CAPÍTULO 83 — TRÊS MESES SEM UM BEIJO

Quando o amor precisou aprender a esperar

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.”
Eclesiastes 3:1

O namoro de Ivanildo Melo Regis e Rosinete Gonsaga de Lima havia começado de uma maneira diferente.

Eles já vinham de conversas profundas sobre família, fé, propósito, ministério e futuro.

Não estavam começando uma relação sem qualquer consciência das responsabilidades que ela poderia trazer.

Ao contrário.

Desde o início, havia uma preocupação em construir algo com diálogo, respeito e direção espiritual.

E foi dentro desse contexto que aconteceu uma das características mais marcantes daquela fase:

foram três meses sem um beijo.

Três meses

O número parece simples.

Três meses.

Mas, dentro de um relacionamento que estava começando, aquele período representava uma escolha de condução.

O namoro estava acontecendo.

O sentimento existia.

A proximidade estava crescendo.

Mas os dois não fizeram da intimidade física o centro da relação.

Houve espera.

Houve disciplina.

Houve autocontrole.

E houve tempo para que o relacionamento fosse construído por aquilo que estava acontecendo entre os dois.

O amor não precisava ser apressado

Em muitos relacionamentos, existe uma pressão para que cada etapa aconteça rapidamente.

Na história de Ivanildo e Rosinete, entretanto, aquela fase foi conduzida de outra maneira.

O relacionamento podia avançar sem que tudo precisasse acontecer de uma só vez.

Eles podiam conversar.

Podiam se conhecer.

Podiam falar de Deus.

Podiam falar sobre família.

Podiam falar sobre propósito.

Podiam continuar construindo confiança.

E podiam esperar.

Essa espera não significava falta de sentimento.

Significava que o sentimento não precisava comandar sozinho a relação.

A disciplina dentro do namoro

A disciplina foi uma das características mais importantes daquela fase.

Não se tratava apenas de estabelecer uma regra.

Tratava-se de aprender a governar os próprios impulsos.

O relacionamento tinha sentimentos reais, mas esses sentimentos precisavam conviver com decisões conscientes.

Isso exigia maturidade.

Exigia respeito.

Exigia autocontrole.

Exigia que os dois compreendessem que havia momentos em que esperar também fazia parte de amar.

“Melhor é o longânimo do que o herói de guerra, e o que domina o seu espírito, do que o que toma uma cidade.”
Provérbios 16:32

Respeito

O período de três meses também pode ser compreendido dentro daquilo que já estava presente no namoro: respeito.

Respeitar o outro não significava somente ouvir.

Também significava reconhecer limites.

Significava não forçar etapas.

Significava permitir que a relação crescesse no seu próprio ritmo.

Ivanildo e Rosinete estavam aprendendo a caminhar juntos.

E aprender a caminhar juntos também significava aprender quando avançar e quando esperar.

O relacionamento precisava de uma base

A ausência do beijo durante aquele período ajudava a manter o foco em outras dimensões do relacionamento.

O namoro possuía conversa.

Possuía fé.

Possuía oração.

Possuía propósito.

Possuía discussões sobre família e futuro.

Havia espaço para conhecer o caráter do outro.

Para observar atitudes.

Para entender pensamentos.

Para amadurecer a relação.

Assim, a construção do vínculo não dependia de uma demonstração física imediata.

O relacionamento tinha outras formas de demonstrar proximidade.

O diálogo continuava sendo fundamental

Rosinete já havia explicado que, para ela, uma família precisa de conversa, cuidado, carinho, empatia, sacrifício, amor e fé.

Essa compreensão ajuda a entender aquele período.

Se o diálogo era essencial, então o namoro precisava primeiro construir conhecimento e confiança.

Cada conversa servia para aproximar.

Cada assunto permitia conhecer melhor o outro.

Cada momento ajudava a compreender as diferenças.

E os três meses se tornavam parte desse processo.

A espera não significava distância

É importante não interpretar aqueles três meses como se Ivanildo e Rosinete estivessem emocionalmente distantes.

Eles estavam namorando.

Estavam se conhecendo.

Estavam construindo uma relação.

O que existia era uma decisão consciente sobre uma dimensão específica do relacionamento.

Por isso, a ausência do beijo não significava ausência de amor.

Significava que, naquele período, outras dimensões estavam ocupando o primeiro plano.

O conhecimento.

A confiança.

A fé.

A conversa.

O propósito.

Autocontrole

O autocontrole também ocupou seu lugar.

Não é simples estabelecer uma espera dentro de um relacionamento quando existe sentimento.

Por isso, os três meses se tornaram uma experiência prática de domínio próprio.

Era necessário compreender que nem tudo aquilo que uma pessoa deseja precisa acontecer imediatamente.

Existem coisas que podem esperar.

Existem etapas que possuem seu próprio tempo.

E havia uma convicção de que o relacionamento não perderia seu valor por esperar.

Pelo contrário.

A espera podia revelar maturidade.

“Sede sóbrios e vigilantes.”
1 Pedro 5:8

Construindo antes de avançar

O namoro estava construindo fundamentos.

Antes de qualquer passo posterior, havia a necessidade de conhecer.

Conhecer a personalidade.

Conhecer a história.

Conhecer a família.

Conhecer a fé.

Conhecer o modo de pensar.

Conhecer a maneira de lidar com as responsabilidades.

Conhecer aquilo que cada um sonhava para o futuro.

Isso fazia com que os três meses tivessem um significado maior dentro da história.

Não eram apenas três meses sem uma demonstração específica de afeto.

Eram três meses em que o relacionamento tinha a oportunidade de crescer em outras áreas.

O amor também sabe esperar

Um dos significados mais fortes daquele período está na própria ideia de espera.

Esperar não significa abandonar.

Esperar não significa esfriar.

Esperar não significa desistir.

Em determinadas circunstâncias, esperar significa proteger aquilo que está sendo construído.

Na história de Ivanildo e Rosinete, os três meses ficaram registrados como uma etapa de disciplina e respeito.

Foi uma decisão daquele período.

E deve ser preservada exatamente assim.

Sem transformar a escolha em regra para todos

Essa história também precisa ser contada com precisão.

Os três meses sem beijo pertencem à experiência de Ivanildo e Rosinete.

Foi a maneira como eles conduziram aquele período.

Não é necessário transformar a experiência particular dos dois em uma regra geral para todos os relacionamentos.

O valor histórico está justamente em preservar aquilo que eles fizeram.

Foi assim que escolheram conduzir o namoro.

E foi assim que esse período entrou para a memória dos dois.

O que os três meses produziram

Ao final daquele período, havia algo que não dependia de um beijo para existir:

havia vínculo.

Havia mais conhecimento.

Havia mais confiança.

Havia mais conversa.

Havia mais compreensão.

Havia uma caminhada sendo construída.

O namoro havia passado por uma experiência concreta de espera.

E essa experiência fazia parte de uma relação que já vinha sendo construída com a preocupação de colocar Deus, a fé e o propósito em seu devido lugar.

Um namoro que aprendeu a esperar

Os três meses ficaram registrados por uma razão.

Eles mostram que o início do relacionamento não foi conduzido pela pressa.

Houve tempo.

Houve disciplina.

Houve respeito.

Houve autocontrole.

E houve construção.

O amor não precisou correr.

O relacionamento não precisou provar sua existência através da velocidade.

Eles estavam aprendendo a amar também através da espera.

Depois dos três meses

A história continuaria.

Vieriam novas experiências.

Novas conversas.

Novas decisões.

E uma frase passaria a representar de maneira especial a forma como eles enxergariam a própria relação:

“Somos eternos namorados.”

Mas isso pertence ao próximo capítulo.

Naquele momento, o que permanece é a memória de uma escolha simples e marcante:

três meses sem um beijo.

Não como ausência de amor.

Mas como uma experiência de disciplina, respeito, autocontrole e construção.

E, olhando para trás, aquela espera se tornou mais uma parte da história de duas pessoas que estavam aprendendo que o amor também pode ser demonstrado quando se escolhe esperar pelo tempo certo.

“Espera pelo Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, pelo Senhor.”
Salmos 27:14

Três meses.

Sem um beijo.

Mas com algo que, para a história dos dois, continuava crescendo:

o conhecimento, a confiança, a fé e o compromisso.