CAPÍTULO 97 — O CARTÃO SOBRE A MESA

Nossa História — Ivanildo Melo Regis e Rosinete Gonsaga de Lima

Depois que a pessoa necessária para o documento reapareceu, a questão avançou para outra etapa. O documento ainda precisava ser tratado por um advogado. Foi nesse ponto que o nome de Marco Vinício Santos entrou na história de Ivanildo e Rosinete.

Ivanildo procurou apresentar a situação com clareza. Ele precisava daquele documento porque havia uma decisão já tomada: ele queria se casar com Rosinete. O casamento, porém, ainda dependia de providências concretas que precisavam ser resolvidas antes que a data pudesse chegar.

Havia uma dificuldade que tornava tudo ainda mais delicado. Ivanildo relatou que não tinha dinheiro para pagar o advogado e também precisava de recursos para a passagem. A necessidade estava diante dele, mas os recursos ainda não estavam em suas mãos.

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.” — Salmos 37:5.

Foi nesse cenário que, segundo o testemunho de Ivanildo, ele entendeu ter recebido uma direção do Espírito Santo: colocar um cartão de visita sobre a mesa do advogado.

O gesto era simples. Um cartão. Uma mesa. Uma ação aparentemente pequena diante de um problema que parecia maior do que os recursos disponíveis. Mas, na compreensão espiritual de Ivanildo, aquele gesto fazia parte da direção que estava recebendo naquele momento.

É importante preservar a natureza desse registro. A biografia não precisa transformar o cartão em símbolo que a fonte não estabeleceu. O que está documentado é o próprio acontecimento e a maneira como Ivanildo o compreendeu: uma direção espiritual que o levou a agir.

A Bíblia registra:

“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.” — Provérbios 3:5.

Depois daquele momento, a situação tomou um caminho que Ivanildo considerou uma providência. Ele acabou indo para a casa do advogado, onde almoçou com ele e sua família. O que começou com uma necessidade documental e uma dificuldade financeira passou a incluir uma oportunidade concreta de trabalho.

Nos três meses seguintes, Ivanildo trabalhou na casa de Marco Vinício Santos. Segundo seu relato, o valor recebido por esse trabalho foi suficiente para pagar o serviço do advogado.

A sequência é importante porque mostra que, naquela etapa, a fé não foi apresentada como passividade. Ivanildo não apenas esperou. Ele procurou, apresentou a necessidade, recebeu — segundo seu testemunho — uma direção espiritual e depois trabalhou para que a providência também tivesse uma dimensão prática.

Foi uma etapa em que oração e ação caminharam juntas. O problema precisava de uma solução concreta. O advogado precisava ser pago. A passagem precisava ser providenciada. E o caminho encontrado envolveu trabalho.

“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças.” — Eclesiastes 9:10.

Depois desse período, Ivanildo ainda trabalhou na casa de um primo que trabalhava em banco, realizando a reforma da casa e ajudando na preparação e na mobília do imóvel antes do casamento. A preparação continuava, enquanto o dia 28 de março de 2003 se aproximava.

Por isso, o cartão sobre a mesa não deve ser separado do restante da sequência. Ele pertence ao período em que o documento precisava ser resolvido, o advogado havia entrado na história e Ivanildo precisava encontrar uma maneira de cumprir uma obrigação que estava ligada diretamente ao casamento.

Não é necessário acrescentar ao episódio detalhes que não foram registrados. O cartão foi colocado. A direção foi compreendida. O caminho avançou. Depois vieram o encontro na casa do advogado, o almoço com sua família e os três meses de trabalho que, segundo o relato, permitiram pagar o serviço.

Assim, um gesto pequeno passou a fazer parte de uma etapa importante da preparação. Não porque o cartão, por si só, tivesse algum poder, mas porque, dentro do testemunho de Ivanildo, ele representou uma atitude tomada diante de uma direção que ele atribuía ao Espírito Santo.

E a história continuava. O casamento ainda não havia acontecido. A preparação ainda exigia outras providências. Mas mais uma etapa havia sido atravessada: o cartão estava sobre a mesa, a questão havia avançado e o caminho para o casamento continuava aberto.