo de algumas confirmações que vieram através dos registros.
Jejum e busca espiritual
O jejum também fazia parte da linguagem espiritual daquele relacionamento.
Não como uma prática isolada da vida dos dois, mas como parte de uma maneira de buscar direção.
O namoro carregava uma dimensão espiritual porque ambos entendiam que decisões importantes não deveriam ser tomadas apenas pela emoção.
Era necessário buscar.
Era necessário orar.
Era necessário esperar.
Era necessário compreender.
Por isso, a presença do jejum no relacionamento reforçava uma característica importante daquela fase:
o namoro era também um período de discernimento.
Conversar era parte do relacionamento
Talvez uma das maiores marcas daquele namoro tenha sido justamente o diálogo.
Rosinete afirmou que eles conversavam sobre tudo um pouco.
Isso significava conhecer as diferenças.
Entender personalidades.
Ouvir experiências.
Falar sobre expectativas.
Conversar sobre família.
Conversar sobre futuro.
Conversar sobre a obra de Deus.
Conversar sobre aquilo que cada um sentia.
Essa característica não desapareceria com o passar dos anos.
Mais tarde, já dentro do casamento, Rosinete continuaria reconhecendo que o diálogo era fundamental para que uma família chegasse a um denominador comum.
O que começou no namoro permaneceria como um dos fundamentos da vida dos dois.
Propósito acima da aparência
O relacionamento também se diferenciava porque havia uma preocupação com propósito.
Não era apenas:
“Nós gostamos um do outro.”
Era também:
“Para onde estamos caminhando?”
“O que Deus quer de nós?”
“Como ficará nossa família?”
“Como será nosso serviço?”
Essas questões faziam parte da maneira como os dois olhavam para o futuro.
Isso dava ao namoro uma responsabilidade maior.
Era necessário pensar não somente no presente, mas na vida que poderia ser construída.
Ministério e vida a dois
O ministério também não estava separado do relacionamento.
Os dois já possuíam uma caminhada de fé e serviço.
Por isso, um possível futuro juntos precisava considerar aquilo que ambos entendiam como chamado.
O relacionamento não era uma interrupção do serviço.
Dentro da compreensão deles, poderia fazer parte da própria caminhada.
Essa percepção seria aprofundada nos capítulos seguintes, mas ela já estava presente no namoro.
Existia uma preocupação com a obra, com o propósito e com aquilo que poderiam viver juntos.
Compromisso
Um namoro diferente também exigia compromisso.
Não bastava conversar.
Era necessário permanecer.
Não bastava sentir.
Era preciso assumir responsabilidade pelo relacionamento.
Não bastava sonhar.
Era necessário caminhar.
Essa construção acontecia pouco a pouco.
Cada conversa contribuía para o conhecimento.
Cada experiência ajudava a revelar o caráter.
Cada decisão acrescentava uma camada à confiança.
O compromisso não apareceu pronto.
Foi sendo construído.
Futuro
Desde o começo, o futuro estava presente.
O relacionamento não ficava preso ao dia em que as coisas estavam acontecendo.
Havia conversas sobre aquilo que poderia vir.
O casamento já havia sido conversado anteriormente.
A família fazia parte dos pensamentos.
O ministério também.
Os dois começavam a perceber que uma relação poderia significar uma caminhada muito maior do que aquele primeiro momento.
“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.”
Provérbios 3:5
Uma fé compartilhada
Rosinete também registra que algo importante chamou sua atenção: a percepção de que Ivanildo tinha um nível de fé que dialogava com aquilo que ela desejava viver.
Ela relata que começaram a viver essa fé juntos.
Essa expressão é importante.
Não era simplesmente admirar a fé do outro.
Era começar a compartilhá-la dentro da caminhada do relacionamento.
Orar.
Conversar.
Buscar.
Ler.
Refletir.
Ir ao monte.
Falar sobre Deus.
Tudo isso ajudava a construir um namoro que tinha sua própria identidade.
A primeira agenda dentro do namoro
Outro elemento que começaria a ganhar importância era a agenda.
Rosinete conta que, depois daquele período de busca, Ivanildo lhe entregou uma agenda para que ela lesse.
Segundo seu próprio testemunho, aquela agenda foi fundamental para ajudá-la a conhecer melhor o homem que estava diante dela e a perceber elementos que, para ela, confirmavam aquilo que Deus já havia trabalhado em seu coração.
Ela também afirma que passou a escrever sobre a vida, o futuro, palavras de Deus, versículos, bases e propósito.
Assim, as agendas não permaneceram apenas como documentos da caminhada de Ivanildo.
Começaram também a receber a participação de Rosinete.
Isso é importante porque, ao longo da história, as agendas se tornariam registros de uma caminhada compartilhada.
Um relacionamento que não precisava ter pressa
O namoro estava começando, mas não havia necessidade de transformar cada momento imediatamente em uma decisão definitiva.
Havia tempo para conhecer.
Tempo para conversar.
Tempo para orar.
Tempo para entender.
Tempo para amadurecer.
O relacionamento caminhava.
E justamente porque havia diálogo e propósito, os dois podiam continuar descobrindo o que significava estar juntos.
Essa dimensão é essencial para compreender por que o capítulo seguinte terá uma característica própria.
O namoro possuía disciplina.
E essa disciplina seria percebida de maneira ainda mais concreta posteriormente.
Quando o amor passou a caminhar com responsabilidade
Um relacionamento pode começar pelo sentimento.
Mas permanecer exige muito mais.
Exige caráter.
Exige diálogo.
Exige respeito.
Exige fé.
Exige compromisso.
Exige disposição para conhecer o outro verdadeiramente.
No caso de Ivanildo e Rosinete, os registros mostram que esses elementos começaram a ser colocados dentro do relacionamento desde cedo.
Por isso, aquele namoro foi diferente.
Não porque fosse perfeito.
Não porque não houvesse desafios.
Mas porque estava sendo construído com uma consciência diferente:
havia um propósito maior do que simplesmente estar juntos.
Um namoro dentro de uma história maior
A história de Ivanildo e Rosinete não começou no dia do namoro.
Eles já haviam passado por anos diferentes.
Havia a antiga instituição.
Havia os anos em que estavam próximos sem compreender o que aquilo significaria.
Havia a busca espiritual.
Havia as experiências de cada um.
Havia os registros das agendas.
Havia Del Castilho.
Havia Pavuna.
E agora havia o namoro.
Por isso, aquele relacionamento não era um acontecimento isolado.
Era mais uma etapa de uma história que os dois, em sua compreensão de fé, entendiam estar sendo conduzida por Deus.
O que tornava aquele namoro diferente
No fim, a diferença estava no conjunto.
Bíblia.
Oração.
Jejum.
Conversas.
Propósito.
Ministério.
Compromisso.
Futuro.
Nenhum desses elementos, sozinho, conta toda a história.
Mas juntos ajudam a explicar por que aquele relacionamento possuía uma identidade própria.
Era um namoro em que os dois procuravam conversar antes de concluir, buscar antes de decidir e colocar Deus acima das próprias vontades.
E isso não significava que todos os capítulos seguintes já estivessem escritos diante dos olhos deles.
Significava apenas que, naquele momento, eles estavam aprendendo a caminhar.
O amor começava a ganhar estrutura
O início do namoro trouxe alegria.
Trouxe expectativa.
Trouxe proximidade.
Mas trouxe também uma responsabilidade nova.
Agora era preciso cuidar daquele relacionamento.
Era preciso preservar o diálogo.
Era preciso continuar buscando a Deus.
Era preciso conhecer ainda mais um ao outro.
Era preciso aprender a caminhar em parceria.
E, enquanto isso acontecia, uma nova etapa estava sendo construída.
“Melhor serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.”
Eclesiastes 4:9
Assim foi aquele namoro.
Diferente porque havia fé.
Diferente porque havia diálogo.
Diferente porque havia propósito.
Diferente porque havia compromisso.
Diferente porque o futuro já estava sendo levado a sério.
Mas ainda havia muito para viver.
O namoro estava apenas começando a revelar sua forma.
E o próximo capítulo mostraria uma das expressões mais marcantes daquela maneira de conduzir o relacionamento:
três meses sem um beijo.

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